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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Faltou um divã para FHC? Deve ter sido muito doloroso para o "príncipe uspiano" descobrir que...





Deve ter sido muito doloroso para o "príncipe uspiano" descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país.

Gilson Caroni Filho


No dia em que saem mais duas pesquisas dando conta da aprovação recorde do governo e do aumento da popularidade do presidente, o que deve calar mais fundo na oposição é a lembrança do passado recente. E o quanto os seis anos de governo petista representaram de ruptura com ele. Das prioridades internas, com ênfase no mercado interno e nas políticas redestributivas, à inserção externa soberana e bem orientada, as mudanças foram por demais substantivas para serem ignoradas. Assim, é hora de, no final de 2008, relembrarmos o ocaso de um governo que levou o país à bancarrota.

Vivíamos o ano de 1999. Num quadro de crise de ideologias, de fim de utopias, de aumento de desemprego, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deitava falação sobre as mudanças ocorridas no Brasil. Detectava o surgimento de uma nova sociedade e acreditava que a parte moderna dela iria aderir ao projeto neoliberal. Aquele em que a arquitetura política era vista como defeituosa e as virtudes deveriam ser creditadas aos agentes do mercado, os empreendedores, "heróis" do capitalismo de massa, que deixariam perplexos tanto a esquerda quanto a direita conservadora. Seriam eles "os heróis de nossa gente", filhos do "silêncio" e do "medo da noite".

Correto ao diagnosticar as transformações em curso no país, FHC se equivocava em acreditar que os novos e emergentes setores da sociedade, quando se organizassem efetivamente, apoiariam seu projeto de reformas. Como bem destacou, na época, a cientista política Maria Vitória Benevides, as afirmações de que a crise de representação era algo novo no país e a de que os movimentos sociais, em especial o MST, estavam enfraquecidos eram falácias tão gritantes que deixavam no ar uma impressão de bonapartismo sugerido. O que o ex-presidente insinuava era que o velho não estava com ele, mas o novo só não o apoiava por falta de organicidade. A incapacidade de pensar o país foi a marca do governo tucano.

O cenário era desolador. O ambiente pós-desvalorização ficou confuso. Sem crescimento, não se recuperava o nível de emprego. O desemprego que explodiu em janeiro de 1998 por causa da crise asiática, não dava sinais de reversão. A combinação de queda na renda e desemprego atingia o setor produtivo. O comércio registrava perdas expressivas durante 18 meses. Com vendas fracas, indústria e comércio tendiam a segurar os preços, deixando claro que só com ambiente recessivo o governo tucano conseguia reduzir a taxa de inflação. Diante disso, é possível falar em continuidade de modelo?

Nesse quadro, os partidos de apoio ao Governo-PSDB, PFL (DEM) e parte expressiva do PMDB - atribuíam à falta de comando do então presidente as disputas e brigas na base aliada. O distanciamento de Fernando Henrique do dia-a-dia da política e a crise econômica minaram sua autoridade, e resultado foi um verdadeiro tiroteio entre os principais políticos desses partidos. Aécio Neves, lembram disso?, se dizia inconformado com o processo de privatização de Furnas. No PFL, a comoção se dava por conta da não nomeação do ex-ministro Luiz Carlos Santos para nenhum cargo, depois de lhe terem prometido a presidência da BR Distribuidora. No PMDB, o desconforto foi causado por uma promessa não cumprida de FHC a Michel Temer de nomear um amigo do ex-presidente da Câmara para a direção da Petrobrás. O acúmulo de ressentimentos sinalizava para uma conclusão melancólica de governo.

As digressões de Fernando Henrique soavam a alheamento da realidade. Pior, uma fuga dela pelo discurso diletante. A situação se apresentava como nunca antes navegada: a impopularidade do presidente era maior que a do seu Governo, o real se contaminava com tudo isso e a bloco de poder contemplava a rota de afastamento. E nenhum jornal pensou em chamar um psicanalista para analisar um presidente em seu ocaso. Ou ouvir a população que, ao reprová-lo, mostrava não fugir da realidade. Um Jacob Pinheiro Goldberg para falar em "mecanismos de negação freqüente quando se enfrenta uma situação de impotência".

Afinal, deve ter sido muito doloroso para o "príncipe uspiano" descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país.

Aos leitores de Carta Maior, um Feliz Natal e um próspero 2009.



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Lula



Fernando Henrique Cardoso (FHC)




quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Veja, demos e o impeachment de Lula


Veja, demos e o impeachment de Lula
Altamiro Borges - O Vermelho - 03/09/2008
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=42843

Como ocorre em todo o período pré-eleitoral, a oposição golpista se assanha para evitar desastres nas urnas - ainda mais porque a popularidade do presidente Lula bate recorde, inclusive na antes inexpugnável São Paulo. A marola desta vez se dá em torno das denúncias, não comprovadas, do grampo da Agência Brasileira de Informações (Abin) nos telefonemas do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes. Para conter a sangria, o governo novamente recua e afasta, "temporariamente", o comando da agência. A atitude, porém, não deve intimidar a sanha golpista da direita. O seu alvo não é a direção da Abin, mas sim o próprio presidente Lula.

Altamiro Borges

A conspiração envolve figurinhas sinistras e carimbadas. A revista Veja, hoje o mais ativo antro da direita golpista, foi a primeira a "denunciar" a existência de um "estado policial" no governo Lula - logo ela que apoiou os generais "linha-dura" da ditadura. Numa reportagem apocalíptica, ela transcreve um anódino diálogo entre Gilmar Mendes e o senador-demo Demóstenes Torres e insinua que a escuta ilegal foi obra do governo. Não apresenta qualquer prova concreta, mas nem é preciso - foi assim na denúncia dos "dólares de Cuba" para o candidato Lula, das suas ligações com os "terroristas" das Farc, da remessa de dinheiro do filho do presidente para paraísos fiscais.



"Degradação institucional" de MendesCom base no escarcéu do panfleto da famíglia Civita, outra figura curiosa atraiu os holofotes. O ministro Gilmar Mendes atirou para matar no governo Lula. "Não há mais como descer na escala da degradação institucional. Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do STF é coisa de regime totalitário. É deplorável, ofensivo, indigno", sentenciou. Seu destempero verbal confirma as sábias palavras do jurista Dalmo Dallari, pouco antes da indicação de Mendes para o STF. "Se for aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional".

Em curto espaço de tempo, o advogado-geral da União no triste reinado de FHC e indicado por este para o TST já deu mostras das suas "afinidades". Na sua posse, repleta de tucanos e demos, fez questão de atacar, gratuitamente, os movimentos sociais, em especial o MST. Ele também gosta de se meter na política, extrapolando suas funções de representante-mor do Judiciário. Mas seu gesto mais bombástico, que corrobora as palavras de Dallari, foi conceder dois habeas corpus ao mafioso Daniel Dantas. "Suprimir duas instâncias do Judiciário para soltar um banqueiro, dando-lhe foro privilegiado, não é degradação institucional?", indaga o jornalista Gilson Caroni.



A digital do mafioso Daniel DantasAqui entra em cena a terceira figura sinistra desta conspiração, o banqueiro Daniel Dantas. Alvo de investigações da Polícia Federal, ele nunca engoliu o então dirigente do órgão, Paulo Lacerda, agora rifado da Abin. O "garoto de ACM" e assessor do ex-PFL, que fez fortuna com a privataria de FHC, é famoso por contratar espiões para bisbilhotar políticos e por sua influência no poder e na mídia. A PF garante que ele controla uma bancada de 18 senadores e 70 deputados. O suposto grampo da Abin serve para tirá-lo do foco dos escândalos, para aliviar a barra de Gilmar Mendes e para salvar os seus lobistas no Senado, os demos Demóstenes Torres e Heráclito Fortes. "Pelo menos, sou da bancada de um bandido que produz e gera emprego", confessa Heráclito Fortes.

De quebra, a complô Veja-Mendes-Dantas ajuda a elite burguesa corrupta e sonegadora, que não tolera algemas e investigações da Polícia Federal. O jornalista Paulo Henrique Amorim, o carma do mafioso, não vacila em afirmar que a espalhafatosa capa da Veja sobre o grampo ilegal serve a seus intentos. "Dantas destituiu o ínclito delegado Protógenes Queiroz, com a desculpa de que cometeu 'excessos'. Dantas demite agora o Dr. Paulo Lacerda da Abin, numa patranha montada com a Veja e Gilmar Mendes". O general Jorge Félix, que teve negado o seu pedido de demissão da chefia do Gabinete de Segurança Institucional, também não descarta esta hipótese sinistra.



Uma nova ofensiva golpistaMas o maior desejo da direita golpista com toda esta história podre é desgastar o governo Lula e, se possível, criar uma nova onda pelo seu impeachment. Esta ofensiva viria a calhar num ano de eleições municipais, em que o bloco liberal-conservador está fragilizado e dividido e teme perder espaços para a sucessão presidencial de 2010. Os demos, mais raivosos, não escondem o intento. "Ou o presidente Lula toma uma atitude rápida e aponta os responsáveis pelo grampo, ou ficará como o responsável perante a sociedade e terá de responder com base na lei do impeachment", explicitou o presidente nacional do DEM, o yuppie Rodrigo Maia, filhinho do prefeito carioca.

Já os tucanos, temendo um novo efeito bumerangue, marcaram reunião da executiva nacional do partido para "discutir o momento político e a crise entre os poderes". Mas o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, já indicou o tom desta conversa. "Este tipo de atentado, além de ilegal, é uma grave ameaça contra os valores democráticos". Um tucano notório, amigo do peito de FHC e serviçal da Veja, o jornalista Reinaldo Azevedo, também já voltou a soltar suas notinhas sobre "o impeachment de Lula". Ou seja, as peças do quebra cabeça desta nova conspiração golpista vão se encaixando. Só a mídia venal, parte dela bancada por Daniel Dantas, finge não enxergar.

sábado, 6 de setembro de 2008

Jobim Mentiu



Jobim Mentiu
Luis Nassif On-line - 04/09/2008
http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8799


Luis Nassif


O Globo

Exército nega que equipamento de varredura da Abin faça grampo.

Comandante da Força contesta informação passada por Jobim a Lula.

Jailton de Carvalho, Cristiane Jungblut e Chico de Gois (clique aqui
)

Brasília - O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, confirmou ontem que o Exército comprou, a pedido do Gabinete de Segurança Institucional, um equipamento de varredura de grampos telefônicos usado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Seria o equipamento mencionado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em reunião segunda-feira com o presidente Lula, para defender a demissão da direção da Abin, sob a alegação de que a agência faz escutas. O general, que é subordinado a Jobim, garantiu, no entanto, que o equipamento só detecta grampos e não pode fazer escutas telefônicas. Ontem, Jobim não quis falar sobre o assunto.

O Oscor 5000, importado dos EUA, é composto por um computador portátil do tamanho de uma maleta 007.
O equipamento foi comprado pelo Exército para o GSI . É para varredura - disse o comandante do Exército, depois da posse no STJ.

Dois representantes da empresa americana Research Eletronic International (REI), a fabricante do Oscor, também afirmaram que o aparelho não faz escutas telefônicas. A intervenção de Jobim na reunião com Lula foi decisiva para o afastamento do delegado Paulo Lacerda do comando da Abin. Jobim mencionou a existência de uma maleta e citou os nomes de dois assessores de Lacerda, um deles o delegado Renato da Porciúncula, ex-diretor de Inteligência da PF.

A partir daí, Lula teria concordado com o afastamento temporário de Lacerda.

Anteontem, quando soube que Jobim falou da maleta para pôr a Abin como suspeita do suposto grampo no gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, Lacerda reagiu: O Jobim deu um tiro no pé. O Exército tem este equipamento.

A Procuradoria Geral da República tem dois Oscors. O STF, o Superior Tribunal de Justiça e o Senado, entre outros órgãos, também têm o equipamento.

Dirigentes de duas grandes empresas de equipamentos de espionagem confirmaram as explicações da Abin sobre o Oscor. O equipamento capta transmissões de rádio e TV, mas não decodifica conversas em telefones fixos ou celulares. Os especialistas informaram, no entanto, que existe outro equipamento, conhecido como maleta do grampo, que pode fazer escutas de celular de cem metros a um quilômetro de distância do aparelho.

O equipamento custa entre R$ 500 mil e R$ 1,5 milhão e só pode ser vendido para instituições policiais. Para fazer a escuta, basta saber o número e a localização aproximada do celular. O sistema indica na tela todos os celulares em uso em determinada área.



Nelson Jobim



Por Luciano Prado



Ministro da Defesa reafirma que Abin tem aparelho de escuta telefônica (clique aqui
).



Isabel Braga - O Globo


Parece que o Ministro está se enrolando ainda mais.



Apresentou ao presidente Lula - quando da reunião que decidiu pelo afastamento temporário de Lacerda - relação de material adquirido pela Comissão de Compra do Exército Brasileiro em Washington.



Mas não deixa claro quais desses equipamentos (dentre os relacionados) foram efetivamente destinados à Abin. Não quis responder se o exército também tem equipamento de escutas.


Ou seja, Jobim veio mesmo pra complicar.







Da Folha Online



Jobim diz que não tem nada a dizer sobre grampos e levará à CPI lista de aparelhos da Abin (clique aqui
).



Lísia Gusmão
Colaboração para a Folha Online, em Brasília



O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje que vai apresentar à CPI das Escutas Clandestinas a lista de equipamentos adquiridos pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional) para uso da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A CPI aprovou ontem a convocação de Jobim para esclarecer a denúncia de que a Abin teria adquirido ilegalmente maletas de interceptação telefônica. A informação teria sido revelada por Jobim durante reunião de coordenação política do governo no Palácio do Planalto, na última segunda-feira.



Jobim disse que sua única participação no episódio foi informar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a lista de equipamentos comprados pela agência.



"Não tenho nada a dizer sobre grampos. A minha única participação nesse episódio foi entregar ao presidente da República a relação dos aparelhos que foram adquiridos pela Abin", disse Jobim.



Segundo o ministro, há equipamentos que incluem varredura e outros capazes de fazer escuta ambiental. A Abin por lei, é proibida de fazer interceptações telefônicas. "O que vou dizer a CPI, é o que foi adquirido para servir à Abin", disse Jobim



Ele acrescentou que são "hipóteses" e "suspeições" as informações sobre quem teve o telefone grampeado e quem coordenou a interceptação da conversa telefônica entre o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).










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Ouro, Prata e Lata


Ouro, Prata e Lata

Nirlando Beirão - Revista Carta Capital nº 511 de 03/09/2008
http://www.cartacapital.com.br/


Magistrados e políticos, numa acrobática competição de lutas e saltos ornamentais.


Sem que a gente se apercebesse, realizou-se em Brasília, simultânea à de Pequim, uma Olimpíada que mediu recordes do atletismo político nacional. Como manda a tradição, há disputas coletivas e competições individuais. Aqui estão os resultados mais importantes:

Arremesso de calúnia
é disputado por equipe e ganhou, com quilômetros de folga, a bancada daquele PFL que, agora DEM, tem vergonha do seu passado. Abiscoitou o troféu Carlos Lacerda de peroba.

Já a modalidade cuspe de veneno a distância é pessoal e intransferível. Apesar do favoritismo disparado do senador Arthur Virgílio, com as cores azul e amarela do PSDB, ele se mostrou meio fora de forma e acabou atropelado por outro senador, José Agripino Maia, do time do DEM. Agripino mereceu a medalha Cascavel de gesso.

A esperada exibição de saltos ornamentais, a ser disputada in memoriam do ex-senador ACM, teria a participação do neto dele, o ACMinho, do deputado Fernando Gabeira e ex-deputado Roberto Freire e do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo. Mas à última hora foi suspensa. Decidiu-se atribuir o prêmio, hors-concours, ao ex-presidente FHC, invencível na arte dos contorsionismos, prestidigitações e pirotecnias.

A maratona com obstáculos, que termina no Palácio do Planalto, teve na largada José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes, Aécio Neves, Nelson Jobim e, para variar, os insistentes Paulo Maluf e Geraldo Alckmin. Estes dois ficaram pelo caminho, mas, para os demais, a prova só termina em 2010. Serra também disputou capoeira, na categoria rasteira sorrateira. Venceu fácil, fácil.

Brasília inovou, em seus Jogos, com a prova de marcha de costas. Você sabe: aquela esquisita corridinha na qual você não pode tirar um dos pés do chão. Em Brasília, a coreografia consistiu em andar para a frente, mas olhando para trás. Aí, não teve para ninguém: Lula nadou de braçada.

Inconformada de apenas assistir a tanta manifestação de exibicionismo alheio, o time da imprensa que cobria os Jogos - mesmo com o chorado desfalque de Pedro Bial, que estava em Pequim - improvisou a sua versão de trampolim fixo. Não houve vencedores. O trampolim rachou e a imprensa culpou o PT.

A bem da tranqüilidade dos atletas, a corrida ao cofre foi realizada sem platéia.




sábado, 2 de agosto de 2008

Por Dentro do Universo de Daniel Dantas


Por Dentro do Universo de Daniel Dantas
Mariana Sanches e Ricardo Mendonça - Revista Época nº 530 de 14/07/2008
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI7878-15223,00-POR+DENTRO+DO+UNIVERSO+DE+DANTAS.html


A vida do aluno brilhante, que virou mito no mercado financeiro,
montou o próprio banco e conquistou uma legião de inimigos.


Insígnia - Polícia Federal



"O Daniel Dantas não senta numa mesa para conversar. Levanta, é agoniado. Tenho impressão de que não se diverte, não pensa em nada, só trabalho. Fica calado o tempo todo. De repente, vem com uma solução genial. E isso serve para qualquer assunto. Se você tem um problema para amarrar um boi, ele ouve, ouve e vem com uma solução de dar um nó ao contrário, uma coisa que ninguém pensou antes, mas que dá certo. É um Professor Pardal. Nunca ouvi ele falar de música, de namorada. Só come folha e só toma vinho ruim. A única vez que fui à casa dele, tive uma decepção. Não tem nenhum quadro que preste. Ele é uma figura toda esquisita".

A descrição acima foi feita pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Embora afirme não ser tão próximo de Dantas, Fortes ganhou fama como principal defensor do banqueiro no Congresso. Fortes é hoje um dos poucos homens da República que tiveram relações próximas com Dantas e admitem falar abertamente sobre ele. A prisão parece ter afugentado os já escassos amigos. Dono de um estilo agressivo, Dantas brigou com praticamente todas as pessoas com quem fez negócios. "Atualmente, não saberia citar mais que três amigos de Daniel Dantas", afirma um político baiano.



Obsessivo. Daniel Dantas, dono do Opportunity.
Pouca fala e hábitos estranhos: ele almoça a mesma comida todos os dias, até enjoar.



O foco da vida de Dantas sempre foram os estudos e os negócios. Sua rotina de trabalho começa antes das 7 horas e termina quase sempre depois das 22 horas, mesmo nos fins de semana. Dantas criou hábitos típicos dos gênios obsessivos dos filmes. Para evitar perder tempo com cardápios, almoça sempre a mesma coisa: legumes cozidos, peixe grelhado, frutas. Praticamente não varia o traje: o terno é sempre preto ou azul-marinho, a camisa é sempre azul-clara, a gravata é sempre azul-escura. O carro só é trocado quando há problema mecânico. Palavras, somente as estritamente necessárias. Por isso, seu vocabulário não costuma incluir "bom dia" ou "por favor". No escritório, desenvolveu o hábito de trabalhar a maior parte do tempo em pé, porque acha que assim consegue pensar com mais eficiência.

Filho de família tradicional na Bahia, Dantas começou a trabalhar cedo. Ajudava o pai, Raimundo, a tocar uma indústria têxtil. Raimundo era reconhecido como um homem sociável e de muitos amigos, entre eles o senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007. Dantas abriu seu primeiro negócio aos 17 anos, quando criou com dois amigos uma fábrica de sacolas de papel. Um deles era Carlos Rodenburg, que mais tarde acabou casando com sua irmã, Verônica. A empresa foi vendida. Rodenburg e Verônica se separaram anos depois, mas acompanham Dantas nos negócios até hoje. Ainda na Bahia, Dantas cursou Engenharia Civil na Universidade Federal. Trabalhou como engenheiro na empreiteira Norberto Odebrecht até mudar-se para o Rio de Janeiro, onde fez mestrado e doutorado na Fundação Getúlio Vargas.

A trajetória acadêmica de Dantas foi meteórica. Em dois anos, havia concluído os dois cursos e se tornado pupilo do consagrado economista e ex-ministro Mário Henrique Simonsen. A dedicação de Dantas à vida acadêmica era tamanha que, em 1980, ele adiou o próprio casamento para participar de um congresso. Nesse evento, conheceu o economista italiano Franco Modigliani, um dos quatro vencedores do Prêmio Nobel de Economia que viriam a ser seus professores. Os outros foram os americanos Paul Samuelson, Robert Merton e Robert Solow. Modigliani indicou Dantas para um pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Boston.

Durante o curso em Boston, Dantas costumava voltar ao Brasil nos fins de semana para trabalhar na corretora Triplic, onde já tinha uma participação societária. Para cumprir a jornada, dormia às noites de sexta-feira e domingo em aviões. Quando acabou o pós-doutorado, voltou de forma definitiva, interrompeu as atividades acadêmicas e passou a se dedicar exclusivamente aos negócios. Sua fortuna é estimada em US$ 1 bilhão, dos quais não se tem notícia de um centavo gasto em casas de campo, coleções de arte, iates e afins.

De volta ao Brasil, Dantas logo chegou à vice-presidência de investimentos do Bradesco. Em 1986, o Bradesco ainda mantinha uma sociedade com o empresário português Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, dono da seguradora Atlântica Boavista. Quando a sociedade foi rompida, Braguinha saiu com US$ 72 milhões no bolso. Separou US$ 22 milhões para curtir o ócio e fundou o banco Icatu com os US$ 50 milhões restantes. Para administrá-lo, convidou Dantas, por sugestão de Simonsen.

No Icatu, Dantas virou mito. Nos oito anos em que dirigiu a instituição, o patrimônio do banco passou de US$ 50 milhões para US$ 180 milhões. O lucro anual ultrapassou os US$ 50 milhões. Três jogadas suas ganharam fama. A primeira foi comprar ações de estatais de energia e telefonia quando elas valiam muito pouco. Dantas calculou que logo o governo seria obrigado a reajustar tarifas para financiar o déficit público. Quando as taxas começaram a subir, as ações dispararam. Outra jogada certeira foi apostar nos desidratados papéis da Petrobrás quando ficou sabendo de uma apresentação de burocratas argentinos em Nova York sobre a privatização da petrolífera YPF. Dantas concluiu que o interesse dos americanos pelos latinos aumentaria, valorizando assim as ações da Petrobrás. Acertou novamente. A terceira foi na véspera da eleição de 1989, vencida por Fernando Collor. Ao olhar para o que estava ocorrendo no exterior, concluiu que haveria algum tipo de confisco. Investiu em soja e café e conseguiu atravessar o período ruim exportando, livre do confisco.



Quando os sócios começaram a entender e a questionar os
contratos, nasceu a maior disputa societária da história do Brasil.



Ao longo de sua carreira, Dantas teve pelo menos três oportunidades de ir para o governo. Escapou de todas. Primeiro, foi convidado por ACM para dirigir o Banco Estadual da Bahia. Depois, foi chamado para ocupar a diretoria de Dívida Pública do Banco Central. E em 1990, depois de participar da elaboração do Plano Collor, foi cogitado como possível ministro.

Seu momento mais glorioso talvez tenha sido em 1993, quando já negociava sua saída do Icatu e montava o Opportunity. O fundo Equity, administrado por ele, terminou aquele ano como o mais rentável do mundo, com valorização de 156% sobre o dólar. Na mesma lista, o celebrado Quantum Emerging, sob os cuidados do famoso investidor húngaro George Soros, ficou em quarto, com 92% de retorno. Com o crescimento do Icatu, a remuneração excessiva de Dantas começou a incomodar os filhos de Braguinha. Foi quando fizeram o acordo de separação. Com o bolso recheado, Dantas montou o Opportunity em 1994. Hoje, esse banco gerencia algo entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em recursos de terceiros.

No início dos anos 90, Dantas tinha convicção de que as privatizações seriam o maior negócio do Brasil naquela década. Mas não tinha capital para disputá-las sozinho. É aí que começa a operação mais ambiciosa de sua carreira. Em torno do Opportunity, ele passou a montar consórcios para disputar o controle das empresas de telefonia. Seu grande trunfo foi ter firmado um acordo em 1997 com o Citibank para criar o CVC Opportunity, fundo com enorme potencial financeiro bancado por investidores americanos. O Citi deu carta branca para Dantas gerir esse fundo. Na telefonia móvel, Dantas juntou em torno de si a canadense TIW e um consórcio de seis fundos de pensão liderados pela Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. Com eles, arrematou a Telemig Celular e a Amazônia Celular, peças menores no xadrez da telefonia.

Na telefonia fixa, onde a disputa era maior, Dantas atraiu a Previ e a Telecom Italia. Sua intenção era comprar a Tele Norte-Leste (atual Oi), empresa que atendia todos os Estados do Sudeste, com exceção de São Paulo, o Nordeste e parte da Região Norte. Para surpresa do mercado, ocorreram dois movimentos inesperados na privatização. O primeiro foi a compra da Telesp pela Telefónica da Espanha, grupo que declarava interesse apenas na Tele Centro-Sul (atual Brasil Telecom). O segundo foi o surgimento de uma proposta do grupo de Dantas pela Tele Centro-Sul. Sem a Telefónica na parada, o Opportunity e sua turma venceram essa disputa. A vitória desclassificou o grupo de Dantas para o terceiro leilão, da Tele Norte-Leste. Essa última empresa acabou ficando com o grupo liderado pelos empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade.

A origem da maioria dos proverbiais litígios de Dantas está na complicada formação desses consórcios. Os acordos costurados antes do leilão resultaram em estruturas societárias complexas, formadas por um conjunto de holding e sub-holdings em diversos estágios de controle que, ao final, davam poderes de gestão apenas ao próprio Dantas. Chama a atenção a forma como ele, a partir de uma instituição pequena e com menos dinheiro que os demais sócios, conseguiu montar uma composição tão favorável a si mesmo. Alguns dizem que ele teria se aproveitado da boa-fé e da desatenção dos executivos.

Logo após a privatização, os sócios de Dantas começaram a reler, entender e questionar os contratos. Foi assim que Dantas virou o pivô daquilo que o ex-ministro Luiz Gushiken classificou certa vez como "a maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro". Os primeiros a reclamar foram os canadenses, da TIW, que haviam investido US$ 350 milhões na Telemig e na Amazônia Celular. Eles alegaram ter sido ludibriados na montagem da sociedade. Abriram processos no Brasil e no exterior e, no final, acabaram desistindo e vendendo tudo para o próprio Opportunity por US$ 70 milhões. Depois foi a vez dos fundos de pensão, liderados pela Previ. Em 1999, a Previ trocou de diretoria. Os novos diretores auditaram os contratos feitos com o Opportunity e despejaram um amontoado de processos contra o Opportunity na Justiça.

Em seguida, veio a disputa com a Telecom Italia. Interessados em operar telefonia celular, os italianos queriam antecipar as metas de investimento na Brasil Telecom, condição necessária para que recebessem autorização do governo. Na gestão da empresa, Dantas atrasava os investimentos necessários. Os italianos interpretaram isso como uma forma de obrigá-los a vender sua participação ao Opportunity e foram para a briga. No meio dessa guerra, a Telecom Italia teria enviado à Polícia Federal um CD com a lista de empresários e membros do governo que teriam sido perseguidos e grampeados pela empresa de espionagem Kroll, a mando de Dantas. Um dos espionados era Gushiken, tido como aliado da Previ e inimigo de Dantas no governo. Com base nessa denúncia, a PF deflagrou, em 2004, a Operação Chacal, que recolheu na sede do Opportunity, no apartamento de Dantas e na sede da Kroll vários documentos e um disco rígido com informações sobre os clientes do banco. Nessa ocasião, Dantas saiu do Brasil para não ser preso.

Um dos métodos de atuação de Dantas foi buscar a proximidade com o poder. Na época das privatizações, o Opportunity contratou o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida e a ex-diretora do BNDES Elena Landau. No governo Lula, Dantas negociou uma parceria com a Gamecorp, empresa de Fábio Luiz, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quando estavam próximos de fechar negócio, Lula foi alertado e abortou a operação. A Gamecorp virou então sócia da Telemar. Por meio de suas empresas, Dantas também contratou serviços advocatícios de Roberto Teixeira, compadre de Lula, de Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ligado ao ex-ministro José Dirceu, e de Roberto Mangabeira Unger, hoje ministro.

Um personagem particular atravessou todo esse período em feroz litígio particular com Dantas: Luís Roberto Demarco. Economista, ele virou sócio do Opportunity em 1997 e se desentendeu com Dantas em 1999, após o fracasso dos investimentos do banco no Esporte Clube Bahia. O desentendimento maior ocorreu quando Demarco resolveu sair e pediu indenização de 3,5% de participação no fundo CVC Opportunity, sediado nas Ilhas Cayman. Dantas nunca concordou. Em 2006, o Conselho Privado da Rainha, na corte de Londres (que trata de assuntos de além-mar), deu ganho de causa definitivo a Demarco. A briga expôs uma irregularidade do fundo: brasileiros haviam colocado dinheiro no fundo, o que era vedado. Isso levou Dantas a responder a processo na Comissão de Valores Mobiliários.



Daniel Dantas (foto de Celso Júnior).



Em 2005, Dantas recebeu a maior pancada societária de sua trajetória. Depois de oito anos de apoio, o Citibank, seu último aliado na disputa pelo controle das empresas, decidiu abandoná-lo. Em março daquele ano, o banco americano anunciou a destituição de Dantas da administração do CVC Opportunity. Com as denúncias de envolvimento de Dantas no caso Kroll e o possível indiciamento do banqueiro, o Citi temia complicações jurídicas nos EUA. Dessa separação, surgiu um processo contra Dantas que corre em segredo de Justiça em Nova York. O Citi pede US$ 300 milhões sob acusação de fraude, violação de contrato, conduta ilícita e falsas afirmações.

Outro episódio na história de Dantas foi sua participação na CPI dos Correios, em 2005, acusado de ser financiador do esquema do mensalão. Dar dinheiro a parlamentares ligados ao governo era, de acordo com as investigações, mais uma maneira de se aproximar do poder e facilitar seus negócios. Em seu depoimento, Dantas negou ter financiado o mensalão, mas disse que certa vez foi procurado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que lhe pediu para pagar uma dívida de US$ 50 milhões do partido. O processo contra Dantas foi enviado à Justiça Federal em São Paulo.

Havia fortes indícios para acreditar que o inferno de Daniel Dantas acabaria com a venda da Brasil Telecom para a Oi (ex-Telemar). Esse contrato já está assinado, mas aguarda aval da Agência Nacional de Telecomunicações. Seria a oportunidade de Dantas sair do setor em acordo com seus ex-sócios, vincular sua saída à anulação dos processos e, a partir daí, limpar sua imagem no mercado para tocar o banco e seus novos negócios, como a pecuária no Pará. Faltou combinar com a Polícia Federal.




A Constelação de Daniel Dantas.

Personagens e companhias que se envolveram em desavenças com o banqueiro do Opportunity.



Luiz Roberto Demarco - Ex-sócio de Dantas no Opportunity Fund, venceu em 2006 a ação que movia contra o ex-patrão para receber parte nos lucros do fundo.


Luiz Gushiken - Ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, ligado à Previ, era considerado o maior inimigo de Dantas no Executivo. Seus e-mails teriam sido espionados a mando de Dantas.



Sérgio Rosa - O fundo de pensão do Banco do Brasil foi parceiro de Dantas na compra da Brasil Telecom.
Em 1999, passou a brigar com o banqueiro porque se dizia excluído da administração do negócio por cláusulas contratuais leoninas.


Telecom Itália - Também fazia parte do consórcio que arrematou a Brasil Telecom.
Em 2000, acusou Dantas de atrapalhar suas metas de investimento na empresa para forçá-la a vender barato sua parte da Brasil Telecom.


Citibank - Em 1997, escolheu o Opportunity para gerir seus fundos de investimento no Brasil.
Foi o maior aliado do banqueiro por quase todo o período. Em 2005, rompeu com o Opportunity e processou Dantas em Nova York.













 


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Manobra Anunciada (Heráclito Fortes / Daniel Dantas / Gilmar Mendes)


Manobra Anunciada
Redação CartaCapital - 23/07/2008
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1546


O senador Heráclito Fortes, amigo pessoal do banqueiro Daniel Dantas,
entrou com representação contra o delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a Operação Satiagraha, e a PF. (foto de Wilson Dias/ABr)




O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), amigo pessoal do banqueiro Daniel Dantas, entrou com representação contra o delegado Protógenes Queiroz, que chefiou a Operação Satiagraha, e a Polícia Federal.

Fortes acusa o delegado de vazamento de informações do inquérito que envolviam seu nome e, supostamente, o ligariam ao esquema investigado pela operação. Segundo o senador, tais informações são "ilegais, maliciosas, levianas e mentirosas".

Fortes reclama especialmente da divulgação de um telefonema seu com Carlos Rodenburg (ex-cunhado de Daniel Dantas). Ele diz que a amizade com Rodenburg é antiga e que não tem qualquer ligação com a organização liderada por Dantas.

As representações serão encaminhadas ao Ministério da Justiça, ao Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Federal.

Os advogados de Heráclito estão em São Paulo para consultar os autos do inquérito. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, autorizou que o material fosse repassado a Fortes. O inquérito reúne mais de mil páginas de texto, além de fitas de áudio – o nome do senador aparece em, ao menos, cinco conversas gravadas pela PF.

"Ao quebrar o sigilo e vazar dados obtidos por meio de interceptação telefônica, o referido delegado demonstrou seus claros e evidentes objetivos não autorizados em lei: o de coagir, o de humilhar, o de difamar, o de caluniar a imagem de uma pessoa com anos de vida pública pautada sempre pela ética e pela disciplina", diz a representação.






quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ministro Fanfarrão - General Falastrão




Ministro Fanfarrão
Vermelho OnLine - Sidnei Liberal - 30/04/2008
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=36882


Sidnei Liberal


A concorrida posse do novo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, foi uma festa para a mídia e para as oposições que enxergaram em seu discurso um puxão de orelha no governo e a abertura de uma nova trincheira contra o presidente Lula. A mesma mídia e a oposição, que por vezes se confundem, fazem de conta que a fanfarronice do ministro é uma vestalina preocupação de um novo herói, ao estilo "caçador de marajás", de Collor, que desembarca na corte para cuidar bem da coisa pública.

A identidade da fala novo presidente com a mídia começa com a criminalização dos movimentos sociais
, com ênfase para o MST e respingo nos estudantes de São Paulo e de Brasília. Com a oposição, uma identidade mais antiga. Ele cospe no prato que comeu, ao reclamar de algumas práticas nada diferentes das do governo anterior.

Como se sabe, o ministro-presidente serviu com desvelo na Advocacia da União do governo tucano e, por isso, foi elevado à categoria de ministro. Não consta que, como membro do governo FHC, o novo "paladino" da República tenha feito o menor esforço contra o excesso de medidas provisórias que somente agora, no governo Lula, vê imobilizar o legislativo.

Independentemente de seus eventuais méritos, a eleição de Gilmar seguiu a tradição da Casa de eleger quem ocupa a vice-presidência, segundo a edição 512 de revista "Época". Acusado de participar das famosas "blindagens" durante o governo FHC, o ministro causou grande polêmica no Supremo com procuradores da República quando da sua intervenção em defesa de seus ex-colegas do governo, o ministro Raul Jungmann e outros, todos respondendo por lesão ao patrimônio público e à probidade administrativa. Na pauta imediata do Supremo, agora sob presidência correligionária tucana, serão julgadas matérias de interesse político do PSDB contra o governo Lula. O próprio ministro é o relator.



General Falastrão

Não menos fanfarrão, um aloprado general Augusto Heleno, bramindo loas preconceituosas sobre a questão indígena, que tratam os índios como cidadãos de segunda classe, e delirando paranóias sobre a segurança nacional, vem destilando aleivosias contra a acertada política indigenista oficial
. Lançados no mercado os papeis de uma falsa crise militar, verificou-se uma frenética corrida de investidores, entre civis antilulistas e milicos de pijama, alguns quase mumificados, ou dirigentes de empoeirados clubes militares. Para Jânio de Freitas, em sua coluna na Folha de S. Paulo desta quinta-feira, os papéis têm muito mais aplicadores civis do que supõem os otimistas da Democracia.

Teme o experiente jornalista que, ante tal iniciativa incendiária dos comandos do demo-tucanato, a oposição ao governo se confunda com oposição à ordem institucional. "No mínimo, é um ato irresponsável de desespero... incapacidade de encontrar políticas inteligentes de oposição", diz Jânio. Somente a irresponsabilidade justifica a oposição tucana à iniciativa do atual governo sobre a homologação da reserva Raposa Terra do Sol, vez que ela foi uma decisão do governo FHC, precedida de quase trinta anos de discussão democrática entre os setores envolvidos. Só a posição do tinhoso Demo é justificada, por sua origem histórica de escora política da ditadura militar.

Jânio identifica a "figura polêmica" do general com a velha linha dura. E revela que durante as investigações que levaram à condenação o famoso ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, cerca de 100 telefonemas de "Lalau" foram para o general. Em 2004, o general assumiu o comando das tropas da ONU no Haiti. Nove meses depois, diz Jânio, foi lançado nos EUA e na Suíça o relatório "Mantendo a paz no Haiti?", do Centro de Justiça Global e da Universidade Harvard, com críticas severas envolvendo o comando do general brasileiro. As tropas da ONU davam cobertura à campanha de terror da polícia nas favelas de Porto Príncipe. E violações de direitos humanos eram praticadas pela própria tropa.

Ao tempo em que atrai insolentes, quase ingênuas, manifestações "patrióticas" em nome do "sagrado dever de defender a soberania e a integridade do Estado brasileiro", o general protege, na realidade, os interesses de meia dúzia de arrozeiros ilegais, grileiros das terras da União
. Tem razão Francisco Loebens, do Conselho Indigenista Missionário: a não demarcação é "uma estratégia ardilosa de condenação dos índios, para confiscar-lhes suas terras". "Não difere muito da forma utilizada durante o período colonial, quando, para justificar a chamada "guerra justa", se acusava os índios de praticarem delitos, toda vez que existia o interesse de avançar sobre suas terras e de buscar mão-de-obra escrava".









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domingo, 1 de junho de 2008

Matérias sobre José Agripino Maia e Dilma Rousseff que não podemos esquecer jamais



Matérias sobre José Agripino Maia e Dilma Rousseff que não podemos esquecer jamais.




Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-entra-no-senado-como-suspeita-e.html








Vídeo - Dilma Russeff Arrasa no Senado (07/05/2008) - José Agripino Maia faz papel ridículo:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-russeff-arrasa-jos-agripino-maia.html




OAB: José Agripino Maia foi "Infeliz" ao Indagar Sobre Mentira (Daniel Milazzo - Cézar Britto):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/oab-jos-agripino-maia-foi-infeliz-ao.html




José Agripino Maia e a Tortura (Paulo Moreira Leite):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/jos-agripino-maia-e-tortura-paulo.html




Vídeo - Senador José Agripino Maia é Ridicularizado e Esculachado por Jô Soares que parabeniza a Ministra Dilma Russeff (Senador Agripino Culatra):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/senador-jos-agripino-maia.html







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