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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Orelhudo e Danny - Daniel Dantas Condenado


Mino Carta




O juiz De Sanctis condenou o orelhudo a 10 anos de prisão e a uma multa de 14 milhões de reais, no processo que colocou Daniel Dantas no banco dos réus por sua tentativa frustrada de corromper um delegado da Operação Satiagraha.



A sentença é muito bem alicerçada e esta o presidente do STF, Gilmar Mendes, vai ter de engolir em perfeito silêncio.



Claro que Dantas recorrerá, e neste caso caberá ao STF a decisão final. A qual, é provável, reduzirá a pena.



Por ser réu primário, Daniel Dantas responde em liberdade, no entanto, na próxima condenação não vai escapar. E as pendengas em andamento são mais de uma.



Recebi dois telefonemas. Um de Totó Riina, diretamente do presídio de segurança máxima em que se hospeda. O outro de Jean-Paul Lagarride, diretamente do Deux Magots, onde tomava um copo de Sauvignon Blanc.



Disse Totó: "Agora o Brasil já não encanta tanto, mas só sossego quando o orelhudo for para a cadeia de vez". Respondi: "Como dizia Danny Kaye, veremos o que veremos". "O senhor acha que ainda se safa?", perguntou o boss de Corleone. Respondi: "Sei lá, o Brasil é ainda o Brasil da minoria branca...".


Disse Jean-Paul: "Estou a tomar um vinho em sua homenagem, você deve estar feliz". Respondi: "Feliz? Que exagero... Dantas é um símbolo, a pessoa não me interessa. Símbolo da falcatrua premiada. Quero apenas justiça, a bem de todos nós, a bem do País". Ao cabo, voltei a evocar Danny Kaye.





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Banqueiro Daniel Dantas



Supremo Ministro Gilmar Mendes





sábado, 8 de novembro de 2008

Exemplar Senhor Dantas

Exemplar Sr. Dantas
Luiz Gonzaga Belluzzo - Revista Carta Capital nº 504 de 16/07/2008
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1390

Luiz Gonzaga Belluzzo

"Preferi a tranqüilidade do silêncio ao ruído das propagandas falazes; não suportei afetações; as cortesias rasteiras, sinuosas e insinuantes, jamais encontraram agasalho em mim; em lugar algum pretendi subjugar, mas ninguém me viu acorrentado a submissões; - dentro de uma humildade que ganhei no berço, abominei a egomania e a idolatria; não me convenceram as aparências, e para as minhas convicções busquei sempre os escaninhos. No exercício das minhas funções de magistrado, diuturnamente, dei o máximo dos meus esforços para bem desempenhá-las,(...) em nenhum momento transigi com a nobreza do cargo; escapei de juízos temerários, tomando cautelas para desembaraçar-me das influências e preferências determinantes de uma decisão; - e, se alguma vez, inadvertidamente, pequei contra a lei, vai-me a certeza de que o fiz para distribuir bondade e benevolência".
Discurso pronunciado pelo juiz Luiz Gonzaga Belluzzo (1916-2000), por ocasião de sua aposentadoria.

Heidegger disse em seu livro sobre Nietzsche: a idéia do eterno retorno do mesmo é o desdobramento íntimo da idéia da vontade de potência. Nietzsche, atento às trágicas idiossincrasias do homem produzido pela sociedade moderna, seria incapaz de antecipar a completa realização de seus conceitos num país tropical. Aqui a vontade de potência reescreve, em vários capítulos, o eterno retorno do mesmo.

Em obediência à sabedoria nietzschiana, cuido de reescrever o texto que tantas vezes escrevi diante de episódios semelhantes ao da prisão de Daniel Dantas. Este senhor, cuja prisão é anunciada com pompa, mas nenhuma circunspeção, foi um servidor fiel das forças que agora promovem a sua liquidação moral e política.

Os cínicos ou néscios ignoram que o peso dos interesses e os interesses de peso transformaram os Estados Nacionais, uns mais que outros, em instrumentos de acumulação dos grandes grupos privados. Assim é o capitalismo realmente existente e, por isso, assim é (e sempre foi) nos Estados Unidos da América, desde os barões ladrões até o escritório de corretagem organizado por George Bush & cia. Essa engrenagem controla o Estado por dentro e, para reproduzir a si mesma, esmera-se em produzir os funcionários corruptos e os escândalos empresariais, num movimento simultâneo e paradoxal. Mas a autoconsciência do Estado Plutocrático americano não permite que a situação escape ao controle: institucionalizou o lobby e limitou o ilícito. O secretário do Tesouro, Henry Paulson, advogou publicamente a "suavização" da Lei Sarbanes-Oxley, promulgada depois da sucessão de escândalos promovidos pelas "inovações" financeiras da Enron e inventividades assemelhadas.

Na caricatura à brasileira, a falsidade da consciência sai pelas bocas, num jorro de hipocrisias. O Tratado de Trapalhadas Morais, da lavra do establishment nativo, contém a lógica essencial que inspira o combate aos maus costumes na administração pública: ocultar as raízes do mal. Não é surpreendente que os escândalos se multipliquem. Os liberais querem resolver isso fazendo com que o Estado deixe de se intrometer nos assuntos econômicos. Essa sugestão esbarra na lei de ferro da economia contemporânea: a luta para sobreviver às asperezas da concorrência nos mercados exige mediação financeira do Estado e a cooperação, lícita ou ilícita, dos que se envolvem na concorrência política.

Os mercadores de favorecimentos estão por toda parte, surgem dos cantos, brotam das paredes dos edifícios públicos. Tentar caçá-los como quem organiza um safári da ética é candidatar-se a um monumental fracasso e iludir o distinto público. A despeito de quantos rostos possa simular, o fenômeno é fácil de decifrar: na economia da concorrência imperfeita vale tudo para eliminar o adversário e saciar a sanha pela grana do Erário.

Nos locais de música ambiente e comida requintada, nos intervalos em que a taça do melhor vinho se afasta dos lábios, os sussurros lamentam os abusos dos agentes da lei. É tal a obsessão com hierarquia das coisas ou das pessoas que nem mesmo os corruptos e a corrupção conseguem escapar à fúria classificatória. Veja o caro leitor que as aventuras financeiras do senhor Dantas e as peripécias fiscais e cambiais de outros graúdos foram e continuam sendo apreciadas pela turma da anedota e champanhota sob o prisma da categoria social dos que perpetraram as malfeitorias.

Mas classe é classe, diria o conhecido locutor esportivo. Não foi outro o crivo ideológico, digamos assim, que levou ao arquivo morto da memória nacional as denúncias de evasão de divisas e fraudes fiscais promovidas no escândalo do Banestado. Os bem-nascidos nem sequer dissimulam sua convicção profunda a respeito do tratamento que deve ser dispensado aos criminosos de primeira, segunda e terceira classes. Devemos, porém, nos precatar contra dois argumentos antiéticos, mas que têm a mesma origem. O primeiro é dos espertalhões: já que todos são corruptos, diante da geléia geral, é melhor deixar tudo como está; o segundo é dos Torquemadas: todos são culpados, até prova em contrário.

As "espetacularizações' e fanfarronadas dos agentes da lei são o espelho da hipocrisia dos senhores. "Aos ricos daremos o mesmo tratamento que concedem aos pobres": o desrespeito, a violação dos direitos elementares, a humilhação pública. Danosos para a reputação da República e desastrosos para os direitos dos cidadãos, os arreganhos e vazamentos midiáticos estimulam os piores instintos do rebanho. A massa de remediados que se expressam na internet clama por justiça, mesmo à custa de insuflar a soldadesca que atira a esmo e mata inocentes. Uns e outros revelam impulso incontrolável para difundir uma visão do mundo elaborada a quatro mãos por Gêngis Khan e Al Capone.

Então caberia pesar as conveniências da execração de um personagem tão emblemático, uma encarnação dos vícios e das virtudes do sistema dominante. Os vícios são muitos. Deixo à imaginação do leitor o trabalho de enunciar o elenco. Quanto às virtudes, dentre as poucas, sobressai a capacidade de reprodução das alianças de poder mesmo à custa do sacrifício de alguns poderosos.

Esta, aliás, é a aposta dos que praticam profissionalmente o conhecido esporte de chute ao cadáver. Alguns senhores e seus jagunços já preparam - quando ainda não desferiram - requintados pontapés na carcaça de quem, afinal, serviu tão bem a seus interesses e apetites. Talvez por isso tenham escapado do naufrágio do regime militar, entronizados na democracia como um corifeu das liberdades.

Nada pode ser mais trágico para uma sociedade do que a particularização da prestação da Justiça. No episódio Dantas, o vício da particularização deu o ar da graça no deplorável debate travado no Senado da República. O bate-boca revelou uma supina incompreensão dos parlamentares, dos que defenderam e dos que atacaram a decisão do presidente do STF. Adstrita ao cumprimento da lei, a decisão caminhou na contramão dos arreganhos autoritários da opinião massificada. A contaminação das decisões judiciais pelos movimentos mercuriais da opinião das massas é o descalabro. Há quem perceba o fenômeno e o abomine, mas prefere se recolher diante da contundência e da ousadia dos que buscam - enquanto escapam pela tangente - saciar os clamores de justiça nascidos no baixo-ventre.

A concentração e confusão de poderes reproduzem dois fenômenos gêmeos, funestos para a ordem democrática: a apatia popular e a busca de heróis vingadores, capazes de limpar a cidade (ou o País), ainda que isto custe a devastação das garantias individuais. Nesta cruzada antidemocrática, militam os agentes da lei que fazem gravações clandestinas ou inventam provas, e os jornalistas que, em nome de uma "boa causa", tentam manipular e ludibriar a opinião pública.

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Daniel Dantas





sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Virando o Jogo

Virando o Jogo
Luis Nassif - 04/09/2008
http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8805

Luis Nassif



Por Paulo Siqueira:


Nassif,

Após quase 2 meses da Operação da PF que prendeu Daniel Dantas e seus associados, flagrados em operações financeiras e conversas criminosas, temos a seguinte situação:

1 - O delegado e auxiliares que comandaram a operação foram afastados estranhamente do caso;

2 - O Juiz foi achincalhado, por ter determinado as prisões;

3 - Ambos foram e continuam sendo desmoralizados, por diversos órgãos de imprensa, sobre o uso de carros, declarações, etc..;

4 - Um Presidente do STF melindrado, achando que sua decisão apressada em conceder o habeas corpus ao Daniel Dantas foi descumprida, correu em conceder o 2º, mesmo diante das novas evidências;

5 - Dá-se ao Ministro Gilmar Mendes, o microfone da indignação contra ações ditas policilescas e passa-se a impressão de que todos estamos desassistidos;

6 - Ao mesmo tempo, o Sr. Daniel Dantas ganha foro privilegiado, não pode ser preso em nenhuma hipótese, mesmo que apanhado com o dinheiro nas mãos;

7 - Os desafetos de Dantas, aqueles que o investigaram, denunciaram e esclareceram seus esquemas, foram afastados dos seus cargos. Dentro da PF e da Abin, Dantas não tem mais adversários no comando;

8 - Esqueceu-se o caso principal: Onde estão as mesmas páginas de jornais e revistas a investigar Dantas, suas empresas e suas atitudes????

Numa completa inversão de valores, hoje os acusados estão em paz, e os acusadores estão no inferno.

Se este conjunto de fatos não estão ligados, a lógica perde um grande admirador.




quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Violência Financeira de Daniel Dantas Supera a da Polícia




Violência Financeira de Dantas Supera a da Polícia
Pedro do Couto - Tribuna da Imprensa - 12/08/2008
http://www.tribuna.inf.br/pedro.asp


Pedro do Couto



No seminário realizado dia 4 de agosto pelo "O Estado de S. Paulo", cujas conclusões foram publicadas no dia seguinte em vários jornais, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, afirmou-se preocupado com as ações das autoridades policiais, no episódio Daniel Dantas, voltadas para um espetáculo - frisou - destinado a garantir espaço no JN da Rede Globo.

Gilmar Mendes condenou o uso de algemas usadas nos ladrões de casaca e defendeu uma legislação para controlar a atuação da Polícia Federal. Além disso, propôs a criação de Varas Especiais na Justiça para julgar casos de abuso de autoridade. Participaram do painel o ministro Tarso Genro, o presidente da OAB, Cezar Brito, e o procurador geral da República, Antônio Joaquim de Souza. Ninguém, na verdade, pode defender a violência policial ou militar, a exemplo do que ocorreu no Brasil nos anos de chumbo. Mas devemos considerar que não existe apenas este tipo de violência.

Existe a violência econômica. Existe a violência financeira, caso no qual o enigmático Daniel Dantas se enquadra mais que amplamente. Uma violência sem limites, como até os casos de tentativa de suborno comprovam. Dois emissários do banqueiro, Humberto Braz e André Chincaroni, encontram-se presos pela tentativa de suborno ao delegado Protógenes Queiroz. Um caso, como se vê, gravíssimo. Tão grave que o presidente do STF negou habeas-corpus a estes dois personagens. Estão presos. Não sei por quanto tempo, mas estão presos.

A violência policial atinge os direitos humanos, sem dúvida, isso, porém, nos casos em que ela pode ser evitada. O uso das algemas nos ladrões de casaca é de fato dispensável. Eles não são fisicamente violentos. Sua agressividade reflete-se no plano das leis que violam todos os dias. Por isso, acho que o ministro Gilmar Mendes deve voltar sua atenção também para este plano, para este aspecto. Sobretudo porque os prejuízos financeiros decorrentes são infinitamente maiores que os causados pela ruptura dos limites policiais adequados. O desrespeito à lei é mil vezes maior. Sem dúvida alguma. Vou dizer por quê.

Uma das acusações mais fortes contra Daniel Dantas é a evasão de moeda brasileira para o exterior, através de doleiros, e sua acumulação em paraísos fiscais. De onde retornam, para o mercado financeiro nacional, como se fossem recursos de investidores estrangeiros. Na operação, está configurada a perda de divisas, quanto à sonegação fiscal. Violação indiscutível da lei brasileira. Em setembro de 1962, governo João Goulart, entrou em vigor a Lei 4.131, lei de remessa de lucros à qual me referi na coluna de primeiro deste mês. No seu artigo 2º, mantido pela Lei 4.390 de agosto de 64, texto este de autoria de Roberto Campos, foi mantida a seguinte determinação:

"Ao capital estrangeiro que se investir no País será dispensado tratamento jurídico idêntico ao concedido ao capital nacional, em igualdade de condições, sendo vedadas quaisquer discriminações não previstas na presente lei".

Citado no artigo de 1 de agosto, meu amigo Gilberto Paim, o verdadeiro autor do projeto original do deputado Sérgio Magalhães, Lei 4.131, em recente almoço comigo pede atenção para a Lei 4.390. Deseja mostrar que Roberto Campos, primeiro-ministro de Castelo Branco, não acabou com as restrições à remessa de lucros. Tornou a saída de capital em vinte por cento mais elástica, mas instituiu, dependendo do montante remetido, um imposto variável de 15 a 25 por cento. Este limite está sendo respeitado hoje? A incidência do imposto está de fato incidindo? Eis aqui duas boas perguntas para o ministro Guido Mantega e para o presidente do Banco Central, Henrique Meireles.

Importantes as respostas. Isso porque a legislação não mudou. Tanto não mudou que a Medida Provisória 2.224/2001, do presidente Fernando Henrique, ainda não transformada em lei de conversão pelo Congresso até hoje, cita especificamente o artigo 2º da 4.131 mantido pela 4.390. Entretanto, não por lei, mas por resolução, o Banco Central adota critério diferenciado para as aplicações externas no mercado financeiro nacional. Bom tema para o procurador geral Antônio Joaquim de Souza.

Se o Banco Opportunity, através dos fundos que possui ou opera, envia para o exterior recursos que voltam ao País como estrangeiros, logrando com isso isenções fiscais e tributárias, está agindo contra a legislação brasileira. Não pode haver outra interpretação. Caso não esteja infringindo a lei e a ordem, deve explicar claramente qual a sua verdadeira engrenagem.

Na hipótese de desencadear atividades ilegais, entre elas a tentativa de suborno, evidentemente o Esquema Daniel Dantas está agindo com extrema violência contra os próprios interesses do País. Tal violência, não há como refutar, é muito maior do que a da Polícia Federal ao colocar algemas no nebuloso protagonista de tantas tramas e traumas.

Por isso tudo, penso que o ministro Gilmar Mendes não deve restringir suas preocupações somente quanto ao aspecto formal da ação da polícia, mas principalmente deslocar seu pensamento também para o universo sofisticado dos crimes de colarinho branco e casaca que causam prejuízos ao Brasil de muitos bilhões de dólares. Afinal de contas, inclusive, são crimes continuados que se repetem há quase duas décadas. O dinheiro sai, o dinheiro volta, a Receita Federal nada arrecada. A corrupção prossegue. Numa velocidade de milhares de dólares por hora.

Enquanto isso, no Brasil, os juros sobem. A economia desce. Mas os juros altos - afirmou Delfim Neto ao "Jornal do Commercio", edição do dia 5 - não garantem o controle da inflação. Não garantem mesmo. Só a produção dinâmica em busca do mercado interno é capaz disso.











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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Esqueceram que Daniel Dantas era o acusado





A primeira reação da mídia foi a de se refugiar em seu papel noticiarista
: a prisão do banqueiro Daniel Dantas, de sua irmã e de outros parceiros de negócios foi acompanhada pelas lentes dos fotógrafos e dos cinegrafistas, e pelas diligentes anotações dos repórteres. Aí, os acusados eram Dantas e outros integrantes ou parceiros de negócios do Grupo Opportunity. Num segundo momento, os meios de comunicação embarcaram nos protestos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que acusou o delegado da PF, Protógenes Queiroz, de sensacionalista, jogou pedras sobre o Ministério Público e soltou todos os presos, exceto os envolvidos diretamente na tentativa de suborno de um delegado. Foi quando os acusados passaram a ser a Polícia Federal e o Ministério Público. Em seguida, sob pressão da mídia, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e a direção da Polícia Federal forçaram o afastamento dos delegados responsáveis pelo inquérito. A partir daí, os dedos acusadores da mesma mídia apontaram para o governo, que teria abortado a ação saneadora do delegado Protógenes, antes aquele que cometeu abusos contra acusados.


Exceto no primeiro capítulo da novela Daniel Dantas, o foco da mídia não foi o dos negócios do banqueiro - ou empresário, ou sócio de empresas fantasmas, ou seja lá o que for - que estava sob investigação da polícia, mas os supostos crimes cometidos pela PF, ou uma ação política do governo para esvaziar o inquérito produzido por delegados da PF antes acusados de cometer ilegalidades.

É difícil cobrar um comportamento sempre coerente da mídia: no calor dos fatos, reportar e julgar ao mesmo tempo, sem ter todas as informações, embute um enorme risco de erro. Mas é inegável que as oscilações abruptas de julgamento - e de foco - têm evidentes efeitos colaterais. A desautorização do inquérito da PF em determinado momento - desautorização pura e simples, sem ressalvas - serviu à defesa de Dantas. É certo que o inquérito cometeu erros crassos, misturou estações e interpretou de forma muito equivocada alguns grampos - e perdeu credibilidade ao misturar pessoas envolvidas nos negócios de Dantas com outras que simplesmente foram citadas e não tinham culpa nenhuma no cartório. Mas os meios de comunicação também não separaram as coisas. Primeiro, publicaram tudo como se fosse tudo verdade e, quando se depararam com a dificuldade de comprovar o envolvimento de alguns dos citados, a tendência foi a de generalizar a acusação de "abuso", como se prender alguém que mandou corromper um delegado fosse algo impensável, pelo menos quando essa figura é um banqueiro. Quando resolveram rever sua opinião sobre a polícia - e isso ocorreu quando foi possível acusar o governo de pressão política sobre a instituição - a guinada foi radical: a PF não era mais leviana, mas moralizadora, e era essa PF moralizadora o objeto das pressões de um governo.

Nesses dois extremos, a mídia também foi o veículo da sensacionalização. Se a PF foi sensacional, foi porque o fato dado a conhecimento foi reverberado pela mídia sem qualquer filtro. Daí foi a própria mídia a acusar o sensacionalismo e pressionar por uma posição de governo contra o que considerou abusos. E foram os próprios meios de comunicação quem, à ação corretiva dos superiores do delegado, acusaram sensacionalmente o governo de ter pressionado a instituição a não apurar fatos relativos ao inquérito contra Dantas e grupo.



Mídia mudou de posição sobre a PF várias vezes.



Nesse processo, o resultado mais palpável foi que em alguns dias Daniel Dantas e suas ações pouco republicanas saíram rapidamente de foco e deram lugar a um debate surrealista sobre o que é um abuso policial e sobre até onde vai a autonomia da PF diante de uma pressão do governo (dada como certa e definitiva) sobre a instituição para não apurar os fatos - que, ao mesmo tempo, segundo a mesma imprensa, fez um inquérito que beirou o abusivo. É surrealista porque em nenhum momento a imprensa analisou o seu próprio papel no caso. E isso inclui o fato de que toda a informação que uma instituição vaza é publicada por algum veículo de comunicação. Se foi um abuso o vazamento de todo o inquérito, inclusive as partes relativas a pessoas que não são parte dos delitos cometidos pelo grupo de Dantas, de quem é o abuso? De quem vazou ou de quem publicou a informação vazada?

Desde a promulgação da Constituição de 1988, o país vive ciclos em que uma ou outra instituição se impõe sobre as demais quando assume como exclusivamente seu o papel de repressão ao crime e de guardião da moralidade. O Ministério Público já esteve nessa situação, assim como os juízes de primeira instância. Agora é a vez da PF. Todas as vezes que uma instituição se excedeu, no entanto, foi porque encontrou eco na mídia. Foram os veículos de comunicação que deram guarida aos sucessivos vazamentos de investigações do MP ou de processos que corriam na Justiça; como hoje dão abrigo aos vazamentos da PF. Não raro, um vazamento de informação acaba justificando um pedido judicial da mesma instituição que fez o vazamento; ou é usado como pressão política contra partidos e governos; ou é exibido como prova de eficiência, em movimentos de valorização corporativa. Portanto, a informação, pretensamente acrítica, não é neutra. Ela tem usos políticos e corporativos.

Não dá para debater os eventuais abusos de instituições sem reconhecer que o jornalismo teve um papel fundamental nos processos de hipertrofia dos poderes de uma ou outra, em determinados períodos. É um engano imaginar que a informação acrítica é neutra. Ela é apenas acrítica - e isso não significa sequer ser independente. O próprio modus operandi de Dantas é prova disso. A farta produção de dossiês para destruir reputações de inimigos foi um fato. Se os jornais e revistas os publicaram, fizeram um favor a Dantas. Esse comportamento está longe de ser neutro. Se um inquérito policial atinge quem não deve atingir, e a imprensa não filtra essa informação, pode lançar o descrédito em todo o inquérito e contribuir para a impunidade dos que devem efetivamente ser punidos. Ou pode abalar as reputações de quem nada deve.
















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terça-feira, 15 de julho de 2008

Daniel Dantas, o homem de um milhão de reais




O homem de um milhão de dólares
Sérgio Lirio - Carta Capital - 14/07/2008
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1436





Humberto Braz, que tentou subornar a Polícia Federal para retirar o nome de Daniel Dantas
das investigações da Operação Satiagraha, entrega-se às autoridades.
Crédito da foto: montagem com imagem de Marcos D'Paula/AE e reprodução de TV.




Humberto Braz, que estava foragido desde a terça-feira, 8, quando a Polícia Federal realizou a Operação Satiagraha, entregou-se nesta segunda, 14. Braz é acusado de, em parceria com o professor Hugo Chicaroni e a mando de Daniel Dantas, tentar corromper o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira. Os dois ofereceram um milhão de reais ao delegado para que ele retirasse o nome de Dantas da investigação e, em seguida, armasse alguma operação contra o empresário Luís Roberto Demarco, ex-sócio e desafeto do banqueiro.

Braz é apontado pela PF como braço-direito de Dantas na "organização criminosa" investigada há quatro anos. Ele e Chicaroni tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Até hoje, Chicaroni era o único entre os mais de 20 presos pela Satiagraha que permanecia na carceragem da Polícia Federal em São Paulo.


Ex-executivo da Andrade Gutierrez, Braz já cumpriu várias missões e lobbies em nome do banqueiro. Quando foi presidente da Brasil Telecom Participações, nomeado por Dantas, cumpria uma forte agenda de lobby com políticos e jornalistas. Auditoria dos sócios da Brasil Telecom, após a remoção do Opportunity da gestão da empresa, capturou a agenda de encontros de Braz (CartaCapital, edição 377, de 25 de janeiro de 2006). Nela estão registrados encontros freqüentes com vários dos personagens envolvidos no chamado escândalo do mensalão, entre eles o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.


Braz também se reuniu 15 vezes com Eduardo Rascovisky, acusado de tentar corromper Sérgio de Carvalho, marido da juíza Márcia de Carvalho Cunha, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A juíza havia dado sentenças desfavoráveis aos interesses do Opportunity em disputas judiciais pelo controle das empresas de telefonia. Após o fracasso da tentativa de suborno, Márcia Cunha passou a ser alvo do grupo de Dantas, na imprensa e nos tribunais. Acusada de copiar o texto de advogados de adversários de DD em um despacho, a magistrada enfrentou um processo administrativo e quatro pedidos de suspeição. Sua vida foi devassada. Sem aguentar as pressões, ela à época (em 2004) procurou a imprensa para se defender. Os encontros entre Braz e Rascovisky coincidem com o período da tentativa de suborno do marido da juíza e com os posteriores ataques ao seu trabalho.


O lobista de Dantas foi ainda o intermediário da oferta de sociedade que a Brasil Telecom fez à Gamecorp, que tem entre os sócios Fábio Lula da Silva, filho do presidente Lula. Não fosse o consultor Antoninho Marmo Trevisan, chamado a ajudar no processo, a Gamecorp teria se associado à empresa então controlada por DD. Mais tarde, Oi (ex-Telemar) investiu na produtora de programas de jogos.


E mais: Braz parece ser a "testemunha-bomba" que Dantas apresentou à Justiça de Nova Iorque para provar que o governo interferiu a favor da Oi na disputa pelo controle da Brasil Telecom. Braz, como já se disse, trabalhou na Andrade Gutierrez, uma das principais acionistas da Oi. DD sustenta que o governo sempre agiu contra ele para facilitar a fusão entre a BrT e a Oi. Antes que a fusão fosse acertada, o Citibank cobrava no mínimo 300 milhões de dólares do Opportunity por prejuízos causados pelo banco brasileiro à época em que administrava os recursos da instituição norte-americana.















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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Obrigado, Gilmar Mendes, por soltar Daniel Dantas



Obrigado, Gilmar Mendes, por Soltar Daniel Dantas
Hélio Fernandes - Tribuna da Imprensa - 11/07/2008
http://www.tribuna.inf.br/coluna.asp?coluna=helio



Hélio Fernandes




LIBERDADE É O BEM SUPREMO

Daniel Dantas, gloriosamente em liberdade, é tudo, o rol dos seus crimes não poderia ser publicado, mesmo utilizando um jornal inteiro. Mas uma coisa é irrefutável e irrevogável: NÃO É MENTIROSO. Publicamente, em entrevista vastamente citada, não escondeu, até fez questão de revelar: "Meu problema é na PRIMEIRA INSTÂNCIA. Depois, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, resolvo com facilidade".

O criminoso bilionário, de dentro da cadeia, usando apenas o advogado milionário, resolveu tudo. O criminalista milionário não pode festejar como sua a vitória e a libertação do cliente. Todo o mérito foi desse criminoso-bilionário.

Como um intermediário de luxo, fez apenas uma viagem a Brasília, voltou em alta velocidade para São Paulo, ficou esperando na porta que o cliente, a irmã e o ex-cunhado fossem libertados. O presidente Gilmar Mendes, cuidadoso, colocou "que a ordem de libertação fosse cumprida imediatamente". Como se alguém se atrevesse a NÃO SOLTAR NA HORA, SEM DEMORA, deixar de cumprir a decisão que libertava um PROTEGIDO da Justiça.

O ministro Gilmar Mendes E-R-R-O-U duas vezes, na véspera e no dia em que concedeu o habeas-corpus. Véspera: sabia que ia julgar o habeas-corpus, não podia dizer coisa alguma, seu silêncio deveria ser total e absoluto. Mas falou, e inconseqüentemente. Textual: "Isso faz inveja ao regime soviético". Depois, criando até uma palavra: "A ESPETACULARIZAÇÃO da polícia é um fato condenável".

Vejamos. A polícia não deu um passo sem estar "coberta" pela Justiça. Toda a investigação foi autorizada por juízes, na hora e no dia das prisões. Apenas cumpria mandados de prisão, e busca e apreensão. Essa ESPETACULARIZAÇÃO foi feita pela polícia? Ela não tem canais de comunicação, se a televisão foi autorizada a "cobrir e divulgar tudo", o que a polícia pode fazer?

No dia seguinte: o ministro concedeu o habeas-corpus que antecipadamente sabia que iria julgar. E ainda avançou por caminhos perigosamente injustos, ao dizer: "Não havia motivo para a prisão". Quer dizer: para o ministro Gilmar, corromper um delegado, que investigava Daniel Dantas, pagar a ele em parcelas 1 milhão (de dólares ou reais), tudo gravado, filmado, constatado com ORDEM JUDICIAL, não é crime. Tanto dinheiro em casa não convenceu nem empolgou o ministro, que já estava com sua "convicção" firmada.

Deixemos de lado essa jurisprudência firmada pelo próprio presidente do Supremo, de que "CORROMPER AUTORIDADES NÃO É CRIME", continuemos a examinar a questão, já não mais no âmbito da Justiça.

O que fará Daniel Dantas, agora em LIBERDADE PERMANENTE, só poderá ser preso depois de CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. Viverá tanto tempo? Viajará para o exterior?

Deve ficar no Brasil mesmo, não obterá em nenhum outro lugar a proteção conquistada aqui. Não pode ir para os EUA, lá responde a um processo movido contra ele pelo Citibanque. E se o banco americano vencer, todo o dinheiro que Daniel Dantas ROUBOU a vida inteira não será suficiente para pagar essa indenização. A ligação Daniel Dantas-Naji Nahas surgiu exatamente por causa desse processo do Citibanque. Não podendo ir aos EUA, serviu-se de Naji Nahas, que sabidamente tem as mesmas CONVICÇÕES e FORMAÇÃO, são IRMÃOS GÊMEOS NO CRIME FINANCEIRO.

Foi o próprio Daniel Dantas que levantou a IDÉIA DE QUE estava sendo perseguido POR CAUSA DO MENSALÃO. Idéia brilhante, dele e do advogado milionário. Ontem mesmo revelei, não custa lembrar: NUMA OPERAÇÃO ILÍCITA de quase 6 BILHÕES, Daniel Dantas DOOU a Marcos Valério apenas 132 milhões. Além do mais, o mensalão é recentíssimo, Daniel Dantas é CRIMINOSO FINANCEIRO NOTÓRIO pelo menos há 20 anos.

Naji Nahas e Celso Pitta não entrarão com habeas-corpus no Supremo. Modestos, também indefensáveis como Daniel Dantas, sabem que não ganharão. Gilmar Mendes dará demonstração de firmeza, espírito de justiça e respeito pela Justiça, mantendo os dois na prisão até que o julgamento transite em última instância.

PS -
Ave, Gilmar, os que ganharam a liberdade te saúdam.

PS 2 - Daniel Dantas foi solto às 5 horas da manhã e preso novamente às 5 da tarde. Houve desrespeito ao habeas-corpus do ministro Gilmar Mendes? De maneira alguma. Acontece que Daniel Dantas cometeu tantos crimes financeiros, que a cada habeas-corpus corresponde uma nova prisão.

PS 3 - Dantas é tão criminoso, que a cada ano Gilmar Mendes poderá conceder 360 habeas-corpus, que ele será preso outras 360 vezes. Sua quadrilha foi desmantelada, o objetivo de Dantas agora é ver se fica em liberdade pelo menos duas vezes por semana.












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