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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fernando Henrique Cardoso precisa de amigos



Fernando Henrique Cardoso precisa de amigos
Gilson Caroni Filho - Carta Maior - 08/02/2010
http://www.cartamaior.com.br/



Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados.
Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada.




Gilson Caroni Filho


Em seu texto "Luto e Melancolia", Freud diz que manifestações melancólicas assumem várias formas clínicas, se caracterizando, entre outros sintomas, "por uma depressão profundamente dolorosa, uma suspensão do interesse pelo mundo externo, diminuição do sentimento de auto-estima e inibição de todas as atividades". A identificação com o objeto perdido é inevitável e, na medida em que não consegue incorporação simbólica, o que sobra ao sujeito é a identificação com o vazio de um pai ausente.

Se a psicanálise sofre hoje contestações de diferentes ordens, as palavras do seu criador sobre o comportamento melancólico se encaixam como uma luva para o amontoado de sandices que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu e disse no último domingo, 07/02/2010, tentando deter e repudiar a impopularidade que o persegue desde o segundo mandato.

Há alguns anos, Carlos Heitor Cony, em artigo na Folha de São Paulo, não poupou palavras para melhor definir o "príncipe dos sociólogos: "Diziam seus admiradores que FHC era uma cabeça, um intelectual, um produtor de coisas inteligentes. Sua exposição no cargo mais alto do país rebaixou-o à dimensão de um demagogo banal, incapaz de articular um argumento alem do insulto aos que não acreditam nele e o acusam inclusive de improbidade".

Isso é FHC. A exigência egóica de ser admirado o torna, paradoxalmente, um líder sem liderados. Um prócer a ser evitado em anos eleitorais. Para quem acredita que fez um grande favor ao mundo nascendo, sua irritabilidade é permanente e justificada. Afinal, deve ser duro para quem esteve no poder durante oito anos, constatar que o resto do mundo político não reconhece sua importância. Pior, o que ganha realce são os erros grosseiros de um dirigente que governou de acordo com os humores do capital financeiro.

Seu governo passou para a história como um modelo que acentuava a exclusão social e penalizava as classes de menor renda. A estratégia de estabilização de preços baseada na captação de capital externo de curto prazo, através da sobrevalorização da moeda e da manutenção de elevadas taxas de juros, levou o país a níveis de desemprego sem precedentes, à desarticulação da estrutura produtiva e à deterioração do tecido social no campo e na cidade.

O mau desempenho do comércio brasileiro na época foi minuciosamente construído pela equipe de FHC que, realizando uma abertura irresponsável da economia, pôs em prática políticas monetárias e cambiais que minaram em grande parte nossa capacidade de competição internacional.

Mostrando a miopia fiscalista que o orienta até hoje, Cardoso escreveu em seu artigo ("Sem medo do passado"), publicado no Globo: "Esqueceu-se [Lula] dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal".

A entrega do patrimônio público ainda é apresentada como fórmula eficaz de fazer caixa. O que FHC faz questão de esquecer faz parte de sua história: grande parte do programa de privatização brasileiro foi financiada pelo BNDES. No cassino tucano, muitas empresas privatizadas não queriam fazer investimento aqui e se aproveitavam de polpudos créditos que também beneficiavam transnacionais já instaladas no país. O argumento utilizado era o de que a vinda desses setores permitiria agregar elementos de financiamento ao desenvolvimento nacional.

Quando se lê um artigo assim, descontextualizado, mal costurado em seus argumentos, é que nos damos contas da importância de olhar pelo retrovisor. É ele que sinaliza as perspectivas do futuro. Nesse ponto, o texto de Cardoso é didático, quase leitura obrigatória.

FHC sabe que a grande mídia corporativa exercerá o prestimoso papel de guiar suas mãos na hora de legitimar a irrelevância dos seus escritos. Somente os exércitos de colunistas destacados pelas famílias que controlam os meios de comunicação garantem sua vida política vegetativa.

Quando compara a ministra Dilma Rousseff a um boneco manipulado pelo presidente Lula não faz qualquer ponderação política, apenas evidencia que sua cabeça está longe de ser privilegiada. É uma mente que destila bile (que está na raiz da palavra melancolia) para desqualificar seus adversários. É o menestrel da política pequena buscando a facilidade da ribalta midiática.

Antes de dizer que "o PT tenta desconstruir o seu mandato", o "príncipe" deveria dedicar mais tempo à leitura do que andaram falando sobre seu governo as principais lideranças do seu partido, em especial o governador de São Paulo. Uma boa sugestão seria o livro "Conversas com Economistas Brasileiros II", que a Editora 34 lançou em 1999. Lá ele encontraria o seguinte trecho:

"A política cambial do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso foi um desastre gratuito e total. Foi resultado de pouca reflexão analítica de seus condutores. Suas conseqüências foram devastadoras em muitas áreas da economia, inclusive comprometendo as metas fixadas no processo de privatização".

Essa crítica, das mais contundentes feitas por um economista que participou dos dois mandatos do governo FHC, é de José Serra em entrevista a dois professores da FGV, Guido Mantega e José Márcio Rego. E agora, quem é o boneco de quem? Nem mesmo um governador que submergiu com as enchentes em São Paulo, levando com ele a suposta capacidade gerencial do tucanato, pôde endossar a política arrasada do ex-presidente. O que esperar da oposição? A compaixão que deve ser concedida aos incapazes?

As palavras do ex-presidente devem ser vistas como movimentos de descompressão da realidade. Quando, a partir da melancolia e solidão de sua maturidade, um ator político faz a volta à infância, o ridículo se apodera do cenário. Fernando Henrique precisa de amigos.



Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro,
colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil


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Fernando Henrique Cardoso









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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Suplemento de magnésio melhora funcionamento do cérebro



Suplemento de magnésio melhora funcionamento do cérebro
Redação do Diário da Saúde - 28/01/2010
http://www.diariodasaude.com.br/


Alimentos ricos em magnésio, um elemento essencial ao corpo humano.
[Imagem: Wikimedia/Peggy Greb].





Turbinando o cérebro com magnésio


Neurocientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade de Tsinghua, em Pequim, comprovaram que o aumento de magnésio no cérebro aumenta a capacidade de aprendizagem, a memória de trabalho e as memórias de curto e longo prazo.

O suplemento alimentar desenvolvido pelos cientistas também melhorou a capacidade dos mais idosos em executar uma grande variedade de testes de aprendizagem. Todos os testes foram feitos em ratos. Somente na próxima etapa do estudo serão feitos estudos em humanos.



Importância do magnésio no corpo

O magnésio, um elemento essencial ao organismo humano, é encontrado nas folhas de verduras escuras, como o espinafre, e em alguns frutos. Pessoas que ingerem menos de 400 miligramas de magnésio por dia têm maior risco de alergias, asma e doenças cardíacas, entre outras condições - veja Falta de magnésio acelera o envelhecimento celular.

Em 2004, Guosong Liu e seus colegas do MIT descobriram que o magnésio pode ter uma influência positiva na aprendizagem e na memória. Eles continuaram a pesquisa desenvolvendo um novo composto à base de magnésio (magnésio-L-treonato - MgT) que é mais eficaz do que os suplementos orais tradicionais para aumentar a concentração do magnésio no cérebro. A seguir, eles testaram o MgT em ratos

"Nós descobrimos que a elevação do magnésio no cérebro levou a uma melhoria significativa das memórias espacial e associativa tanto em ratos jovens quanto em ratos idosos", disse Liu. "Se o MgT se mostrar eficaz e seguro em seres humanos, esses resultados podem ter um impacto significativo na saúde pública".

"Metade da população dos países industrializados tem um déficit de magnésio, e que aumenta com o envelhecimento. Se pudermos manter níveis normais, ou mesmo elevados, de magnésio, poderemos ser capazes de diminuir significativamente a perda das funções cognitivas e, talvez, prevenir ou tratar doenças que afetam as funções cognitivas", disse Liu.



Magnésio no cérebro

Para entender os mecanismos moleculares por trás dessa melhoria da memória induzida pelo suplemento de magnésio, os pesquisadores estudaram as mudanças induzidas nas propriedades funcionais e estruturais das sinapses - as conexões entre os neurônios.

Eles descobriram que, em ratos jovens e idosos, o magnésio aumenta a plasticidade entre as sinapses e aumenta a densidade das sinapses no hipocampo, uma região do cérebro crucial para a aprendizagem e para a memória.



Estudos em humanos

Este estudo não apenas destaca a importância de uma dieta diária com uma quantidade adequada de magnésio, como também sugere a utilidade de tratamentos à base de magnésio para a diminuição da memória associada ao envelhecimento, afirmam os pesquisadores.

Os estudos clínicos, que já estão realizados em Pequim, querem agora descobrir a relação entre a quantidade de magnésio no corpo e as funções cognitivas em seres humanos idosos e em portadores do Mal de Alzheimer.













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Conexões entre neurônios se formam logo após o aprendizado



Aprendizagem forma sinapses

Agência Fapesp - 02/12/2009
http://www.agencia.fapesp.br/


Estudo publicado na Nature indica que novas conexões entre neurônios começam a se formar logo após o aprendizado de uma tarefa.



Novas conexões entre neurônios começam a se formar logo após o aprendizado de uma nova tarefa, indica estudo publicado no domingo (29/11/2009) no site da revista Nature.


A pesquisa envolveu observações detalhadas do processo de alteração nas ligações nervosas em animais que ocorre no cérebro durante a aprendizagem motora.

Os pesquisadores estudaram camundongos que foram condicionados a se deslocar por uma passagem em uma gaiola para alcançar sementes. Foi observado um rápido crescimento das sinapses, as estruturas que formam conexões entre neurônios no córtex motor, a parte do cérebro que controla os movimentos musculares.

"Verificamos uma formação robusta e quase imediata de sinapses, menos de uma hora após o início do condicionamento", disse o coordenador da pesquisa Yi Zuo, professor da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

O grupo de Zuo observou a formação de estruturas chamadas espinhas dendríticas que crescem em neurônios piramidais (grandes células que ligam as camadas do cérebro) no córtex motor.

As espinhas dendríticas formam sinapses com outras células nervosas. Nessas sinapses, os neurônios piramidais recebem sinais de outras regiões do cérebro envolvidas na memória motora e nos movimentos dos músculos. Os cientistas verificaram que o crescimento de novas espinhas dendríticas foi seguido pela eliminação seletiva de espinhas pré-existentes, de forma que a densidade geral das espinhas retornou ao nível original.

"Trata-se de um processo de remodelagem por meio do qual as sinapses que se formam durante o aprendizado se consolidam, enquanto outras se perdem. A aprendizagem motora imprime uma marca permanente no cérebro. Quando aprendemos a andar de bicicleta, por exemplo, uma vez que a memória motora é formada, não esquecemos o que foi aprendido. O mesmo ocorre quando um camundongo aprende uma nova habilidade motora: o animal aprende como fazer e não esquece mais", explicou Zuo.

Compreender a base da formação de memórias de longo prazo é um desafio importante para a neurociência, com implicações no desenvolvimento de terapias que possam auxiliar pacientes na recuperação de habilidades perdidas em acidentes ou em derrames.

"Iniciamos nosso estudo com o objetivo de entender melhor os processos que ocorrem após um acidente vascular cerebral, quando os pacientes têm que reaprender a fazer determinadas atividades. Queremos descobrir se há algo que podemos fazer para acelerar o processo de recuperação", disse Zuo.

O artigo Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories, de Yi Zuo e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.












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Fraudes em nome de Deus


Fraudes em nome de Deus
Dalmo de Abreu Dallari - Observatório da Imprensa - 16/03/2010
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/


Um fenômeno social que vem ganhando corpo nos últimos tempos é o aparecimento de grupos autodenominados religiosos, que, geralmente sob a direção de um líder, arrebanham adeptos, atraindo pessoas, quase sempre pouco esclarecidas ou socialmente frágeis, ou, ainda, dissidentes políticos ou religiosos aos quais oferecem um instrumento de oposição, e logo procuram formalizar a existência do grupo como uma nova igreja. E assim procuram obter proveitos materiais de várias espécies, em fraude à lei. Isso explica o aparecimento de novas igrejas em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.

Percebendo a ocorrência desse fenômeno e desejando conhecê-lo melhor, para, entre outras coisas, despertar a opinião pública para os graves prejuízos individuais e sociais que isso pode acarretar, dois jornalistas ligados à Folha de S.Paulo, Cláudio Ângelo, editor de Ciência, e o repórter Rafael Garcia, decidiram criar experimentalmente uma nova igreja, evidentemente fundada numa fantasiosa crença religiosa.

Para tanto, com o objetivo de evidenciar a tranquila possibilidade legal de consumar essa fraude, solicitaram a orientação de um dos mais prestigiosos escritórios de advocacia de São Paulo, respeitadíssimo pelo alto nível de conhecimentos e pelo rigoroso padrão ético de seus integrantes - o escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo, Gasparian Associados. E assim adotaram as providências legalmente exigidas para concretizar a criação da igreja de fantasia.



Exploração da ignorância

Verificaram, então, que não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a criação de uma igreja, não havendo também a exigência de um número mínimo de fiéis. Redigiram um documento de fundação do que denominaram Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangelho e fizeram a inscrição da entidade no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, obtendo assim o número do CNPJ.

Com base nesse documento abriram uma conta bancária, fazendo várias aplicações financeiras, gozando de isenção dos tributos normalmente incidentes sobre operações dessa espécie, pois, segundo a Constituição, no artigo 150, inciso VI, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre templos de qualquer culto.

Nessa mesma linha, a nova igreja poderá adquirir e vender imóveis, realizar transações econômicas, cobrar pela prestação de serviços e praticar outros atos que beneficiem pessoalmente os criadores e dirigentes da igreja, sem que sejam obrigados a pagar o IPVA, o IPTU, o ISS e qualquer outro tributo. E como as igrejas são absolutamente livres para definir sua organização e direção e para admitir e manter seus sacerdotes, que, nessa condição, ficam isentos da obrigação de prestar o serviço militar obrigatório, um dos dirigentes designou seus próprios filhos como sacerdotes, garantindo-lhes, desse modo, essa isenção, devendo-se ainda acrescentar que, além desse privilégio legal, os sacerdotes terão direito a prisão especial, se forem envolvidos numa ocorrência policial.

Acrescente-se, ainda, que os dirigentes da igreja poderão indicar os imóveis de sua residência como sendo templos da igreja e assim ficarão isentos dos tributos municipais.

Essa iniciativa dos jornalistas, levada a efeito discretamente e sem procurar provocar escândalo, é merecedora do maior elogio e deve ser amplamente divulgada, para chamar a atenção dos que podem e devem influir para impedir a multiplicação fraudulenta de igrejas. Essa fraude deve merecer especial atenção dos legisladores e dos governos, pois além de acarretar enormes prejuízos a todo o povo, por criar a possibilidade de intensa atividade econômico-financeira sonegando tributos, alimentam-se da exploração da ignorância e da fragilidade de pessoas das camadas mais pobres da população.



Ação educativa

Bem ilustrativo da audácia desses exploradores da ignorância e da ingenuidade de pessoas mais simples é a notícia da criação de uma linha telefônica para falar com Deus, fato divulgado pelo jornal francês Le Monde (4/3/2010, pág. 26).

Conforme registra com ironia aquele jornal, foi criado um novo serviço telefônico, "Le Fil du Seigneur", iniciativa da sociedade Aabas Interactive. Fornecendo os dois números disponíveis para as ligações, informa o jornal que o custo das ligações é de 15 centavos de euro para as ligações comuns e de 34 centavos para as ligações urgentes e diretamente dirigidas a Deus.

Quem ligar para o serviço ouvirá uma gravação dizendo: "Você está em presença de Deus para o recolhimento e a prece a fim de receber sua graça". Acrescenta o jornal, sempre ironizando, que os promotores desse piedoso serviço não estão autorizados a conceder absolvição por telefone, mas os interessados podem deixar sua confissão. E para acentuar os objetivos de apoio e edificação espiritual, uma gravação diz no início: "Para receber conselhos, digite 1; para confessar, digite 2; para escutar confissões de outros, digite 3".

Parece absurda a criação de um "serviço" dessa natureza, mas o fato de ele continuar existindo é um sinal de que também existem usuários, o que deixa evidente que há ambiente para audácias desse tipo.

Num pronunciamento recente, o presidente da Ordem dos Advogados de Angola chamou a atenção para o surgimento e a multiplicação de práticas ilegais naquele país, ligadas justamente à exploração de crenças religiosas. E observou: "Não me surpreende o surgimento de crimes ligados à exploração religiosa, porque onde há pobreza, ignorância e um nível cultural extremamente baixo há propensão para que essas práticas religiosas duvidosas prevaleçam e tenham espaço".

E sublinhando que a legislação angolana exige um mínimo de cem mil aderentes para a existência de uma igreja, o que considera bom mas insuficiente para impedir as fraudes, acrescentou que "é responsabilidade do Estado, nos termos da lei, controlar para que o direito de liberdade religiosa não seja utilizado para fins contrários ao que está previsto na Constituição", considerando necessária uma ação educativa do Estado, mas também uma ação repressiva, para impedir práticas que, sob a máscara de atividades religiosas, prejudiquem os direitos de outros cidadãos e a própria ordem pública.



Necessário e urgente

Observe-se, afinal, que esse fenômeno da exploração religiosa, muito oportunamente posto em evidência pelos jornalistas da Folha de S.Paulo, vem preocupando vários países da Europa. Assim, na França já estão em vigor três leis tratando de questões relativas ao surto de organizações religiosas e suas repercussões legais. A primeira é de 18 de dezembro de 1998 e cuida, sobretudo, do problema do acesso de crianças à escola, que é obrigação dos pais e vinha enfrentando obstáculos sob alegação de motivos religiosos. A segunda, de 15 de junho de 2000, deu legitimidade às associações civis que lutam contra as seitas para propor ou integrar ações judiciais, inclusive na área penal, nesse âmbito. A terceira lei, de 12 de junho de 2001, trata dos movimentos sectários que atentam contra os direitos humanos e as liberdades fundamentais. Esta lei permite a propositura de ação contra fatos que podem ser qualificados como "abusos fraudulentos do estado de ignorância ou de fragilidade", com agravantes quando praticados contra crianças ou pessoas em situação de fraqueza.

Essas questões já vêm sendo objeto de considerações do Conselho da Europa, que em 1992 fez recomendações relativamente às seitas e aos novos movimentos religiosos e em 1999 reforçou seu pronunciamento considerando as atividades ilegais das seitas. Como fica evidente, há uma situação nova envolvendo as questões religiosas, com efeitos graves sobre os direitos.

Por tudo isso, é muito oportuna a advertência sobre o que vem ocorrendo no Brasil nessa área. A Constituição brasileira declara inviolável a liberdade de consciência e de crença, mas ao mesmo tempo diz, no artigo 5°, inciso XVII, que é plena a liberdade de associação "para fins lícitos". É evidente que o uso fraudulento da invocação religiosa nada tem a ver com a liberdade de crença e, ainda mais, por suas conseqüências de ordem prática, acarreta graves prejuízos a todo o povo, confere privilégios injustos e cria uma situação de conflito, opondo as organizações desonestas às instituições que se fundamentam, autenticamente, em crenças religiosas.

Assim, pois, é necessário e urgente que o tema seja posto entre as prioridades brasileiras, para que se tenha uma legislação que, mantendo a laicidade do Estado, garanta a liberdade de crença com pluralidade, coibindo a invocação fraudulenta dessa liberdade.



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Dalmo de Abreu Dallari


















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Auire - Aparelho para deficiente visual poder identificar cor



Aparelho identifica e fala cores para deficientes visuais
Paulo Roberto Andrade - Agência USP - 02/02/2010
http://www.inovacaotecnologica.com.br/

O Auire deverá ser fabricado sob o conceito de hardware livre, por meio do qual qualquer pessoa pode construir o seu, sem necessidade de licenciamento. [Imagem: Auire].



Um identificador de cores para deficientes visuais, desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP, é finalista da competição internacional Unreasonable Finalists Marketplace.

Batizado de Auire, o aparelho é portátil e serve para identificar cores de objetos e notas de dinheiro.

Por meio de leitura óptica, o Auire literalmente "fala" o nome da cor do objeto analisado. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros de computação Fernando de Oliveira Gil e Nathalia Sautchuk Patrício.



Identificador de cores

O aparelho consiste em uma caixa que faz uma leitura óptica do objeto e identifica as três cores básicas: azul, verde e vermelho, por meio de três sensores, um para cada cor. Baseado nessas componentes, ele identifica a cor que mais se aproxima do objeto analisado, e vocaliza o nome da cor.

"No caso do dinheiro, as notas do Brasil utilizam cores diferentes. Então, o aparelho utiliza a cor para identificar as notas. Por exemplo, se o aparelho lê uma cor vermelha, trata-se de uma nota de 10 reais; o rosa, 5 reais e assim por diante", explica o engenheiro. "Não conseguimos ainda diferenciar com segurança as notas de 2 e 100 reais, ainda serão necessários alguns ajustes", completa.

O protótipo precisa ser conectado a um computador, que processa os dados através de um software. "Nossa ideia é introduzir o software dentro do aparelho e torná-lo autônomo, ou seja, que processe os dados sem utilizar um computador", explica Gil.



Hardware livre

O público-alvo são os deficientes visuais, tanto os completamente cegos quanto os daltônicos, principalmente aqueles de baixa renda.

"Para baixar os custos do aparelho, vamos utilizar uma eletrônica mais simplificada, com componentes disponíveis no mercado, além de uma arquitetura aberta de software livre. Queremos que o Auire possa ser reproduzido por quem possui os componentes e alguns conhecimentos de eletrônica", explica.



Empreendimentos sociais autossustentáveis

A competição da qual o Auire tornou-se finalista é organizada pelo Unreasonable Institute e premiará projetos sociais de grande impacto.

O objetivo é buscar empreendedores sociais que desenvolvam planos de iniciativas autossustentáveis. Por isso, os projetos têm o formato de empresas e não de entidades sem fins lucrativos.

Na primeira fase, a competição selecionou 42 finalistas. Agora, na fase final, o instituto escolherá os 25 primeiros projetos que conseguirem arrecadar US$ 6.500,00 em doações. O dinheiro será usado para custear os desenvolvedores dos projetos durante um período de 10 semanas de treinamento na sede da instituição, no Colorado, Estados Unidos, com profissionais e especialistas na área de negócios. As doações começaram nesta segunda-feira (25) e poderão ser feitas até 15 de março no site www.unreasonablefinalists.org.

"Para a competição, montamos um plano de negócios para abrir uma empresa e produzir o identificador com baixo custo", conta Gil. Os pesquisadores pretendem alcançar um custo por aparelho entre R$ 100,00 e R$ 200,00. Gil ressalta que existem aparelhos semelhantes no mercado, mas são vendidos aqui no Brasil por cerca de R$ 1.200,00.










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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Água poluída mata mais que violência



Água poluída mata mais que violência

Reuters - Plantão Info - 22/03/2010
http://info.abril.com.br/


O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.


Abidjan - A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU.

"A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras", disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês).

Em um relatório intitulado "Água Doente", lançado para o Dia Mundial da Água, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes.

O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90% da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada."

O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

"Se o mundo pretende sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto", disse o diretor da Unep, Achim Steiner, "O esgoto está literalmente matando pessoas".











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Você ainda acredita que celular não causa câncer?



O que de fato devemos temer em relação aos telefones celulares?
Frédéric Dubois - Diário da Saúde - 21/01/2010
http://www.diariodasaude.com.br/


O crescente número de usuários e as antenas de retransmissão, proliferando mesmo nos cantos mais remotos do mundo, significam que estamos constantemente imersos em um mar de radiofrequências. [Imagem: Wikimedia]



Mar de radiofrequências


A utilização dos telefones celulares cresceu exponencialmente ao longo dos últimos 10 anos, muito mais rapidamente do que aconteceu com a televisão e o com rádio na época do surgimento dessas tecnologias.

Por isso, é muito cedo para quantificar os riscos a longo prazo que os celulares impõem sobre a saúde humana.

Contudo, o crescente número de usuários e as antenas de retransmissão, proliferando mesmo nos cantos mais remotos do mundo, significam que estamos constantemente imersos em um mar de radiofrequências (RF).

Será que nossos corpos são capazes de suportar tal exposição? Até que nível? O efeito seria o mesmo para todas as pessoas?



Celular e tumores cerebrais

Pesquisadores do projeto Interphone, o maior estudo epidemiológico já realizado sobre a relação entre o câncer e os telefones celulares, estão divulgando seus primeiros resultados.

Embora a interpretação deste estudo ainda não permita tirar conclusões definitivas, ele sugere que o uso de telefones celulares pode causar a ocorrência de certos tumores cerebrais.

Os resultados iniciais do estudo, iniciado em 1999 pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) em 13 países industrializados, sugerem que as pessoas que usaram telefones celulares regularmente por 10 anos apresentam um maior risco de desenvolver determinados tumores.

O estudo analisou quatro tipos de tumores que afetam o cérebro ou as partes da cabeça ao redor das orelhas. Cada participante recebeu um questionário detalhado sobre o uso do telefone celular, seu perfil demográfico, se usa ou não outros sistemas de comunicação, se fuma e tudo sobre seu histórico médico pessoal e familiar.

No total, 2.765 pessoas com gliomas, 2.425 com meningiomas, 1.121 com neuroma acústico e 400 com câncer da glândula parótida foram entrevistadas utilizando um protocolo comum, juntamente com um grupo controle de 7.658 pessoas.



Uma interpretação prudente...

Com relação aos gliomas, o câncer do cérebro com maior risco de mortalidade, o estudo Interphone afirma que "os dados dos países escandinavos e do Reino Unido identificaram um maior risco de desenvolver este tipo de tumor no lado da cabeça normalmente usado para telefonar".

Os resultados sugerem que a probabilidade de os usuários desenvolverem um glioma após 10 anos de uso contínuo do telefone celular é até 60% mais elevado nos países escandinavos, quase 100% maior na França e perto de 120% na Alemanha.

Para os meningiomas e neuromas acústicos, os resultados não são tão claros, embora perceba-se uma tendência semelhante. Para os tumores da glândula parótida, por outro lado, nenhum aumento no risco foi observado.

Mas futuras investigações, com períodos de latência maiores, serão necessárias para confirmar estes resultados.

Elisabeth Cardis, do Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental (CREAL) em Barcelona, na Espanha, coordenadora do Interphone, no entanto, minimiza a natureza alarmante destes primeiros resultados:

"Eles de fato indicam um possível aumento do risco entre os usuários a longo prazo, mas essa observação talvez seja artificial, devido a duas influências principais que podem invalidar as conclusões. Por um lado, os relatórios podem estar subestimados devido ao viés da seleção [dos voluntários], ou seja, quase 55% de taxa de não-resposta entre os usuários saudáveis. Por outro lado, pessoas com câncer pode ter superestimado seu próprio uso de telefones celulares. Isso é o que é conhecido como viés de memorização", diz ela.



Usuário regular

Um grande número de organizações que fazem campanhas para a adoção de normas mais rigorosas sobre o uso de telefones celulares acredita que a definição de "usuário regular" - utilizado no estudo Interphone para representar alguém usando um telefone celular pelo menos uma vez por semana por pelo menos seis meses - é muito amplo, podendo distorcer os resultados.

"Este é, contudo, um conceito muito claro adotado em todos os estudos", diz Elizabeth Cardis. "Quando as pessoas se encontram nesse perfil, um questionário detalhado é enviado para documentar suas histórias completas do uso do telefone celular. Nós fizemos análises pelo número de anos de utilização, número total de chamadas, o número de horas etc.".



Interferências com o sistema imunológico

Os resultados finais do Interphone deverão ser publicados nos próximos meses. Até lá, os governos não podem (ou não querem) utilizar o estudo como uma base para a introdução ou a modificação de suas legislações.

Entretanto, outros estudos apontam na mesma direção, como uma tese de doutoramento defendida na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, em junho de 2008, perante um júri internacional de especialistas.

Dirk Adang, orientado por André Vander Vorst, mediu o impacto das ondas eletromagnéticas em quatro grupos de ratos. Roedores de três destes grupos foram submetidos ao longo de um período de 18 meses, o equivalente a 70% de suas vidas, a diferentes níveis de exposição eletromagnética, sempre em conformidade com as normas internacionais vigentes. O grupo controle não foi exposto.



Efeitos da radiação sobre o sistema imunológico

O estudo chegou a duas conclusões principais.

A primeira diz respeito ao efeito da exposição à radiação eletromagnética sobre os sistemas imunológicos dos ratos. Em análises de amostras de sangue, realizadas a cada três meses, Dirk Adang identificou, nos ratos dos três grupos que sofreram a exposição, um aumento dos monócitos, células brancas do sangue envolvidas na eliminação de corpos estranhos do organismo.

Esta descoberta sugere que o organismo responde à exposição a doses baixas de radiação eletromagnética como se fosse uma agressão externa.

A segunda e mais preocupante conclusão diz respeito à taxa de mortalidade: 60% dos ratos dos três grupos expostos morreram dentro dos três meses do experimento, contra 29% no grupo controle.



Princípio da precaução contra os celulares

Novamente, com relação ao experimento realizado com ratos, esses resultados não permitem conclusões definitivas. Um relatório da Comissão Europeia, publicado em 2009 pelo Comitê Científico de Riscos Emergentes e Recentemente Identificados, indica que não há nenhuma evidência de qualquer impacto das ondas eletromagnéticas sobre a saúde humana, mas recomenda que mais pesquisas sejam realizadas sobre o assunto.

Embora as condições nas quais os telefones celulares são prejudiciais para a saúde pública não estejam claramente estabelecidas, pode-se razoavelmente duvidar de que os úteis aparelhinhos sejam totalmente inocentes.

O que dizer então das cercanias das antenas de retransmissão? E do efeito combinado com as ondas Wi-Fi? O impacto desses parâmetros sobre a saúde ainda é desconhecido.

Mais estudos científicos independentes serão provavelmente necessários para esclarecer todas essas dúvidas. Enquanto isso, cientistas estão defendendo o princípio da precaução:

- evitar o uso excessivo dos telefones celulares, especialmente entre as crianças e os jovens;

- usar fones de ouvido com fio ou dispositivos sem fios;

- não utilizar telefones celulares em veículos em movimento, o que os obriga a operar com potência total para manter a conexão.

Afinal, não é largamente aceito que o uso excessivo de qualquer coisa é prejudicial?




A eletro-hipersensibilidade existe de fato?

Certas pessoas parecem ser mais sensíveis às ondas eletromagnéticas emitidas particularmente pelas antenas de retransmissão de telefonia celular.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluir a hipersensibilidade elétrica na sua lista de patologias, a doença só é reconhecido na Suécia e na Grã-Bretanha.

Sabine Rinckel, uma cidadã da cidade de Estrasburgo, entrou com inúmeras ações judiciais para obter reparação de danos por parte das autoridades francesas. "Eu sofria de enxaquecas e dores nas costas desde que foi instalada uma antena de retransmissão no telhado do meu prédio", conta ela, que tem 40 anos de idade. "Tenho formigamento nos dedos e nas pernas. Sem mencionar esses choques elétricos que machucam meu maxilar. Eu passei por uma cirurgia em 1981, durante a qual parafusos e placas foram inseridos nos ossos do meu rosto".

Os médicos que examinaram Sabine Rinckel foram incapazes de diagnosticar qualquer coisa porque sua patologia não é reconhecido pela profissão.

"Apesar de ter mudado de apartamento, eu continuo sentindo estes sintomas. Eles são tão fortes que eu sou capaz de localizar as antenas de retransmissão sem vê-las", diz a paciente.






quinta-feira, 1 de abril de 2010

Suco de mirtilo melhora memória e aprendizagem em idosos



Suco de mirtilo melhora memória e aprendizagem em idosos

Redação do Diário da Saúde - 25/01/2010
http://www.diariodasaude.com.br/


O grupo que tomou o suco de mirtilo mostrou melhora significativa na aprendizagem e nos testes de memória, relataram os cientistas. [Imagem: Scott Bauer].




Suco para a memória


Cientistas divulgaram as primeiras evidências, colhidas em experimentos feitos em humanos, de que o mirtilo (blueberry) melhora a memória.

O mirtilo é uma das mais ricas fontes de antioxidantes benéficos à saúde e outros compostos chamados fitoquímicos. Outro experimento recentemente comprovou que uma dessas substâncias impede a reprodução do vírus da Hepatite C.



Experimentos em humanos

Robert Krikorian e seus colegas destacam que os estudos anteriores em animais de laboratório já sugeriam que comer as pequenas amoras pode ajudar a melhorar a memória em idosos.

Até agora, porém, poucos trabalhos científicos testaram o efeito da suplementação de mirtilo na memória de pessoas. Os resultados foram publicados na revista Agricultural and Food Chemistry.

Os pesquisadores afirmam que seus experimentos estabelecem uma base abrangente para testes clínicos em humanos para determinar se as blueberries realmente merecem a sua reputação crescente como um potencializador da memória.



Suco de blueberries

No estudo, um grupo de voluntários na casa dos 70 anos de idade, que apresentavam declínio precoce da memória, tomaram entre dois copos e dois copos e meio de suco de mirtilo disponível comercialmente todos os dias, durante dois meses. Um grupo de controle consumiu uma bebida sem suco de mirtilo.

O grupo que tomou o suco de mirtilo mostrou melhora significativa na aprendizagem e nos testes de memória, relataram os cientistas.

"Estes resultados preliminares de melhoria da memória são encorajadores e sugerem que a suplementação consistente com suco de blueberries pode ser um caminho para prevenir ou atenuar a neurodegeneração", dizem eles em seu artigo.

A pesquisa envolveu cientistas da Universidade de Cincinnati e dos departamentos de agricultura dos Estados Unidos e do Canadá.









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Bento XVI e a Pedofilia (Silêncio como recurso de covardia)


Bento 16 e a Pedofilia

Deonísio da Silva - Observatório da Imprensa - 30/03/2010
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/


A revista alemã Der Spiegel pediu nada mais nada menos do que a abdicação do papa Bento 16. Motivo: suposta omissão em escabroso caso de pedofilia. O padre americano Lawrence Murphy admitiu que abusou de cerca de 200 crianças surdas da escola St. John´s para surdos no Wisconsin (norte), nos EUA, entre 1950 e 1974.

Arthur Budzinski, hoje com 62 anos, informou ao arcebispo de Milwaukee, William Cousins, e a outras autoridades sobre os fatos em 1974, mas Cousins respondeu com gritos, o que fez com que saísse "da reunião chorando", contou. O então cardeal de Milwaukee, Rembert Weakland, e outro bispo do Wisconsin escreveram "diretamente ao então cardeal Joseph Raztinger", hoje Bento 16, que não respondeu à carta, informou o New York Times.

O teólogo Hans Küng foi duro nas críticas ao sumo pontífice, como duro sempre soube ser nas réplicas às perseguições sofridas quando a cúria investia contra ele em décadas anteriores. Küng é o Leonardo Boff da Alemanha, o Joseph Comblin da Bélgica, o Ernesto Cardenal da Nicarágua, todos padres que se tornaram alvo das inquisições que na cúria romana eram patrocinadas pelo então cardeal Joseph Ratiznger, nome civil do atual papa, que dali comandava a poderosa Congregação para a Doutrina da Fé.



Verbete "mulher" remetia a prostituta

Quando ainda cardeal, por ser tão cioso das defesas da fé, perseguiu tanto o teólogo Leonardo Boff, que levou o papa João Paulo II a condenar e pressionar o frade franciscano de tal modo que ele não teve outro jeito senão abandonar o sacerdócio e a ordem a que pertencia, mesmo com todo o apoio de dom Paulo Evaristo Arns. E João Paulo II fez mais: repreendeu publicamente Ernesto Cardenal durante a visita que fez à Nicarágua, diante de gigantesca multidão que recebeu e vaiou o papa.

Por que a pedofilia não vinha merecendo os cuidados de Bento 16?

A pedofilia é muito antiga, mas é recente na língua portuguesa. Aparece apenas nos finais do século 19, no Novo Diccionario da Língua Portuguesa, de Cândido de Figueiredo.

Não estranhem o viés deste comentário. Para um homem de Letras, o berço das palavras pode revelar indícios percucientes de problemas que, por sua própria natureza, como é o caso da pedofilia, ensejam uma série de artifícios de ocultamento e de disfarces.

Explico melhor: faz poucos anos que o dicionário Aurélio, um dos mais consultados do Brasil, dava, no verbete "mulher", equivalências de significado que remetiam mais de dez vezes a prostituta. Depois de diversas teses defendidas sobre o assunto (de uma delas fui membro da banca examinadora, na USP), o próprio Aurélio mudou a redação do verbete. Deixei registrada num conto intitulado "Mulheres Abandonadas", no livro Cenas Indecorosas (1976), a minha inconformidade. Em antigas edições do Aurélio, o leitor pode confirmar o que estou afirmando.



Silêncio como recurso de covardia

Por que a pedofilia demorou tanto a entrar para o dicionário? Talvez pela mesma razão invocada pelo autor de nosso primeiro dicionário, o padre Rafael Bluteau, de excluir a palavra "caga-lume" de nossa língua escrita, substituindo-a por "vaga-lume". Houve até um concurso para fabricar palavra substituta. De autoria feminina, ganhou "pirilampo". Mas a dinâmica da língua portuguesa tem suas próprias regras e hoje as três estão nos dicionários, só que pirilampo e caga-lume aplicam-se apenas ao inseto, enquanto vaga-lume designa também o lanterninha dos cinemas. Há como que um trauma cercando a Igreja e as sexualidades, cujo contexto tem como referência solar o celibato imposto a padres e freiras.

Aqueles que em tudo veem conspiração, não têm dúvidas de que há uma campanha da mídia contra a igreja. Outros, que apreciam a Justiça, a conversa clara, o trato justo, a lei igual para todos, veem mais coisas no espantoso rol de denúncias que dão como certa e comprovada a atuação de diversos padres pedófilos, no Brasil e no exterior.

Ao leitor leigo - leitores são leigos, como leigos devem ser os poderes do Estado - está parecendo que Bento 16, ao menos quando cardeal, utilizava os poderes que detinha para punir desafetos, inclusive recorrendo a calúnias, delações, interpretações viciadas de textos etc., mas quando o assunto era pedofilia, sem que ainda se saiba por quê, silenciava.

E o silêncio, que é de prata, em certas situações, é intolerável quando recurso de covardia ou manipulação que vitima inocentes, como foi o caso.



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Cientistas descobrem onde a inteligência mora no cérebro



Cientistas descobrem onde a inteligência mora no cérebro

Redação do Diário da Saúde - 26/02/2010
http://www.diariodasaude.com.br/


Os resultados mostram que, em vez de residir em uma única estrutura, a inteligência geral é determinada por uma rede de regiões ao longo dos dois lados do cérebro.
[Imagem: Glascher et al./Pnas].





O que é inteligência


Um grupo internacional de cientistas acredita ter encontrado o depósito da inteligência geral dentro do cérebro humano.

O estudo, publicado na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences, adiciona novas informações a uma questão altamente controversa: O que é a inteligência e como podemos medi-la?



Mapa da inteligência no cérebro

Os pesquisadores analisaram uma base de dados única e muito valiosa: um conjunto de imagens médicas feitas em 241 pacientes com lesões cerebrais que também haviam passado por testes de QI (Quociente de Inteligência).

A localização de cada uma das lesões foi mapeada dentro dos cérebros dos pacientes e correlacionada com o QI de cada paciente, produzindo um mapa das regiões do cérebro que parecem influenciar mais a inteligência.



Inteligência geral

"A inteligência geral, também chamada de Fator G de Spearman, tem sido um conceito altamente controverso", afirma Ralph Adolphs, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos.

"Mas a ideia básica por trás dele é plenamente aceita: na média, os resultados alcançados por cada pessoa em diversos tipos de testes são correlacionados. Algumas pessoas simplesmente têm resultados melhores, enquanto outros apresentam resultados mais baixos. Assim, a próxima questão que surge óbvia é se essa capacidade geral pode depender de regiões específicas do cérebro", diz Adolphs.



Integração do cérebro

Os resultados mostram que, em vez de residir em uma única estrutura, a inteligência geral é determinada por uma rede de regiões ao longo dos dois lados do cérebro.

"Uma das principais descobertas que realmente nos surpreendeu é que há um sistema distribuído aqui. Várias regiões do cérebro, e as conexões entre elas, são o mais importante para a inteligência geral," explica Jan Gläscher, que coordenou a pesquisa.

Há uma noção de que a inteligência em geral não dependeria de regiões específicas do cérebro, tendo a ver com as funções cerebrais como um todo.

"Mas não foi isto o que nós descobrimos. De fato, as regiões e conexões particulares que nós encontramos estão bem ajustadas a uma teoria sobre a inteligência chamada 'teoria da integração parieto-frontal'. Essa teoria afirma que a inteligência geral depende da capacidade do cérebro para integrar vários tipos diferentes de processamento", diz Adolphs.

Os pesquisadores afirmam que as descobertas estabelecem patamares para a realização de novas pesquisas sobre como o cérebro, a inteligência e o ambiente interagem.











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Pedofilia Clerical - Vaticano arde nas labaredas do inferno


Vaticano arde nas labaredas do inferno
Fátima Oliveira - O Tempo - Vi o mundo - 30/03/2010
http://www.otempo.com.br/
http://www.viomundo.com.br/

O papa está numa encruzilhada e terá que abrir os arquivos.


"Papa convoca bispos da Irlanda para discutir escândalos de pedofilia"; "Papa diz a bispos irlandeses que pedofilia é crime hediondo"; "Vaticano cria 'muro de silêncio' sobre abusos, diz ministra alemã"; "Igreja holandesa anuncia investigação sobre abusos contra menores"; "Arquidiocese nega que papa tenha ajudado padre acusado de pedofilia"; "Vaticano critica 'tentativas agressivas' de envolver papa em escândalo"; "Líder católico da Irlanda pede perdão por proteger padre pedófilo"; "Papa pede desculpas às vítimas de padres irlandeses pedófilos"; "Vaticano ignorou caso de padre que molestou mais de 200?...

Eis uma pequena amostra de manchetes sobre pedofilia clerical de 15/02/2010 a 25/03/2010, data em que outra bradava: "Escândalos podem forçar papa a abrir arquivos secretos, diz vaticanista". É esperar para ver o balancê da nau de São Pedro no mangue em que se encontra a credibilidade moral do Vaticano. Um chamado à responsabilidade não absolverá o papa Bento XVI, que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) - antigo Tribunal do Santo Ofício, ou Inquisição, que zela "pela ortodoxia da Igreja Católica e pelas questões disciplinares" - de 1981 até 2005, quando foi eleito papa.

Conforme o vaticanista Marco Politi, "o monsenhor Charles J. Scicluna, promotor de Justiça da CDF, afirmou que houve 3.000 denúncias de abusos contra menores nos últimos dez anos. O que aconteceu com essas denúncias? Quantas foram julgadas? Quantos religiosos foram considerados culpados e quantos foram punidos? É preciso dar explicações e não admitir mais que os casos sejam ocultados…

O papa está numa encruzilhada e terá que abrir os arquivos secretos da CDF se quiser ser coerente com a transparência que defende… O papa disse que deve haver punição e que as vítimas não foram ouvidas. Deve então ser coerente com essa linha e abrir os arquivos. Tendo feito uma carta tão rigorosa e transparente, ou volta atrás sobre a transparência ou deve ir até o fim… O furacão da pedofilia, depois dos Estados Unidos e da Europa, chegou na Alemanha, pátria do papa, depois na diocese do papa, agora dentro do Vaticano, na Congregação da Doutrina da Fé, onde o cardeal Joseph Ratzinger foi prefeito, apontando para a sua responsabilidade direta".

Há impeachment de papa? Renúncia? Ou só nos resta lavar as mãos, dando uma de Pilatos?

Durante 24 anos, o cardeal silenciou sobre a pedofilia clerical! Agora, que é infalível, não pode ser responsabilizado? É um alento que na declaração, divulgada após o encontro com os bispos irlandeses, conste que, "de sua parte, o santo padre observou que o abuso sexual de crianças e jovens não apenas é um crime hediondo, mas também um pecado grave que ofende a Deus e fere a dignidade da pessoa humana criada à Sua imagem". É um discurso significativo. Mas palavras são palavras. Faltam os gestos para demonstrar ao mundo que rompeu com um dos malditos signos da dupla moral sexual: dar guarida a crimes clericais de natureza sexual. É o mínimo esperado, já que a pedofilia clerical e a omissão do Vaticano diante dela sempre andaram de braços dados.

No prefácio do meu romance "A hora do Angelus" (Mazza Edições, 2005), digo que "é uma história que acontece com mais frequência do que se pensa. Ainda que o roteiro que estrutura a história seja uma imaginação da autora, o relato está entremeado de reflexões pontuais sobre omissões do clero romano diante do assédio e do abuso sexual, assim como da pedofilia - milenarmente praticados por padres".

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terça-feira, 30 de março de 2010

Cientistas explicam relação entre a prece e o perdão



Cientistas explicam relação entre a prece e o perdão

Redação do Diário da Saúde - 26/03/2010
http://www.diariodasaude.com.br/



Errar e rezar

Todas as pessoas, uma vez ou outra, sentem culpa por alguma transgressão. Isso acontece porque nós não somos perfeitos e todos acabam quebrando a confiança de alguém ou mesmo cometendo atos danosos aos outros.

E, assim como erram, todos têm a esperança de obter o perdão por essas transgressões.

Juntamente com este fato, o psicólogo Nathaniel Lambert e seus colegas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, constataram um outro, igualmente verificável: 9 de cada 10 norte-americanos relataram em uma pesquisa que rezam, seja rotineiramente, seja de vez em quando.



Interesse científico na oração e no perdão

Os pesquisadores decidiram então estudar as duas coisas em conjunto, propondo questões que parecem estar mais afetas a pregadores religiosos do que a cientistas:

1 - É possível que a oração dirigida a alguém possa acender o perdão naqueles que estão fazendo a oração, ajudando no processo de preservar relacionamentos?

2 - Se sim, por que não aproveitar toda estas orações que já são feitas rotineiramente e dirigi-las às pessoas que nos ofenderam?

Embora pareçam ter cunho religioso, estas preocupações têm tudo a ver com a psicologia científica: os erros que todos os seres humanos cometem estragam relacionamentos e geram emoções negativas difíceis de curar.

Se as preces de fato ajudam a perdoar - restaurando relacionamentos e aliviando emoções negativas - então por que não utilizá-las como mais um recurso terapêutico?



Teste científico da prece

Para testar cientificamente as duas questões, Lambert e seus colegas bolaram dois experimentos, que estão relatados em um artigo que acaba de ser publicado na revista Psychological Science.

No primeiro experimento, eles colocaram um grupo de homens e mulheres rezando uma única prece para o bem-estar do seu parceiro romântico com que tiveram desavenças sérias recentes.

Enquanto isso, um outro grupo - o chamado grupo de controle experimental - simplesmente descrevia o seu parceiro, registrando sua declaração em um gravador.

Em seguida, ele partiram para medir o perdão. Os cientistas definiram o perdão como a diminuição dos sentimentos negativos que surgem em relação a alguém quando você se sente injustiçado por esse alguém - neste caso, os parceiros da relação amorosa.



Efeitos da prece

Os resultados mostraram que aqueles que oraram por seu parceiro abrigavam menos emoções e pensamentos de vingança: eles estavam mais dispostos a perdoar e a deixar sua vida seguir em frente.

Se uma única prece pode causar uma diferença tão marcante nos sentimentos, o que então seria capaz de fazer por um relacionamento uma prece que fosse rezada durante um tempo maior?

Para verificar isto, os pesquisadores fizeram um segundo experimento, no qual um grupo de homens e de mulheres rezaram por um amigo próximo todos os dias durante quatro semanas. O grupo de controle simplesmente refletia sobre o relacionamento, com pensamentos positivos, mas sem rezar para o bem-estar do amigo.



Compaixão

Os cientistas também acrescentaram uma outra dimensão. Eles utilizaram uma escala para medir a preocupação altruísta pelos outros - não para qualquer pessoa em particular, mas para todas as outras pessoas em geral.

Eles levantaram a hipótese de que o fato de estarem orando por alguém poderia aumentar o que eles chamam de "preocupação abnegada" - um conceito próximo ao de compaixão - que por sua vez aumentaria a capacidade de perdoar diretamente alguém

E foi justamente isto o que eles encontraram.



Por que a prece funciona

Mas por quê? Como é que esta prática espiritual tão comum - rezar por alguém - exerce seus efeitos de cura emocional?

Os cientistas acreditam poder responder: Na maioria das vezes, os casais professam e acreditam em objetivos comuns, mas quando encaram uma desavença frequentemente passam a se ver como adversários, como emoções como o desejo de retribuir na mesma moeda e o ressentimento.

Essa visão do outro como um adversário muda o foco cognitivo para o self, e pode ser difícil retirar esse foco em si mesmo para amenizar as emoções negativas e restabelecer o relacionamento.

A oração parece desviar a atenção do self, levando-a de volta para o outro, o que permite que os ressentimentos aos poucos arrefeçam, até desaparecer.



Ciência e espiritualidade

Os cientistas têm cada vez mais abordado o papel da espiritualidade no cuidado das pessoas e na melhoria da sua saúde.

Uma pesquisa recente, por exemplo, demonstrou que união da religião com a medicina é uma receita com alto poder curativo.

Um outro estudo de longo prazo mostrou resultados intrigantes sobre o verdadeiro poder da prece.

Veja outras pesquisas a respeito na seção de Espiritualidade.





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