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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Israel e o Mito da Terra Santa






O genocídio que atinge o povo da Palestina será recordado pelo tempo adiante como uma mancha repugnante na historia da humanidade.

Menos transparente é outra realidade. A criação do Estado de Israel, responsável pela tragédia que nos reúne nesta Conferencia, assenta sobre mitos que deturpam a historia.
A acumulação e difusão desses mitos está na origem de situações, atos políticos e crimes que tornaram possível a repetição no inicio do século XXI de uma monstruosidade civilizacional. Apoiado pelos EUA o Estado construído por vitimas do holocausto nazi concebe e executa um moderno holocausto.
Uma pirâmide de falsidades e mentiras sinaliza a estrada do tempo que conduziu a chacinas como as de Sabra, Shatila e Jenin.
Na base delas está o mito básico, o mais trabalhado de todos, aquele que desencadeou o movimento do regresso dos judeus à "Terra Santa dos antepassados".
A esmagadora maioria dos israelenses que vivem no Estado de Israel e se assumem como judeus não descendem do povo que invocam. A saga da diáspora judaica, alavanca das teses de Theodor Herzl que promoveram a "volta à pátria perdida", foi edificada sobre uma inverdade histórica.

Jerusalém era uma cidade pequena quando, por duas vezes, a sua população, maioritariamente de judeus, foi expulsa pelos Romanos. Não eram mais do que alguns milhares os que dela saíram após a revolta esmagada por Tito, no ano 70. Adriano, no século II, arrasou totalmente Jerusalém como castigo de nova insurreição. Os judeus deportados após a mortandade foram também poucos.


Não há milagres na multiplicação dos seres humanos. Olhamos hoje para os askenazis, vindos da Alemanha, da Polônia, da Europa Ocidental e para os sefarditas, chegados de países muçulmanos, e tudo nos seus traços fisionômicos difere, a denunciar origens étnicas diferentíssimas. Nuns e noutros, a percentagem de sangue judaico, após cruzamentos processados ao longo dos séculos, é mínima. Os primeiros tratam aliás os segundos com sobranceria, considerando-os cidadãos inferiores. E os judeus negros da Etiópia e de outros países africanos?


É a religião e não o sangue que estabelece a ponte do judaísmo entre essas comunidades e a suposta pátria de origem.


Mas, porventura, será hoje a religião o denominador comum aglutinador da nação que se diz descendente de Abraham? A resposta é negativa. Muitos judeus israelenses não praticam atualmente a religião hebraica e as suas convicções religiosas são, pelo menos, débeis.


A tradição, o culto dos antepassados, o acervo de uma cultura defendida com tenacidade e condensada na Bíblia (o Antigo testamento) aí estão as raízes do sionismo e a explicação da especificidade contraditória de um estado confessional cujos filhos duvidam (uma percentagem considerável) da existência de Deus.
É inquestionável que os antepassados dos palestinos árabes chegaram à Palestina há uns 5000 anos, subindo da Península Arábica, muito antes das primeiras comunidades hebraicas. Eram aparentados, como povos semitas vindos de um tronco comum. Uns e outros assumiam-se como descendentes de Sem e falavam idiomas muito parecidos que ainda hoje apresentam grandes afinidades.

Os primeiros fundiram-se rapidamente com algumas das tribos que povoavam a região; os segundos muito menos.


O processo de miscigenação dos antigos palestinos foi tão complexo que a própria palavra Palestina deriva dos Filisteus, descendentes dos chamados Povos do Mar, invasores arianos e não semitas.


Não cabe aqui acompanhar a história dos primitivos hebreus e as suas aventuras desde o Nilo ao Eufrates, com passagem pelo vale do Jordão. Encontramos uma síntese muito interessante no livro de Ernesto Gomez Abascal, que foi embaixador de Cuba na Síria e na Jordânia (1).


O que me parece útil recordar é que a agressividade genocida do estado de Israel tem um precedente na agressividade expansionista dos judeus vindos do Egito. Atuavam então por mandato divino, como "povo especial". Segundo o Antigo Testamento, Jeová informou Moisés de que seria dos hebreus todo o território desde o deserto até ao mar e ao Eufrates, isto é, a Palestina, o Líbano, a Síria e parte do Iraque, isto é, o hoje chamado Crescente Fértil.


Como tentaram apossar-se de tão vasta e povoada Região?


O livro de Josué iluminou-lhes o caminho: "Quando tiverdes atravessado o Jordão entrando pela terra de Canaã, afastareis do vosso caminho todos os moradores do país e destruireis todos os seus ídolos de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu és povo santo para Jeová, o teu deus. Jeová, o teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que estão sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destruíram a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, moços e velhos, até os bois, as ovelhas e os burros". (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josué e todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...) matou tudo o que tinha vida, como Jeová, deus de Israel, lhe tinha ordenado. (cap. 10, vers 34 e 40).


Não faltam a Ariel Sharon, como se verifica, fontes bíblicas de inspiração. Jeová nada tinha de humanista, era um deus violento, racista, que fazia da guerra e das chacinas alavanca da historia.
A agressividade atual dos dirigentes israelenses não é, portanto, um fenômeno circunstancial. Tem raízes antiquíssimas.

O movimento sionista nasceu agressivo numa época em que contou com a simpatia da intelligentsia européia, justamente indignada com o anti-semitismo que se manifestava nos repugnantes pogroms da Polônia e da Rússia.
Nos finais do século XIX, na Palestina, então submetida ao domínio turco, 91% da população eram árabes palestinianos. Os judeus, de imigração recente, não ultrapassavam 50 mil. Quase 99% das terras pertenciam aos camponeses árabes. Mas os pioneiros do sionismo já projetavam o futuro Israel. Theodor Herzl no seu livro "O Estado Judaico", de 1896, escreveu: "em Basileia fundei o estado judaico (se hoje dissesse isso em voz alta todos me responderiam com uma gargalhada). Talvez dentro de cinco anos, mas certamente dentro de cinquenta toda a gente o saberá".

Em 1914, Chaim Weizman, que seria o primeiro presidente de Israel, escreveu nas suas Memórias: "Na atualidade somos um átomo mas é razoável afirmar que se a Palestina cair na esfera da influencia britânica, e se a Grã Bretanha incentivar o estabelecimento de um estado judaico, então como dependência britânica, podemos esperar ter ali dentro de 25 a 30 anos, um milhão de judeus, pelo menos, e eles se encarregarão de constituir uma guarda eficaz para o Canal de Suez".


Weizman tinha os dons dos antigos profetas. O que não previu foi que ao decadente império britânico sucederia o vigoroso império norte-americano e que o Estado de Israel, imaginado por ele, se transformaria no seu cão de guarda para todo o Médio Oriente.


Israel, gerado por decisão do imperialismo britânico ao criar o chamado Lar Nacional Judaico, nasceu, não se pode negar a evidencia, de um fato colonial.


Entretanto, transcorrido mais de meio século sobre a partilha da Palestina aprovada pelas Nações Unidas, Israel é uma realidade. Os próprios revolucionários palestinos reconhecem essa evidencia. Os mais de cinco milhões de israelenses que vivem hoje no Estado judaico ali implantado não são coletivamente responsáveis pelas políticas que tornaram possível a sua formação. Israel não pode ser apagado do mapa, por mais monstruosos que sejam os crimes dos seus atuais dirigentes.


Mas a solidariedade com a Palestina árabe exige a desmontagem do edifício de mentiras históricas montado pelo imperialismo e pelo sionismo na tentativa de justificar o injustificável.


Genocídios como os de Sabra e Shatila e o recentíssimo de Jenin não foram tragédias ocasionais.


Nos últimos anos do mandato britânico as organizações terroristas israelenses Haganah, Irgun e Stern cometeram incontáveis crimes numa escalada de violência dirigida contra os árabes palestinos, então amplamente majoritárias. Segundo o censo de 46, os árabes palestinos residentes eram 1.237.000 e os judeus apenas 608 mil. E somente 8% das terras pertenciam aos segundos. O Plano de Partilha aprovado pela ONU atribuiu entretanto ao futuro estado judaico 56% da superfície da Palestina.


E que aconteceu? Os israelenses ocuparam 75% do território, inviabilizando a criação do Estado Palestino. Quando a ONU tentou fiscalizar o cessar fogo, o bando terrorista Stern assassinou em Jerusalém o conde Bernardotte, secretário geral da organização. Em tempo brevíssimo 400 mil palestinos foram expulsos das suas terras. Quase 500 aldeias foram arrasadas numa orgia de barbárie. Em poucas horas a Irgun massacrou 254 palestinos na aldeia de Deir Yassin. Aterrorizar as populações, esvaziar a Palestina de árabes era o objetivo dessas ações de terror. Mais tarde, Menahem Beguin, que foi primeiro ministro, comentou assim a chacina por ele comandada: "O massacre não somente se justificou como o Estado de Israel não existiria sem essa vitória" (2).


Sob essa apologia do genocídio transparece a política que Yossef Weitz, dirigente do Fundo Nacional Judaico, condenou numa sentença monstruosa: "Entre nós deve ficar claro que não existe espaço para dois povos neste país (...) não há outro caminho que não seja a transferência dos árabes para os países vizinhos, a mudança de todos eles; nenhum deles, nenhuma tribo deve permanecer aqui (3).


Três guerras com estados vizinhos irromperam desde a criação de Israel.


Uma Resolução das Nações Unidas, entre todas famosa, a 242, de 22 de Novembro de 1967, intimou Israel a devolver os territórios ocupados pela força das armas. Outra, fundamental também, determinou o regresso dos refugiados aos lugares de onde haviam sido expulsos pelo exercito de Israel.


A posição israelense sobre essas questões cruciais encontramo-la condensada num cínico comentário de Golda Meier: "Como vamos devolver os territórios ocupados? Não existe ninguém a quem devolver algo. Essa coisa a que chamam palestinos não existe" (4).


A história recente é melhor conhecida.


Se há uma palavra que defina bem os acontecimentos que nas ultimas décadas tiveram por cenário a Palestina é a palavra tragédia.


O Estado comandado por Ariel Sharon não renuncia ao cumprimento das profecias da Torah que apontam o caminho da violência para a realização do sonho de Eretz Israel, ou seja, a Grande Israel.


Em Tel Aviv as táticas e o discurso político mudaram ao sabor do ocupante da Casa Branca, sempre o grande aliado. Mas o objetivo de aniquilar a nação palestiniana manteve-se.


A Primeira Intifada demonstrou claramente que o povo árabe da Palestina não renuncia ao direito inalienável de construir o seu próprio futuro como nação independente, plenamente soberana, no que resta – Cisjordania e Gaza – dos territórios povoados pelos seus antepassados muitos séculos antes da chegada ali das primeiras tribos de judeus.


Seria uma solução aceitável simultaneamente por palestinianos e israelenses. Mas para isso seria, obviamente, necessário cumprir os Acordos. Ora essa nunca foi a intenção dos dirigentes israelenses.


O aparecimento exibicionista, em ato de provocação, de Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas, na velha Jerusalém, assinalou o inicio da Segunda Intifada e da atual escalada genocida contra o povo árabe da Palestina.


Nem a imaginação de um Sófocles ou de um Shakespeare concebeu tragédia comparável à que se abateu sobre as cidades e aldeias dos territórios governados pela Autoridade Nacional Palestiniana. Os bombardeamentos diários de áreas urbanas e rurais, a destruição das estruturas básicas da sociedade, como escolas, hospitais, edifícios administrativos, estabelecimentos comerciais, serviços de luz, água e comunicações, o assassínio de mulheres e crianças, o cerco à sede de Yasser Arafat em Ramallah, e chacinas coletivas como a de Jenin - serão pelo tempo afora recordados como exemplos da barbárie de um estado confessional responsável por uma das páginas mais repugnantes da história da humanidade.


James Petras encontra para Jenin, como analogia, o gueto de Varsóvia destruído pelas SS de Hitler. A José Saramago, a aldeia palestiniana eliminada traz à memória Auschwitz, paradigma da loucura assassina nazi.


A mim faz-me recordar ambos. O buldozer Sharon, como já lhe chamam, é, pelos, métodos e pela ideologia, um discípulo eficiente de Hitler. Creio enunciar uma evidência ao afirmar que em cada um de nós, aqui reunidos no México, por iniciativa do Partido do Trabalho e da OSPAAAL, a angustia e a indignação provocadas pelo genocídio que atinge a nação palestiniana são acentuados pela consciência de que esse crime de lesa humanidade não seria possível sem a cumplicidade e o apoio ostensivo dos EUA.


Por si só, Ariel Sharon não teria condições mínimas para empreender o seu plano de destruição da Palestina. Os seus crimes contam com o respaldo de Washington, mais exatamente do sistema de poder que governa os EUA, um sistema igualmente monstruoso cuja estratégia de dominação mundial deixa já transparecer o perigo de uma ditadura militar planetária, ou seja uma ameaça global a humanidade.


Os povos condenam com firmeza crescente o genocídio palestiniano. Mas a matança prossegue.


É financiada. Ultrapassa 3 bilhões de dólares anuais a ajuda norte-americana ao estado assassino de Ariel Sharon. A passividade dos governos da União Européia perante o genocídio é outra indignidade. Afirmam lamentá-la, mas a sua atitude é de submissão à estratégia dos EUA, que transformaram o Conselho de Segurança da ONU em dócil instrumento da sua política imperial.


A íntima aliança entre a extrema direita israelense e o governo dos EUA contribui para evidenciar o significado internacionalista e humanista da luta heróica do povo árabe da Palestina. Essa pequena e valente nação, ao resistir com firmeza homérica à tentativa de holocausto contra ela comandada pelos filhos e netos das vítimas do holocausto judeu da Segunda Guerra mundial - essa Palestina de raízes milenárias assume na realidade a defesa de valores eternos da humanidade.


A Palestina resiste. O seu povo sobrevive e multiplica-se sob o vendaval de metralha do fascismo israelense. Segundo um estudo da Universidade judaica de Haifa, no ano 2020 a população total de Israel, da Cisjordânia e Gaza terá ultrapassado os 12 milhões. Desse total 58% serão árabes palestinos. De maioria que são hoje os israelenses terão nessa época passado a minoria.


Represento nesta Conferência o Partido Comunista Português. É com orgulho que aqui lembro ter sido permanente, fraternal e incondicional ao longo do tempo a solidariedade dos comunistas portugueses com o povo épico da Palestina. Ao reafirmá-la calorosamente desta tribuna, expresso a nossa confiança inabalável na vitória final desse pequeno-grande povo que se bate hoje pela humanidade inteira.


Vocês vencerão, companheiros da Palestina.


(1) Ernesto Gomez Abascal, Palestina – Crucificada la Justicia, Editora Politica, Havana, Abril de 2002;


(2) OB.ctda, pg 203;


(3) Idem, pg 32;


(4) Idem, pg 54.



(*) Intervenção na II Conferencia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, realizada no México em 15/Maio/2002.




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Miguel Urbano Rodrigues



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Israel - Sobre Gaza, Sobre Israel, Sobre Nós




Sobre Gaza, Sobre Israel, Sobre Nós
Sílvia Ferabolli & Cláudio César Dutra de Souza - Le Monde Diplomatique - LMB Brasil - 05/02/2009
http://diplo.uol.com.br/2009-02,a2777


"O direito dos Estados está acima do direito dos povos. Entre Israel e Palestina, um lobby israelense em Washington. Está feita a declaração: aos que querem a terra, ela lhe será dada, uma cova rasa, mais exatamente. Mas não se iludam: Somos todos Palestinos!"



Aqui na Europa, manifestações eclodiram por toda parte. Em Paris, uma marcha contra o holocausto palestino reuniu quase 100 mil pessoas. Em Londres, prédios universitários foram ocupados e milhares de estudantes reuniram-se em frente à embaixada israelense exigindo o fim do massacre contra o povo palestino. Outras capitais européias também assistiram várias formas de mobilização popular contra o avanço de Israel sobre o mais famoso bantustão do mundo - a Faixa de Gaza, o campo de extermínio daqueles que vivem a luta e morrem pela causa palestina.

Infelizmente, os milhões de cidadãos que expressaram sua repulsa contra a política israelense em manifestações que varreram o globo, não encontraram eco em suas ações por parte de seus chefes de Estado. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o único líder de uma nação que ousou ouvir o clamor popular e expulsou o embaixador israelense de seu país. Tivessem outras lideranças seguido o exemplo de Chávez na América Latina, África, Ásia, Europa e América do Norte, o isolamento diplomático israelense seria tamanho que não haveria alternativa a Tel-Aviv a não ser o recuo. Contudo, esse não foi o caso. Para além dos clássicos e inócuos chamados de paz, nenhum presidente, primeiro-ministro, rei, chanceler ou sultão ousou desafiar Israel com aquela que é uma das mais radicais armas que a diplomacia internacional possui: a ruptura das relações diplomáticas e o erigir de pesadas sanções políticas e econômicas.

Para entender a apatia da diplomacia internacional frente às ações de política externa israelense é necessário compreender como funciona a ordem internacional e como ela é promotora e perpetuadora de relações de dominação entre Estados opressores e povos oprimidos.

Vivemos dentro de uma lógica política internacional onde o direito dos Estados está acima do direito dos povos. Israel, como um Estado, teria o direito de se defender contra aquilo que ele considera ser uma ameaça a sua sobrevivência estatal, nesse caso, as ações do Hamas. Os palestinos, por seu turno, não possuem um Estado e, portanto, nenhum direito dentro de uma lógica estatal internacional perversa que nega aos povos do mundo qualquer direito para além daquele que seu próprio Estado lhe provém. Fora do Estado, a vida não é possível, já sentenciava Thomas Hobbes, o pai do pensamento realista, e dominante, das Relações Internacionais.

O grande problema que emerge dessa constatação é que embora os Estados interajam em um sistema anárquico, onde não existe uma autoridade central e cada Estado é soberano e, portanto, dono do direito de agir como melhor lhe convir, existe, sim, aquilo que se chama de ordem internacional, cuja responsabilidade pela sua manutenção é das grandes potências. Na atual configuração sistêmica que, embora apresente alguns contornos multipolares no campo econômico, em termos de liderança política e estratégica, é claramente unipolar. Só há um país capaz de fazer Israel parar - os Estados Unidos da América. E por que não o fazem? John Mearsheimer e Stephen Walt, já em 2006, ofereciam uma resposta: o lobby israelense em Washington.

Numa tentativa de compreender o porquê dos Estados Unidos comprometerem seus imperativos de interesse nacional no Oriente Médio pelo massivo apoio a Israel, mesmo quando esse deixa de ser um patrimônio estratégico com o fim da Guerra Fria, Mearsheimer e Walt acabam por revelar uma história de bastidores movida a bilhões de dólares de grupos lobistas israelenses e sustentada por uma poderosa indústria do holocausto. Para aqueles que insistem em ver Israel como um pequeno David que luta para se defender do monstruoso Golias representado pelos árabes-palestinos, selecionamos alguns pontos da obra The Israel Lobby in Washington, que podem lançar luz sobre o atual debate em torno da política expansionista israelense e a condescendência norte-americana para com seu aliado incondicional no Oriente Médio.




"Depois da formação de um grande exército, na esteira do estabelecimento de nosso Estado, nós aboliremos a partilha e expandiremos nosso Estado para toda a Palestina".




No que concerne à suposta fraqueza israelense, Mearsheimer e Walt argumentam que ela é inverídica, na medida em que Israel derrotou os árabes nas Guerras de 1948-49 e 1967, sem a ajuda de forças externas. Foi após essa última vitória que Israel começou a ser considerado um patrimônio estratégico para os Estados Unidos. Conseqüentemente, começou a receber ajuda financeira norte-americana - Israel é o maior receptor de ajuda externa estadunidense no mundo, imediatamente seguido pelo Egito, cuja ajuda está condicionada à manutenção de relações diplomáticas com Israel, enquanto a ajuda aos israelenses não prevê nenhum condicionante.

Quanto ao fator democracia, tal argumento se enfraquece por aspectos da democracia israelense que são estranhos aos valores fundamentais ocidentais: Israel foi explicitamente fundado como um Estado judaico e a cidadania é baseada no princípio da consangüinidade. Dado esse conceito de cidadania, não se estranha que os 1,3 milhões de árabes-israelenses sejam tratados como cidadãos de segunda classe.

Quanto ao Holocausto, os autores argumentam que não há dúvida de que os judeus sofreram historicamente devido ao anti-semitismo e que a criação do Estado de Israel foi, sim, uma resposta apropriada a um longo histórico de crimes contra o povo judaico. Porém, a criação de Israel envolveu crimes adicionais contra um povo absolutamente inocente: os palestinos.

Especificamente no que concerne à disposição de Israel de aceitar a criação de um Estado palestino, dentro da lógica "segurança para Israel e justiça para os palestinos", como se fosse possível conciliar os imperativos de segurança israelense com o direito à existência do povo palestino, Mearsheimer e Walt nos informam que nunca houve, na proposta sionista, a intenção de dividir o território da Palestina em dois Estados. Como Ben-Gurion sentenciou no final dos anos 1930: "Depois da formação de um grande exército, na esteira do estabelecimento de nosso Estado, nós aboliremos a partilha e expandiremos nosso Estado para toda a Palestina". Ou seja, desde o princípio, aceitar a idéia de dois Estados foi apenas uma manobra tática israelense, não um objetivo real. Ainda, para alcançar o objetivo de fundação de seu Estado, os sionistas teriam de expulsar um grande número de árabes do território que viria a se tornar Israel. Ben-Gurion viu esse problema claramente já em 1941: "É impossível imaginar a evacuação geral da população árabe senão pela força - e força brutal!" Essa oportunidade veio com a Guerra de Independência (1948-49), quando as forças israelenses forçaram o exílio de mais de 700 mil palestinos. Ou seja, se o povo que formou originalmente o Estado israelense sofreu, também fez, e faz, outro povo sofrer tanto ou mais.




"Os judeus estão loucos!"




Por fim, a tese dos "israelenses virtuosos" versus os "árabes malditos". De acordo com Mearsheimer e Walt, acadêmicos israelenses de esquerda têm mostrado que os sionistas foram qualquer coisa, menos benevolentes com os árabes-palestinos. A resposta sionista à resistência palestina à criação do Estado de Israel envolveu atos explícitos de limpeza étnica, incluindo execuções, massacres e estupros. A média de mortes nesses mais de 60 anos de conflito é de 3,4 palestinos mortos para cada israelense - a proporção de mortes de crianças é de 5,7 crianças palestinas mortas para cada uma israelense. Tanto é que Ehud Barak uma vez admitiu que se ele tivesse nascido palestino, certamente teria se juntado a uma organização terrorista. Talvez, dissesse melhor, e com mais clareza, uma organização de resistência á uma ocupação externa.

A reflexão de Nidal Basal, um menino palestino de 12 anos, feita durante o período mais intenso das ações militares israelenses na Faixa de Gaza, reflete a perplexidade de milhões de cidadãos pelo mundo. Em resposta a Nidal, esclarecemos que Israel não enlouqueceu, malgrados os bombardeios contra escolas da ONU e a proibição de evacuação civil da região. Dificilmente poderíamos crer que ações militares planejadas e postas em prática em um período do ano em que o presidente da União Européia, Nicolas Sarkozy, em final de mandato, tira férias no Brasil e que o governo dos Estados Unidos vive uma transição de poder, sejam atos impensados de loucura e selvageria despropositada. Nesse caso, haveria atenuantes, como na justiça criminal, ao julgar um cidadão que tenha agido sob "forte emoção" ou que estivesse em algum estado alterado de consciência. Ao contrário, se há premeditação, motivos torpes ou incapacidade de defesa da vítima tudo isso constitui-se em agravantes que poderiam gerar penas mais severas em um julgamento criminal.

Contudo, poderíamos pensar que, ao invés de indivíduos mentalmente perturbados, estivéssemos à mercê de burocratas frios, cuja presença do "outro" fosse apenas um detalhe incômodo entre um objetivo matematicamente traçado e a sua efetiva concretização. Compreendemos com Hannah Arendt a banalidade do mal e nos chocamos profundamente ao pensarmos no quanto os mais perigosos assassinos podem ser pessoas tão afáveis e cultas, que apreciam a arte e amam as crianças e os animais. Eichmann em seu julgamento em Jerusalém nada mais fez do que mostrar-se um burocrata obediente às ordens de seu chefe, mesmo que elas fossem o extermínio de um povo. Assassinos podem ser pessoas muito agradáveis e cordatas. Podem ser eu ou você em uma situação específica tal como a situação de guerra quando o inimigo é todo aquele que não utiliza o nosso uniforme e nem compactua de nossa ideologia.




"Itzhak Shamir chamava os palestinos de "gafanhotos". O general Raphael Eitn, de "baratas". O Ministro da Defesa, Ben-Eliezer, os definiu como "piolhos"...




Como pode um Estado considerado uma democracia tão avançada e com expoentes intelectuais de alto calibre perpetrar atos como esses que assistimos na Faixa de Gaza, onde a matança indiscriminada de civis inocentes de forma cruel e arbitrária coloca Israel par a par com as piores das históricas ditaduras do Terceiro Mundo? Em Gaza, uma população encontra-se à mercê de um Estado anômico e sociopático que age premeditada e milimetricamente no intuito de exterminar o maior número de seres humanos contrários aos seus planos expansionistas e imperiais. Todavia, o discurso manifesto é o de eliminar a ameaça terrorista do Hamas (democraticamente eleito e, portanto, apoiado por grande parte dos palestinos). Contudo, é de se perguntar como reconhecer os membros do Hamas no meio da massa indistinta no território de Gaza. Eles usam uniformes, estão reunidos em uma sede oficial a decidir os rumos de sua atuação presente e futura? É evidente que não. Em Gaza, cada cidadão é potencialmente um apoiador, um simpatizante ou possui algum conhecido dentro do Hamas, logo, cada ser humano é um alvo em potencial.

Falamos em seres humanos, mas aqui cabe uma correção, pois os palestinos não parecem estar classificados nessa condição, segundo o ponto de vista de diversos líderes israelenses. Itzhak Shamir os chamava de "gafanhotos". O general Raphael Eitn os chamou de "baratas". O Ministro da Defesa, Ben-Eliezer, os definiu como "piolhos" e para o ex-primeiro-ministro Menahem Begin, os palestinos eram "bestas caminhando sobre dois pés". Por fim, a primeira-ministra Golda Meir chamava-os de "animais de duas patas". Para Ehud Olmert eles seriam o que nesse exato momento? Certamente, qualquer coisa, menos humanos.

Alguém acredita que o Estado de Israel corre um sério perigo que ameaça efetivamente a sua existência? O Hamas tem um poder definitivamente devastador e que pode causar sérios danos à infra-estrutura e aos cidadões israelenses, motivo mais do que suficiente para um ataque desse porte? As armas que o Hamas possui são modernas e letais e isso constitui-se em um motivo plenamente justificável para que os corpos de palestinos inocentes apodreçam a céu aberto? A resposta a todas essas perguntas é evidentemente negativa e só Israel e os Estados Unidos têm o cinismo de sustentá-las seriamente.

Convencionando que a paz (para si) é um dos objetivos de Israel, aliado com a sua lendária necessidade de segurança, convém lembrar que a paz e a prosperidade caminham de mãos dadas. Após esses trágicos bombardeios, justificáveis tão somente dentro da ótica distorcida do agressor, o proto-Estado palestino vai demorar vários anos para conseguir retornar ao grau de miserabilidade anterior a dezembro de 2008. Sem contar o luto das famílias que perderam seus entes queridos, suas casas, sua história e sua dignidade. Os cemitérios são, sem dúvida, locais em que existe uma grande paz, afinal, os mortos não têm necessidades, queixas ou reivindicações de qualquer ordem. Aos que querem a terra, ela lhe será dada, uma cova rasa, mais exatamente. Como a paz poderá ser feita nessas condições é algo que nos perguntamos e que os líderes israelenses nunca respondem de forma conveniente. O que sabemos, com certeza, é que o governo norte-americano é tão responsável pela atual política genocida israelense contra os palestinos quanto os são as lideranças sionistas dentro e fora de Israel. Os Estados Unidos podem, mas optam por não parar Israel, temendo a reação de um lobby que, pelo poder financeiro de seus membros e a ideologia da indústria do holocausto, ameaça não só tornar Israel o ator central de um teatro de horrores que envergonha a humanidade como também acabar, definitivamente, com a legitimidade da já cambaleante Organização das Nações Unidas.

Não tenhamos ilusões quanto à capacidade de influência dos milhões de cidadãos espalhados pelo mundo que saíram às ruas para protestar contra o flagelo impetrado aos palestinos em nome da pax israelense, que encontra na pax americana a sua parceira ideal no perpetrar de crimes de guerra. Enquanto a lógica que dominar o mundo for aquela do direito dos Estados e não a do direito dos povos, nossa voz não será ouvida e o futuro da humanidade - o nosso futuro - será decidido à nossa revelia. Não nos iludamos: SOMOS TODOS PALESTINOS!








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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Emissoras Recusam Campanha por Gaza

Emissoras recusam campanha por Gaza
Leticia Nunes (edição) e Larriza Thurler - Observatório da Imprensa - 27/01/2009
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=522MON001


A rede pública britânica BBC e o canal Sky News se recusaram a exibir uma campanha para arrecadar fundos para os habitantes da Faixa de Gaza. O anúncio foi produzido pelo Comitê de Emergência para Desastres (http://www.dec.org.uk/), grupo de auxílio formado por organizações como a Cruz Vermelha, a Oxfam e a Save the Children. O objetivo da campanha é fazer um apelo humanitário para ajudar os palestinos que precisam de assistência após o conflito em Gaza, que deixou mais de 1.200 mortos e um rastro de destruição na área.

Os canais temem, entretanto, que, ao exibir o comercial, estejam tomando um lado na guerra entre Israel e o Hamas, que administra Gaza. "O conflito em Gaza é parte de uma das mais difíceis e controversas pautas para se cobrir", alega John Ryley, diretor da Sky News. "Nosso compromisso, como jornalistas, é cobrir todos os lados desta história com objetividade e independência".




Protestos

A decisão de exibir ou não o anúncio levantou um acalorado debate no Reino Unido. A BBC se tornou foco de inúmeros protestos depois de anunciar que não veicularia a campanha. A rede já recebeu mais de 10 mil reclamações e foi criticada por legisladores e líderes religiosos.

Outras emissoras britânicas, como o Channel 4, o ITV e o Five, anunciaram que irão veicular o comercial. Adrian Wells, diretor de notícias internacionais da Sky News, afirmou que o canal compreende as boas intenções dos grupos humanitários que tentam divulgar a situação em Gaza. "Deixe-me dizer às pessoas que ficaram zangadas que não há dúvidas sobre o compromisso da Sky em reportar os temas da região. Nós temos nossos repórteres lá desde que foram abertas as entradas de Gaza. Não há nenhuma dúvida de que os telespectadores da Sky estão informados sobre a crise humanitária", ressaltou.

Ainda assim, as duas companhias foram acusadas de se comportar de maneira covarde. "Elas dizem que sua imparcialidade seria comprometida porque o assunto é sensível; mas não é, é uma questão de ajuda humanitária", diz Avi Shlaim, professor de relações internacionais na Universidade de Oxford.

O Exército israelense deu início a um pesado ataque a Gaza no fim de dezembro depois que o cessar-fogo com o Hamas - que durava seis meses - chegou ao fim e foguetes começaram a ser lançados ao sul de Israel. Depois de três semanas, mais de 1.200 palestinos foram mortos, mais da metade civis. Treze israelenses, incluindo três civis, também morreram no confronto. Informações de Gregory Katz [Associated Press, 26/1/09].


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Primeiro inquérito sobre os horrores da guerra em Gaza




A sociedade israelense, como que saindo de uma catarse, já começou um acerto de contas com a sua consciência. A maioria esmagadora apoiou a operação, depois de tantos meses de foguetes sobre o seu território. Por outro lado, nada se explica se não se levar em conta a luta interna entre o Hamas e o El Fatah pela liderança da causa palestina. Bernardo Kucinski.


Bernardo Kucinski


Nos ataques israelenses na faixa de Gaza morreram mais de 400 crianças e jovens de até 16 anos e mais de 300 mulheres e idosos. Somadas, essas vítimas são mais da metade do total de mortos, por sua vez também muito grande: 1.300.

A culpa é dos generais israelenses, que atacaram sem piedade, acusou o líder do Hamas, Khaled Meshal, quando proclamou de Damasco a vitória do Hamas. A culpa é do próprio Hamas, por não renovar a trégua com Israel, apesar dos apelos da Autoridade Nacional Palestina, acusou seu presidente Mahmoud Abbas, na Al Jazeera.

Certamente a culpa não é das crianças e suas mães.

A sociedade israelense, como que saindo de uma catarse, já começou um acerto de contas com a sua consciência. A maioria esmagadora apoiou a operação, depois de tantos meses de foguetes sobre o seu território causando pânico e o êxodo de mais de 20 mil pessoas para o Norte, mas a morte de tantas crianças é um peso que mesmo os corações mais endurecidos não conseguem suportar.

O sentimento de culpa coletiva pode explicar a avalanche de adesões à campanha da estudante Hadas Balas, que emitiu emails pedindo suprimentos para lotar dois caminhões para o povo da Gaza, e em poucos dias lotou dez caminhões. A ajuda veio de todos os cantos, desde uma Igreja Católica de Haifa até o movimento juvenil sionista Hashomer Hatzair.

Ainda antes de encerrada a operação, a Associação Pelos Direitos Civis de Israel já havia ocupado uma página inteira no Haaretz com obituários de crianças mortas em Gaza. No centro do anúncio, um quadro negro com a palavra "dai!" (basta!). Nesse mesmo dia, Ari Shavit, um dos principais analistas do Haaretz acusou a operação "cast lead" de ter ultrapassado todos os limites: "O que era para ser uma operação militar calculada virou um assalto descontrolado sobre uma área populosa".

Embora ainda em minoria, mais e mais vozes vão expondo perplexidades. "Como é possível que um povo que se dizia o único civilizado na selva do Oriente Médio tenha se tornado mais uma fera nessa selva? pergunta no jornal Iediot Aharonot o diretor do grupo pacifista "Iniciativa Genebra", Gadi Blatiansky.

"Quando os canhões se silenciarem por completo e a escala das mortes e da destruição se tornar totalmente conhecida, ao ponto de mesmo os mais sofisticados mecanismos de auto-defesa da psique israelense caírem, talvez alguma lição se imprima nas nossas mentes", diz no Haaretz o escritor David Grossman.

Expressivas, por sua singeleza, são as explicações dadas ao jornal Yediot Aharonot por militares que se recusaram a lutar: "Israel explorou todas as possibilidades antes de recorrer à violência? A resposta é não. Israel está bombardeando uma das áreas mais densamente povoadas no mundo e matando mulheres e crianças ao mesmo tempo em que dificulta sua evacuação", disse o tenente reservista do corpo de engenharia Noam Livneh. Não trata de pacifistas clássicos, que se recusam a matar por princípio. Esses também existem em Israel. Trata-se de cidadãos comuns, reservistas que já lutaram nas guerras anteriores, e não aceitam como única saída para lidar com o Hamas o tipo de operação concebida pelos generais ou o tipo de política determinada pelo governo. "Não sou pacifista, sei que é importante ter um bom exército, mas um exército para nos defender, não para atacar e conquistar!" diz o sargento reservista Bem Muha.

Oito grupos de defesa dos direitos humanos juntaram-se numa ação junto ao Procurador Geral do Estado de Israel exigindo que uma comissão independente investigue os ataques a civis durante a operação "cast lead". O Exército impôs sigilo sobre os nomes dos comandantes das operações, para impedir que sejam identificados em processos por crimes de guerra. Ao mesmo tempo, abriu seu próprio inquérito sobre o uso de armas com fósforo, talvez para esvaziar um eventual inquérito internacional. Também criou um grupo de trabalho para reunir antecipadamente elementos de defesa. Por exemplo, provas de que atiradores disparavam de prédios residenciais.

As duas principais acusações até agora, formuladas pela Anistia Internacional e por Marc Garlasco, observador da Humans Rights Watch, são o recurso a bombas de fumaça com fósforo branco e o uso de força desproporcional. Garlasco, que está tentando entrar em Gaza, é o mesmo que acusou o Hamas de crimes de guerras por disparar foguetes à esmo contra populações civis em Israel. Só em 2008 caíram no Sul de Israel 3258 morteiros e foguetes, inclusive Katyushas. Já o observador da ONU Richard Falk, embora ainda sem ter estado em Gaza, diz que os indícios de que Israel atacou uma área densamente povoada sem facilitar a fuga dos civis são suficientes para abrir um inquérito.

A munição com fósforo branco em si não é ilegal, mas seu uso deve ser evitado em áreas de população densa. Os dados preliminares do inquérito do exército israelense indicam que isso aconteceu em uma operação na qual 20 projéteis com fósforo branco foram disparos em área densamente povoada em Beit Labyia. Outros 180 disparos teriam sido dados em áreas de campo aberto.

A ONU, segundo a Al Jazeera, acusa Israel de ter atacado 52 de suas instalações na faixa de Gaza, inclusive 37 escolas, três das quais serviam de abrigo a civis. Como isso foi possível, se Ehud Barak disse que a operação foi cuidadosamente planejada durante seis meses? Como isso foi possível, se além desse preparo operacional, foram utilizadas, segundo Amira Hass, três novas munições especialmente desenvolvidas para aumentar ao máximo a precisão do tiro e reduzir ao mínimo os efeitos ao seu redor, ou seja em populações civis?

O que deu errado?

A hipótese mais provável é a de que os generais israelenses, como acontece tantas vezes nas guerras, estavam lutando a batalha anterior, a batalha que perderam no Líbano há dois anos. Naquela desastrada operação, como mostrou depois o inquérito Vinograd, tudo deu errado, desde o processo decisório precário, falta de clareza na definição dos objetivos, até o colapso total da logística, ao ponto de nem o rancho ter chegado aos soldados do front. Exército e governo se desmoralizaram.

Por essa hipótese, embora a operação cast lead tivesse objetivos militares e políticos próprios, não foi escolhida a tática que minimizasse o número de baixas civis, e sim a que minimizasse as baixas militares entre os israelenses e que mostrasse competência logística e operacional. Restaurar a moral das forças armadas e do governo.

O reduzido número de baixas entre soldados israelenses, apenas 13, e dois informes da mídia corroboram essa hipótese: primeiro, as bombas de fumaça com fósforo, que segundo Marc Galasco, tem a finalidade de criar uma cortina de proteção ao avanço dos tanques. Uma lição da guerra do Líbano na qual Israel perdeu muitos tanques. Segundo, o relaxamento, pelos juristas do exército, de algumas regras de engajamento em combates em que há civis. Por exemplo, a diretiva: "Sempre que possível a população civil na área alvo deve ser alertada", foi atenuada com o adendo "a menos que isso ponha em perigo a operação ou os combatentes".

Apesar das armas de maior precisão, esse relaxamento combinou-se de modo perverso com o tipo de guerra adotado pelo Hamas, levando ao número inaceitável - sob qualquer padrão de julgamento - de mortes de civis. O especialista Paul Beaver, ex-editor do Janes Defence Weeekly, com 30 anos de cancha em guerras no Oriente Médio , em longo artigo na Al Jazeera diz que o Hamas inventou um novo tipo de guerra, muito difícil de ser enfrentada que ele conceitua como "guerra no seio do povo".

Não se trata da conhecida guerra popular prolongada, concebida pelos chineses, na qual o povo se organiza em exército marchando para o front ou desfechando ataques de guerrilha. É uma guerra trazida para dentro do próprio povo ("war amongst the people", é a expressão que ele usa), uma guerra na qual disparos são feitos de casas e quintais, soldados e civis se misturam e alguns dos protagonistas não são Estados nacionais, embora possam ter sido legitimados por alguma eleição. "É uma guerra que se caracteriza também pelo uso intenso da mídia, declarações exageradas de ganhos militares, uso de foguetes sem direcionamento". Para Beaver, tudo isso e mais a ameaça árabe, pela primeira vez, de atacar as instalações nucleares israelenses, "mudou a correlação de forças e o espaço para manobras".

Durante todo o desenrolar da operação, Ehud Barak definiu vagamente que seu objetivo era "modificar substancialmente e de modo definitivo o cenário na região", subentendendo-se que isso implicava por fim à capacidade do Hamas de lançar os foguetes Qassam e Katyusha sobre a população israelense. O fato do Hamas lançar foguetes mais poderosos, os Katyusha 110, com alcance de até 40 kilômetros, podendo atingir seis cidades grandes de Israel, indica que para alcançar esse objetivo era preciso também acabar com o contrabando dos foguetes enviados pelo Irã, daí o ataque aos túneis ao longo da fronteira de Gaza com o Egito, chamada linha Filadélfia. Daí o protocolo firmado com os Estado Unidos em plena operação comprometendo o governo americano num mecanismo de combate à entrada de mísseis em Gaza.

Mas o especialista da Universidade de Haifa, Dan Shiftan, define os objetivos da operação em termos mais amplos: "impedir que consolidasse entre a percepção de que os lançamentos de foguetes (contra a população civil de Israel) conjugados com o fervor islâmico era a arma definitiva contra a qual Israel não conseguiria lidar". E a solução estratégica para isso foi "o ataque desproporcional aos centros vitais do Hamas, para transtornar sua percepção da relação custo-benefício nos lançamentos de foguetes".

Havia também o objetivo político de derrubar o Hamas? Muitos analistas, dizem que poderia chegar até esse resultado. Esse era o objetivo principal, diz Khaled Abu Toameh, analista do Jerusalém Post: "derrubar o regime do Hamas e devolver o controle da faixa de Gaza às forças leais à Autoridade Nacional Palestina do presidente Mahmoud Abbas".

Por isso a operação teria contado com algum grau de aquiescência da Autoridade Nacional Palestina e dos governos do Egito e dos Estados Unidos, interessados em restabelecer a unidade política nos territórios palestinos em torno de uma liderança moderada e disposta a negociar um acordo de paz. O Hamas rejeita esse caminho. Sua carta de princípios propõe o estabelecimento de um Estado Fundamentalista Islâmico através do jihad - a luta armada como dever de todo muçulmano.

Nada se explica nessa guerra, se não se levar em conta a luta interna entre o Hamas e o El Fatah pela liderança da causa palestina. As prisões, assassinatos e mutilação de militantes do Fatah, durante a operação e depois da retirada, corroboram a centralidade do conflito e da luta pelo poder e pela representação da causa palestina entre Hamas e El Fatah. Obviamente o Hamas não esperava derrotar o poderoso exército israelense. Seu objetivo lançando foguetes diariamente contra Israel por meses e anos a fio ao mesmo tempo em que estigmatizavam o El Fatah como conciliadores que traíram a causa palestina só podia ser o da demarcação em relação a ANP de Mahmoud Abbas, que reconhece a existência do Estado de Israel e negocia as condições para a proclamação de um Estado Palestino.

Os líderes do Hamas acusam abertamente o El Fatah de traição. Salah Bardaweel, jurista ligado ao Hamas diz que espiões do El Fatah conduziram o ataque israelense que matou Said Siam, o ministro do interior do Hamas. Siam era tido como um dos maiores inimigos do El Fatah, responsável por dezenas de fuzilamentos de membros do El Fatah, quando o Hamas deu o golpe de força em Gaza, pouco tempo depois de vencer a eleição.

Provocar um levante pró-Hamas na Cisjordânia é hoje o objetivo mais ambicioso que o Hamas poderia alcançar. E mais fácil, depois do ataque israelense a Gaza. Lideres do próprio Fatah admitem que Abbas se enfraqueceu: todas as demonstrações em Jerusalém e na Cisjordânia contra o ataque foram organizadas por ativistas das bases, sem nenhuma liderança ou apoio das lideranças do Fatah, diz Hatem Abdel Qader, membro do Fatah. E mais: "O Hamas obteve legitimidade e simpatia internacional, e suas forças ainda controlam a faixa de Gaza", diz Aluf Benn, um dos principais analistas do Haaretz. Na El Jazeera, Mouin Rabbani, um articulista do Middle East Report, diz que a inércia de Abbas frente ao que aconteceu vai agravar as críticas que ele já vinha sofrendo de que todas as suas estratégias e cada uma delas fracassou desde que ele assumiu a presidência da ANP em 2004. Abbas pode não sobreviver, ele diz.

O El Fatah culpa o Hamas pela tragédia: "Com os foguetes eles deram a Israel um pretexto para a guerra", disse ao Der Spiegel o ex-chefe do El Fatah, Muhamed Dahlan. "O Hamas é uma das piores organizações da região. As pessoas têm medo dos extremistas islâmicos e ninguém em Gaza ousa fazer qualquer crítica", caso o façam correm o risco de prisão e até mesmo de morte", ele diz. "O Hamas usa slogans e explora o sangue derramado em Gaza para encobrir seus projetos separatistas", acusou o dirigente do Fatah Yasser Abed Rabbo, numa coletiva à imprensa. Ele disse que a Autoridade Nacional Palestina não permitirá que o Hamas faça de Gaza uma entidade separatista.

Já começou a luta entre Hamas e Fatah pelo controle das gigantescas somas de dinheiro a serem canalizadas para a reconstrução de Gaza. De Damasco, onde ficou a salvo das bombas israelenses, o líder do Hamas Khaled Meshal vangloriou-se do que chamou de "inequívoca vitória do Hamas", reafirmou o objetivo de libertar todos os territórios palestinos e impôs como condição para a reconciliação com o Fatah de Mahmoud Abbas, a libertação de militantes do Hamas presos pela Autoridade Nacional Palestina. Outro dirigente do Hamas, Sami Khater disse que o Fatah não é confiável e que as donativos internacionais e de países árabes para reconstrução de Gaza não podem passar pelas mãos do Fatah.

Se o Hamas derrotar o Fatah, conquistando a liderança da representação palestina, não precisará mais do diferencial do jihad, e poderá mudar sua Carta, como fez a OLP. A pergunta é se ao provocar a "fera" israelense, com o único objetivo de se afirmar, mesmo às custas de 700 crianças mulheres e idosos mortos, o Hamas também não tem um balanço de consciência pendente.


A Guerra de Gaza - A Blitzkrieg



Neste mundo, repleto de fundamentalismos, esta guerra só veio para fortalecer todas as irracionalidades possíveis. Depois dela, ficará difícil pedir que a razão vença a emoção contida nas crenças dos mártires de Maomé. A jihad, no sentido dramático dado a ela, ganhará mais força. Luís Carlos Lopes


Luís Carlos Lopes


A consciência crítica, ainda existente neste mundo de superfícies, hipocrisias e falácias sem fim, está estilhaçada nas mais diversas mídias. A terrível operação militar em Gaza vem demonstrando como é e continuará a ser difícil imaginar um mundo sem guerras, onde tremule a bandeira da paz e do entendimento entre os povos e as culturas do mesmo planeta.

Aproxima-se o fim da primeira década do século XXI e o sangue continua a escorrer pelas fissuras da história, como no passado. Mudam os lugares, aparecem novos focos e motivos. Entretanto, a busca de resolver problemas políticos por meio das armas continua sendo a alternativa usada tanto pelas nações militarmente poderosas, como pelos povos insurgentes contra as iniquidades que os oprimem. Não há, hoje, tal como no passado, como ficar neutro ou imparcial, assistindo impassível as misérias da guerra e da opressão.

Uma palavra, negada pelas mídias mais tradicionais, ouve-se vinda do terror das primeiras décadas do século XX - Blitzkrieg, diziam os germano-nazistas em um passado distante das atuais gerações. Ela seria o ato de fazer um assalto militar com resultados rápidos e devastadores. Para tal, bastaria combinar a artilharia, a infantaria, os carros blindados e a aviação. Invadir, matar, pilhar, derrotar e, se necessário e possível, apropriar-se do território visado. Não dar qualquer chance de defesa ao inimigo, que, já se sabia de antemão, não teria força sequer parecida. Pisar sobre tudo que estiver na frente, não distinguir civis de militares, explodir, metralhar, deixando na passagem colunas de fumaça e montanha de corpos. Não importa que sejam de soldados ou de guerrilheiros, de mulheres, crianças ou de famílias inteiras. Nada é respeitado. Ninguém está a salvo de tal poder de destruição.

As blitzkriegs nazistas assombraram o mundo da época. Não havia mais lei ou limite nos novos modos de fazer a guerra. As barbaridades da Primeira Guerra Mundial ficaram para trás. Tudo era válido para aterrorizar populações inteiras e torná-las dóceis, por medo, obedientes e servis ao inimigo. Curiosamente, salvo honrosas exceções, na grande imprensa falada, televisada e escrita ninguém lembra das origens históricas destas operações funestas e descrevem a guerra de Gaza como se fosse um conflito em dois exércitos nacionais.

Pobre Palestina! Ainda não conseguiu se organizar como país. Nem mesmo tem um território convenientemente demarcado e inviolável. Não possui aviação, marinha, carros de combate e nem um exército. Nos seus portos chegam o que os israelenses permitem. Não pode, oficialmente, comprar armas ou receber ajuda militar de qualquer país. No momento, quem defende esta nação em frangalhos é Gaza, uma das partes ilhadas do território palestino. Seus combatentes são membros insignes de seu povo organizado em armas para defender o que é seu. Quem os ajuda internamente, muitas vezes são crianças com pedras colhidas das ruas, lutando contra as armas automáticas mais modernas que se conhece.

Os foguetinhos russos que o Hamas vem disparando em direção de Israel, os Katyusha, são fogos de artifício se comparados com o fogo que recebem do inimigo. Atingem, na maioria dos casos, ironicamente, as áreas que, antes da ocupação, os ascendentes dos palestinos habitavam. Conseguem fazer buracos no chão ou no telhado e vitimam, aleatoriamente, sem qualquer precisão, algum desavisado que não levou a sério o rugir dos sinais dos radares. Por sinal, estes não existem em Gaza. As imagens dos estragos feitos pelas forças de cada lado, exibidas pela TV, não deixam dúvida.

Os números dos mortos e feridos de cada lado são absurdamente desiguais, mais ainda, proporcionalmente, ao que ocorreu nas tenebrosas incursões alemãs do passado. Os soldados de Israel estão entre os mais preparados do mundo. Têm o melhor material de guerra conhecido e são mobilizados por uma ideologia fanática, fundamentalista, que justifica as atrocidades que cometem em nome da defesa de seu jovem Estado-nação.

Carregam um velho estigma do passado, representado pela baixa reação dos judeus ao Holocausto. Crêem, absurdamente, que os palestinos são os seus algozes de hoje, tal como foram os nazistas no passado. Reescrevem em suas mentes da história mundial e se acreditam, ainda, como um povo eleito e vítima da perseguição que seus antepassados conheceram na chamada Shoah. Pensam que, fazendo o que fazem, estariam defendendo seu presente, seu futuro e resgatando a auto-estima de seu passado. Esquecem que fazem parte da mesma humanidade que pisoteiam sem qualquer clemência. Seus atos, como os do eixo nazifascista, terminarão sendo julgados pela história ou quiçá por verdadeiros tribunais internacionais que defendam os direitos humanos para valer.

Só um louco, fascista e negacionista, pode esquecer-se do Holocausto e da terrível decisão final - eliminação física total dos judeus nos territórios ocupados pelo eixo nazista -, decretado pelo alto-comando alemão.

Qualquer cidadão respeitável não pode fechar os olhos sobre o anti-semitismo e sobre o que foi a Shoah. Não há como não ir às lágrimas ao se ver as imagens existentes dos antigos campos de concentração e ler os testemunhos dos sobreviventes. Só que hoje, apesar de haver ainda fortes resíduos do anti-semitismo, o preconceito voltou-se mais contra os partidários de Maomé. A islamofobia é bem mais forte e significativa do que o velho preconceito contra os judeus.

Não há como sofrer vivamente e se ter o mesmo sentimento que se tinha no passado, quando se tem acesso às imagens da Palestina destroçada e de tantos outros casos espalhados pelo mundo. Ver os registros da prisão/campo de concentração em Guantânamo produz igual reação em consciências sensíveis às dores da humanidade.

Neste mundo, repleto de fundamentalismos, esta guerra só veio para fortalecer todas as irracionalidades possíveis. Depois dela, ficará difícil pedir que a razão vença a emoção contida nas crenças dos mártires de Maomé. A jihad, no sentido dramático dado a ela, ganhará mais força. Serão justificáveis atos que pouco contribuem para a causa Palestina e a defesa do direito dos partidários do Corão ser tão respeitados como os da Bíblia e os da Torah. A violência inaudita desta guerra atual terá frutos muito negativos para a paz no mundo. Ao contrário de resolver problemas e inclusive melhorar a segurança de Israel, ela jogará mais lenha na fogueira.

Os defensores das guerras, normalmente, dizem que querem alcançar a paz. Listam alguns inimigos e chegam a afirmar, como agora fizeram alguns dirigentes ocidentais, que o culpado é o Hamas. A solução, portanto, seria eliminar os guerrilheiros desta facção palestina. Entretanto, não foi o Hamas quem invadiu o território alheio e jamais este pequeno grupo, como se está assistindo, foi capaz de ameaçar a real segurança de Israel. Eles são frágeis. Cheios de coragem e de determinação, mas não possuindo meios efetivos de barrar a ofensiva inimiga. Nesta direção, o Hezbollah, no Líbano, é bem mais poderoso. Talvez, por isso, os israelenses abandonaram o front libanês e invadiram Gaza.

Do pouco que se sabe sobre o Hamas, é correto dizer que se trata de um partido político que não é populista e corrupto como outras organizações que o precederam. Seus membros são recrutados entre os jovens palestinos da nova geração. Muitos do que estão morrendo no atual conflito são médicos, professores, engenheiros, cientistas, artistas etc que, na maioria dos casos, se formaram no Ocidente e voltaram para sua terra natal. Eles são os que levam a sério o destino de seu povo e de seu país em frangalhos. Não se trata de um grupo de lunáticos seguidores de um príncipe como os que cercam Bin Laden. Tudo leva a crer que são bem radicais e tocados pelo fundamentalismo islâmico contemporâneo. Não é difícil entender que tal ocorra em uma situação tão dramática. É pedir demais que sejam absolutamente racionais, lutando contra um mundo que os oprime de modo radical.

Há quem diga que esta guerra tem objetivos mais longínquos, na verdade quer-se atingir a Casa Branca, sem disparar um tiro no território do padrinho do Norte. Ela levaria o novo governo eleito a se definir frente os problemas do Oriente Médio, apoiando incondicionalmente Israel, como Bush o fez. O conflito mexeu com o mundo, obrigando que inúmeros países se pronunciar. Todavia, ainda não é possível saber qual será a verdadeira posição a ser assumida por Obama. Certamente, não será a mesma adotada por seu antecessor. O que se espera é que o novo governo dos EUA use a inteligência, não aprofunde o ódio e tome medidas efetivas para a paz mundial. Não há qualquer certeza que a atual trégua tenha vindo para ficar. Tudo dependerá de como a situação política internacional e local irá evoluir. Neste sentido, Obama no poder terá um papel crucial nos passos que serão dados na direção da paz ou da continuação do massacre.


quinta-feira, 5 de março de 2009

Sobre Conflito Entre Árabes e Judeus no Oriente Médio







Sempre me impressionaram relatos como o do fanático judeu que entrou numa mesquita e metralhou mais de uma dezena de fiéis em plena oração. Ou o esfaqueamento de judeus num ponto de ônibus por um árabe enraivecido. São claros sinais de um ódio já instalado dentro do coração de cada um. O fanatismo religioso é a principal usina do ódio entre as comunidades.Bernardo Kucinski.



Bernardo Kucinski


Sob todos os ângulos, o moral, o político e o histórico, o conflito palestino é complexo. Para mim, que vivi em Israel e lá tenho amigos e família, é também repleto de cargas emocionais e simbólicas. Relutei em escrever este artigo. Ocorre que mesmo antes do ataque já estava querendo escrever sobre o conflito. Com esse objetivo fui em novembro aos territórios palestinos da Cisjordânia, sob ocupação parcial de Israel, para ver com meus olhos e descrever a saga dos palestinos que precisam passar por postos militares de controle todos os dias ao transitar entre suas próprias vilas, campos e cidades.

O ataque a Gaza atropelou meus planos. As fotos de crianças mortas nos ataques a Gaza e algumas abordagens simplistas de colunistas de Carta Maior, em especial a de Boaventura Santos, sugerindo que o Estado de Israel resultou tão somente de uma trama colonialista que usurpou terras dos árabes, também me convenceram de que era preciso escrever. Abrir novas janelas de percepção. Problematizar, mesmo sem deixar de tomar, como sempre, o partido dos mais fracos.

A solução que encontrei foi adotar o ângulo mais geral da violência em si, em especial buscar os origens do ódio pessoal crescente entre indivíduos árabes e indivíduos judeus, além do ódio coletivo também em alta entre as duas comunidades. Sempre me impressionaram relatos como o do fanático judeu que entrou numa mesquita e metralhou mais de uma dezena de fiéis em plena oração. Ou o esfaqueamento de judeus num ponto de ônibus por um árabe enraivecido. São claros sinais de um ódio já instalado dentro do coração de cada um.

Mesmo antes do ataque a Gaza houve uma nova escalada nessa espiral de ódio. Em Jerusalém, há poucos meses, um operário árabe de uma construção subiu num trator e num gesto de fúria jogou a máquina contra carros de passeio, matando e ferindo. Dias depois, outro operário árabe fez o mesmo. No Cisjordânia, judeus de assentamentos atacaram agricultores árabes e cortaram suas oliveiras. Em Naharia, cidade aprazível à beira-mar, onde caíram foguetes disparados do Líbano após o ataque a Gaza, houve há três meses confrontos abertos de rua entre moradores árabes e judeus.

"A próxima etapa será uma terceira intifada (1), desta vez dos moradores árabes de Israel", prognosticava em tom fatalista, poucas semanas antes do ataque a Gaza, meu amigo Levy, um carioca que hoje mora num subúrbio de Tel Aviv.

O ataque a Gaza com a morte de tantas crianças, idosos e mulheres não combatentes – quase 40% do total de mortes - não só vai realimentar essa espiral de ódio recíproco, como pode ter tido o ódio como um dos seus motivos. É a tese de Gideon Levy, importante jornalista israelense, que critica sistematicamente as autoridades no jornal Haaretz. Indignado com o apoio da maioria da população israelense ao ataque, mesmo depois de testemunhar os seus horrores, ele diz que "racismo e ódio habitam os porões de suas mentes, assim como o impulso por vingança e a sede de sangue."

Quando e como nasceu esse ódio recíproco? A pergunta é relevante porque foi entre os povos árabes que os judeus gozaram de liberdade religiosa e acesso irrestrito ao saber, às artes e à medicina. O período de ouro da diáspora judaica se dá nos domínios do império árabe e sua desgraça começa exatamente com a queda de Granada para os cristãos em 1492 e a expulsão dos judeus de Espanha e Portugal. Surge a Inquisição que queimava judeus na fogueira, depois os pogroms que os abatia em suas aldeias e finalmente o Holocausto.

Nada comparável a essas tragédias, mesmo remotamente, aconteceu nos países árabes. Onde, como e quando nasceu esse ódio na Palestina? É a pergunta que persegue o grande escritor israelense e defensor da paz Amos Oz em seu principal livro, o autobiográfico "Do amor e trevas" (2). Ele era um menino em Jerusalém quando se deu uma brutal escalada no conflito e é com os olhos de uma criança que ele vai rememorando fatos e cenários. Lembra seu pai dizendo que cinquenta anos antes, no começo do século XX, coexistiam em harmonia em Jerusalém quatro grandes etnias, judeus, árabes cristãos, árabes muçulmanos e armênios. Além de se misturarem nas ruas, tinham seus bairros próprios, os "quarteirões." Jerusalém já era a maior cidade da Palestina, então uma província do Império Otomano, com 60 mil habitantes. Talvez Boaventura Santos não saiba que já nesses tempos a maior etnia eram os judeus, cerca de 35 mil.

Em 1922 e 23, depois da derrota da Turquia na grande guerra e em meio ao processo de outorga da controle da região à Grã Bretanha, eclodiram os primeiros levantes principalmente em Jaffa e Jerusalém. Incomodava os árabes a crescente presença de judeus disputando empregos e comprando suas terras, afrontando seus costumes. Mas o que realmente os movia já nesses anos 20 era um novo movimento nacionalista árabe que nasceu em Damasco. As manifestações, em geral de pequeno porte, degeneram em arruaças e algumas mortes. Não falavam em jogar os judeus no mar.

Alguns anos depois, em 1928, foi fundado no Cairo a Irmandade Muçulmana, sociedade secreta que pregava um modelo de Estado fundamentalista muçulmano, unindo Estado e religião, política e moral, mais ou menos como o instalado por Ghadafi na Líbia, meio século depois. Já os potentados árabes da região, sheiks, chefes de clãs e o rei do Iraque, cobravam dos ingleses a independência e a instauração de um califato árabe no Oriente Médio, como lhes havia sido prometido se eles se levantassem contra os turcos (3).

Nos anos 30, os conflitos recrudesceram na Palestina, já então dirigidos pelo maior autoridade religiosa árabe local, o mufti de Jerusalém, Haj Amin al Husaini, - que aderiu à causa nazista (4). Nascia a vertente xenófoba do nacionalismo árabe. O ódio ao diferente. Hoje a xenofobia árabe está no fanatismo religioso do Hamas e do Hezbola. Entre os judeus demorou mais, porque no início os religiosos eram contra ter um Estado Judeu. Alguns ainda são até hoje. Mas são judeus fundamentalistas do Brooklin que povoam, com ajuda financeira dos governos de Israel e dos Estados Unidos, os assentamentos na Cisjordânia. Agridem árabes, formam milícias, criam caso em torno de cada pedra do Hebron, que proclamam sagrada, porque ali sentou algum profeta numa de suas andanças; cortam oliveiras e pregam a expansão das terras de Israel até onde der. O fanatismo religioso é sem dúvida, a principal usina do ódio entre as comunidades.

Já os judeus de sua infância em Jerusalém, lembra Amos Oz, pareciam personagens de um romance de Tolstoi: intelectuais extravagantes, sonhadores barbudos, utópicos, poetas pacifistas e vegetarianos. Alguns pareciam o próprio Tolstoi. A maioria viera da Rússia, como seu tio Joseph Klausner, que estudou em Heidelberg porque judeus não podiam entrar nas universidades russas e falava sete línguas. Klausner dedicou quase toda sua vida à elaboração da sua tese assombrosa tanto para judeus quanto para cristãos de que Jesus de Nazaré foi um moralista judaico por excelência, nunca deixou de ser judeu e nem fundou religião alguma.

Em 1929 houve novos distúrbios de rua. O bairro Talpiot em que moravam Klausner e o escritor Agnon, lembra Amos Oz, foi atacado por árabes e a biblioteca dos dois parcialmente queimada. Um comissão de inquérito do governo britânico recomendou então que fosse colocado um limite à imigração de judeus. Nessa altura os ingleses já haviam se afastado da declaração Balfour de 1917, que expressava a simpatia do governo britânico pelo estabelecimento de um "lar nacional dos judeus". Havia então um milhão de árabes na Palestina e quase 400 mil judeus. Em 1937 uma nova missão britânica (5) colocou-se contra a criação de um Estado de caráter judeu, endossando a posição das lideranças árabes. Os governos árabes não admitiam que uma parte do território fosse alocada a um estado de caráter judeu.

Amos Oz nasceu em 39, ano em que os nazistas atacaram a Polônia dando início à Segunda Guerra Mundial e ao assassinato em massa de judeus. Aviões italianos jogaram bombas em Haifa e Jerusalém. Os tanques de Rommel chegaram quase às portas do Cairo. Antes do final da guerra a mãe de Amos já sabia que toda sua família, suas amigas e seus professores haviam sido mortos por alemães e poloneses nas florestas de Rovno. A maioria dos 60 mil habitantes de Rovno eram judeus e ali, já em 1919, tinham sido criadas escolas voltadas ao ensino em hebraico.

Em 1947, quando a ONU mandou uma comissão para estudar uma eventual partilha da Palestina em dois Estados um árabe e um judeu, Jerusalém já tinha cem mil habitantes judeus, e mais 65 mil árabes e outras etnias. Em todo o país a população judaica crescera muito, apesar dos ingleses terem imposto desde 1939, uma quota que limitava a entrada de judeus a apenas 15 mil por ano (6). A maioria era de fugitivos do nazismo. Surgiu a imigração ilegal e os campos de concentração em Chipre onde os infelizes que caíam nas mãos dos soldados ingleses eram internados.

Aconteceu então o ataque da organização terrorista judaica de extrema direita Irgun à aldeia árabe, Deir Yassin, nas proximidades de Jerusalém, no dia 4 de abril. Era dia de feira. Mais de 110 árabes foram mortos. Uma chacina sem explicação e sem precedentes. O Irgun se especializara em atacar os ingleses , principal objeto do ódio judeu na época. Era chefiado por Menachen Begin, rotulado de terrorista pelos ingleses e de fascista pelos sionistas de esquerda. O extremismo judaico de direita, laico, foi também um dos fomentadores do ódio.

Begin era um dos ídolos do pai de Amos Oz. É o mesmo Begin que 40 anos depois, como primeiro ministro, assinou o tratado de paz com o Egito (7).

Quatro dias depois da chacina de Deir Yassin, veio a retaliação: um comboio que levava professores para a Universidade de Jerusalém, situada no Monte Scopus e isolada do bairro judeu, foi emboscado por árabes e todos os seus 77 passageiros mortos, sob o olhar indiferente e cúmplice da polícia britânica. Entre os mortos, o diretor do hospital Hadassa e chefes de departamento da universidade .

Nessa emboscada aparece claramente o outro gene do ódio entre comunidades, a tática britânica de "dividir para governar." Em quase todas colônias do Império Britânico, ficou a herança do ódio entre comunidade, na Índia, na Guyana inglesa, na Palestina. O pai de Amoz Oz, era bibliotecário da universidade e só não foi morto porque naquele dia teve uma febre e não se juntou ao comboio. No dia seguinte, um novo massacre de 50 prisioneiros judeus que já tinham se rendido depois de derrotados numa batalha pela abertura do cerco de Jerusalém, em Gush Etzion. Esses três massacres num espaço de apenas cinco dias, explicáveis apenas pelo ódio, estabeleceram o padrão das relações entre as duas comunidades pelos tempos a fora.

No ano seguinte, a assembléia da ONU aprovou por 33 votos contra 13 a proposta da comissão de dividir a Palestina em dois estados. Por que não um estado bi-nacional ou multiétnico, como é o Canadá e mesmo o Líbano, logo ali na fronteira Norte? Porque nem as correntes majoritárias do sionismo e nem as lideranças árabes aceitavam essa solução. Entre as dez abstenções estava a Grã Bretanha. União Soviética e Estados Unidos votaram a favor. Brasil também.

Surgiu, então, o mais importante fator da violência na região do ponto de vista objetivo: o choque entre dois projetos para um mesmo e pequeno espaço geográfico. Os judeus logo proclamaram o estado de Israel. Embora céticos quanto à votação da ONU, haviam se preparado para isso há muito tempo. Os governantes árabes da região não aceitaram a partilha e declararam guerra. Exércitos árabes dos quatro paises vizinhos e mais o Iraque invadiram a Palestina. O resultado sabemos: os judeus perderam parte de Jerusalém (que reconquistariam depois na guerra de 67), e os árabes perderam na maioria dos outras frentes, incluindo grandes cidades de população mista: Jaffo, Tiberíades, Sfad.

Israel passou a controlar um território muito maior do que o originalmente definido pela ONU e não permitiu o retorno dos quase 700 mil palestinos que tinham fugido de suas casas no calor da luta. Expulsos pelos judeus, diz a historiografia oficial palestina, conclamados a fugir pelas próprios governantes árabes que lhes prometia o retorno triunfal, diz a historiografia oficial judaica. As duas situações aconteceram. Por isso um numero proporcionalmente tão grande de refugiados.

Surgiram os primeiros campos de refugiados palestinos na Jordânia, Líbano e faixa de Gaza. As terras originalmente alocadas a um futuro estado palestino, pelo plano de partilha da ONU, ficaram separadas em duas partes, isoladas uma da outra, a Cisjordânia e a faixa de Gaza.

Em 1951, um árabe assassinou o mais moderado dos governantes árabes da época, o rei Abdullah da Jordânia, para impedir que ele assinasse um acordo definitivo de paz com Israel, com o qual estava negociando. Quase meio século depois, em 1995, um judeu assassinou o primeiro ministro Itzchak Rabin para impedir que ele assinasse um acordo definitivo de paz com a OLP, com qual estava negociando. Esses dois crimes de uma simetria absoluta, mostram como o ódio contra o outro se introjeta em cada comunidade, criando a intolerância política e ódio contra o seu igual.

Nesses 45 anos houve três guerras relativamente convencionais entre Israel e os países árabes, em 1956, em 1967 e em 1973 nas quais as leis de guerra foram em geral respeitadas, mas a de 1967 provocou a fuga de mais palestinos que também não puderam mais voltar. Hoje, os refugiados palestinos e seus filhos e netos já são 4,1 milhões, pela contagem da ONU, em cerca de 60 campos nos países vizinhos que, exceto a Jordânia, se recusam a lhes dar cidadania plena. É um escândalo, uma anomalia, algo incompreensível e desumano, que mais de meio século depois ainda existam esses campos de refugiados, vivendo de ajuda "humanitária".

A recusa do Estado de Israel em recebê-los de volta, embora admitindo dar compensações e permitir a reunião de famílias, tem sido, ao lado do estatuto de Jerusalém, um dos grandes problemas em todas as tentativas de negociar a paz. Esses campos obviamente são terreno fértil para o ódio. Dele saem os comandos suicidas.

Entre os judeus foi se aprofundando a síndrome de Metzada, como é chamada a sensação de que estão cercados e serão um dia destruídos. E a convicção de que na hora agá ninguém os ajudará senão eles mesmos – o mote dos "biluim", os primeiros imigrantes da era moderna, que saíram da região de Karkov para a Palestina depois dos pogroms de 1881. Daí nasceu a tática dos ataques preventivos e a desproporcionalidade e brutalidade dos revides, adotadas nas guerras do Líbano e agora no ataque a Gaza, áreas de povoamento denso, nas quais seriam inevitáveis as mortes de dezenas de civis. "Nossos corações se endureceram e nossos olhos se turvaram", diz Gideon Levy, frase que hoje corre o mundo.

Entre os árabes foi se dando um racha, de início leve, hoje profundo, entre os que acabaram por admitir a existência do estado judeu, assinando tratados de paz (Egito e Jordânia), ou negociando a assinatura (OLP e Síria) e os que mantém a tese – defendida em Carta Maior por Boaventura Santos de que o estado judeu é uma usurpação de seus direitos, e propugnam a sua extinção: Hezbolla, no Líbano e Hamas, na faixa de Gaza sendo os grupos principais, com o governo do Irã apoiando.

Em 2000, Arafat rejeitou no último minuto uma ampla proposta de paz de Ehud Barack que talvez pudesse ter desmontado a espiral do ódio. Ehud Barack, esse mesmo que hoje comanda o pesado ataque a Gaza foi ao extremo de oferecer a devolução praticamente completa das terras ocupadas em 67, e dividir a autoridade sobre Jerusalém entre as duas comunidades. Aquele foi um momento raro, como esse instante fugaz em que as mãos de dois trapezistas se encontram no espaço.

É possível que se Arafat aceitasse, Barack teria problemas em aprovar o acordo na Knesset. Poderia até ser derrubado. O ódio poderia prevalecer sobre a razão. Mas quem recuou foi Arafat, e pelo mesmo motivo. Ele já sabia que havia uma segunda intifada em fermentação e temia uma revolta das bases contra o acordo liderada pelos grupos mais radicais. Temia jogar fora seu patrimônio acumulado de herói da resistência e passar a ser estigmatizado como traidor do povo palestino – xingamento hoje proferido pelo Hammas contra o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Muhamad Abbas.

O fracasso de Camp David reforçou a estratégia israelense de procrastinação, negociações de paz que nunca levam a nada, da qual se aproveitam para expandir a presença de novas colônias na Cisjordânia. Na faixa de Gaza isso também foi tentado, mas a idéia da absorção de mais 1,5 milhões de árabes para expandir o território em escala ínfima fez com que o governo decidisse pelo oposto: retirada os colonos judeus, e o fez à força.

Na Cisjordânia, o quadro é desolador. Foi onde estive com a ONG israelense de defesa dos direitos humanos, chamada Machsom Watch, criada em 2001 exclusivamente por mulheres para denunciar a violação de direitos humanos nos checking- points. Além do estabelecimento de colônias judaicas de modo ilegal, há fronteiras e postos militares de controle entre três tipos de administração provisória, retalhando o território palestino. Há regiões administradas pela Autoridade Nacional Palestina, há outras controladas por Israel e os de administração compartilhada.

"Desse jeito não há como ter um Estado palestino, são bolsões como os que havia na África do Sul", diz indignada minha guia, a israelense Racheli Bar Or, uma psicoterapeuta de Tel Aviv, militante do Machsom Watch. Em algumas estradas, como a rodovia número 5 que tomamos e vai até o grande assentamento judaico Ariel, só podem circular veículos de chapa israelense; em outras podem circular também carros oficiais da Autoridade Palestina, mas os particulares não. Há ainda restrições de horários e outras, que mudam constantemente.

Meu amigo Dov, um paulista que hoje também mora perto de Tel Aviv e quis nos acompanhar, servindo de fotógrafo, diz que as estradas exclusivas surgiram porque carros israelenses vinham sendo apedrejados, especialmente à noite.

No checking point Huwwara, que ficamos observando boa parte do dia, o maior abuso testemunhado foi a detenção por quase duas horas de um veterinário que inadvertidamente havia tomado uma estrada num horário em que não podia. Nesses casos, os soldados telefonam para uma central de comando, pedindo instruções.

"Esse controles foram instalados para impedir a entrada de homens-bomba e explosivos", explica Dov, apontando para uma instalação especial ao lado, na qual todos os pacotes e bolsas maiores dos árabes passam pelo raio xis. Mas Racheli diz que isso hoje é só pretexto. "A maioria dos controles ficam entre aldeias e cidades árabes e não entre o território palestino e o de Israel".

Hoje, o que era para ser temporário, parece definitivo. Instalações foram melhoradas, até para humanizar o controle. Em alguns checking points há banheiros. O que se vê é um sistema amplo, permanente e complexo de ocupação que vive por si mesmo. "Já fazem 41 anos", diz a minha guia Racheli, lembrando que a ocupação da Cisjordânia se deu na guerra de 1967. Muitos daqueles jovens estudantes árabes e até os mais adultos nunca viram outro cenário senão o da ocupação. Eu pergunto a Racheli se não existe um projeto não escrito de ocupação definitiva. Uma espécie de "secret agenda." Ela diz que sim , que é isso mesmo. "Falam uma coisa e fazem outra".

Nesse posto de controle, quase uma centena de lotações estacionam de cada lado, para trazer e levar de volta as pessoas às suas vilas e aldeias, ou levar a Nablus e trazer de volta. Às vezes aparece um ônibus inteiro. A maioria são jovens, que vão a Nablus estudar, mas há gente de todo tipo, senhoras carregando grandes sacolas, mães que levaram seus filhos a hospitais. Nablus tem 160 mil habitantes e 18 mil estudantes, grande parte deles, de cidades menores e vilas próximas.

Não vimos nada de dramático naquele dia em Huwwara. Mas num outro checking-point que visitamos no começo da noite, houve alguns incidentes entre soldados e habitantes todos muito nervosos. Racheli anotava furiosamente, para fazer o relatório do dia. Soldados se aproximaram e nos fotografaram. Lembrei-me na hora das nossas passeatas fotografadas pela repressão nos tempos da ditadura militar.

Em muitos checking-points foi criada uma passagem especial – depois das reclamações da Machsom Watch - , chamada "humanitária", por onde atravessam mulheres e idosos sem muita apurrinhação. Mas nada disso consegue anular a humilhação de ter que passar por um controle policial-militar, mostrar documentos e abrir bolsas todos os dias em suas próprias terras centenárias. Essa humilhação só pode alimentar ainda mais o ódio. Entre os soldadinhos israelenses – e são soldadinhos mesmos, jovens de não mais que 18 ou 19 anos – a desmoralização, por se verem convertidos em agentes da repressão e da ocupação.

O que mais me impressionou nessa vigília nos postos de controle, foi a soberba das jovens árabes. Lindas, fazendo questão de se vestir com elegância, com o corpo todo coberto exceto o rosto, realçado pelos belos lenços de seda, elas passam pelos controles silenciosas mas com seus olhos negros erguidos, como quem diz, "nós somos bonitas e educadas e vocês o que são?"

No caminho de volta, já noite escura, meu amigo Dov resumiu suas impressões. Disse que é tudo muito desagradável mas não acredita que exista um projeto não escrito de ocupação definitiva.

"No começo havia absurdos, uma mulher grávida que precisou mostrar a barriga, um cara que levava um violino teve que tocar uma música. O Machsom Watch fotografou tudo isso". E ai ele disse uma coisa que enfureceu a Racheli: "Vocês humanizaram a ocupação".

"Nossa função não é humanizar a ocupação, é acabar com a ocupação". Ela berrava. Exalava revolta e desgosto profundo, como se fosse nojo, pela política em relação aos árabes. Certamente Racheli estava no comício em Tel Aviv em que uma minoria não silenciosa protestou contra o ataque a Gaza e exigiu o fim imediato da guerra.


Notas:

(1) Referência às duas revoltas de jovens e adolescentes palestinos contra tropas de ocupação de Israel, a primeira em 1987 e a segunda em 2000.

(2) Cia. das Letras, 2005.

(3) Acordo com sheik de Meca, Hasain Ibn Ali, foi feito em 1915. A promessa foi reiterado após a derrota da Turquia, nas conversações de paz de 1921 ao seu filho Feisal, já então rei do Iraque. Nenhum deles sabia que os ingleses e franceses tinham assinado um acordo secreto (acordo Sykes-Picot de 1915-16), dividindo a região entre si em duas áreas de influência.

(4) O registro taquigráfico do encontro entre Haj Amin e Hitler em Berlim, em novembro de 1941, está no livro The Arab- Israel Reader, (Laqueur, W. e Rubin, B. editores), Londres, Penguin, Books, 1995 ( 5ª edição), pg. 68.

(5) Peel Comission. Desse relatório nasceu o famoso Livro Branco do governo Britânico de 1939, contra a idéia da divisão da Palestina em um estado judeu e outro árabe. O Livro Branco que enfureceu os judeus, limitava a imigração de judeus a 15 mil por ano, cessando-a por completo depois de cinco anos, exceto se os árabes aceitassem. A região deveria se tornar um Estado árabe. Ficava também proibida a compra de terras por judeus.Todos os judeus que haviam imigrado desde 1918, teriam seus vistos revistos.

(6) White Paper, de 17 de maio de 1939.

(7) Décadas depois ele se tornou primeiro ministro e assinou o primeiro acordo de paz, com o Egito.








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