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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Excelente artigo de Leonardo Boff - Ele tem moral e credibilidade




A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma
Leonardo Boff - Vermelho - 14/10/2010
http://www.vermelho.org.br/



"Esta história de vida me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade".



Leonardo Boff

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário. Esta história de vida me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a mídia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade.

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discursivo pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da mídia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a mídia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da mídia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.








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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Israel - Manter a imprensa afastada não funciona



Manter a imprensa afastada não funciona
Robert Fisk - Observatório da Imprensa - 07/01/2009
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=519JDB010



Reproduzido de O Globo, 06/01/2009; título original "Manter a imprensa afastada de Gaza não funciona".


Do que Israel tem medo? A velha desculpa de "área militar fechada" para impedir a cobertura dos veículos de comunicação durante ocupações de terras palestinas tem sido usada por anos. Mas a última vez que Israel resolveu jogar esse jogo - em Jenin, em 2000 - o resultado foi um desastre. Impedidos de ver a verdade com seus próprios olhos, os repórteres divulgaram a versão dos palestinos, que denunciaram ter ocorrido um massacre promovido por soldados israelenses - e Israel precisou levar anos negando. Na verdade, ocorreu um massacre, mas não na escala inicialmente denunciada.


Agora, o Exército israelense está tentando usar a mesma estratégia. Banir a imprensa. Manter as câmeras longe.

Ontem (segunda, 05/01/2009) pela manhã - poucas horas após o Exército israelense avançar pelo interior de Gaza para matar mais membros do Hamas e, é claro, mais civis - o Hamas anunciou a captura de dois soldados israelenses.

Sem um único jornalista ocidental em Gaza, os israelenses deixaram de dizer ao mundo se essa informação é ou não verdadeira.

Por outro lado, os israelenses são tão cruéis que as razões para banirem a imprensa podem ser facilmente explicadas: há muitos soldados israelenses matando muitos inocentes, provavelmente muito mais do que sabemos. E as imagens da matança seriam fortes demais para se tolerar.

Não que os palestinos tenham feito muita coisa para ajudar.

O sequestro por palestinos de um funcionário da BBC em Gaza, finalmente reivindicado pelo Hamas, fez com que meses atrás redes de TV de todo o mundo considerassem perigoso demais manter correspondentes em Gaza.




Lado sombrio

Voltando aos anos 80, a então União Soviética manteve todos os jornalistas ocidentais fora do Afeganistão.

Aqueles que estavam cobrindo a invasão russa e suas consequências brutais não conseguiam entrar no país, a não ser com a ajuda de militantes islâmicos. Na época, recebi uma carta de Charles Douglas-Hume, que era editor do The Times, para o qual trabalhava, fazendo uma importante observação. "Agora que não temos cobertura regular a partir do Afeganistão", escreveu ele, "ficaria muito agradecido se você pudesse assegurar que as informações mais importantes vindas daquele país estão sendo publicadas. Não devemos deixar os fatos ocorridos no Afeganistão sem registro somente porque não temos um correspondente lá".

Que Israel usa uma velha tática soviética para tentar cegar os olhos do mundo pode não ser exatamente uma surpresa. Mas o resultado é que a voz dos palestinos domina agora as transmissões.

Homens e mulheres palestinos que estão sob bombardeio aéreo e terrestre israelense estão agora contando suas histórias na TV, no rádio e nos jornais como nunca conseguiram contar antes, pois falam em reportagens sem qualquer tipo de avaliação da situação feita pelos correspondentes. Talvez isso se torne uma nova forma de cobertura - deixar os envolvidos contarem suas próprias histórias. O lado ruim, é claro, é que não há ninguém da imprensa ocidental em Gaza para fazer questionamentos ao Hamas, o que é uma vitória para o grupo.

Mas há um lado ainda mais sombrio dessa história. A versão israelense dos fatos tem sido tão acreditada pelo governo Bush que impedir jornalistas em Gaza pode ter se tornado uma questão menor para os militares.



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Robert Fisk





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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Fogo Sobre Gaza - A Futilidade do Mal






Revelou-se um tiro na água o esforço israelense de controlar a informação sobre a ofensiva na Faixa de Gaza. Nem o uso intensivo da blogosfera e das novas mídias - comparadas a um "campo de batalha" por um porta-voz do exército de Israel - para justificar a guerra ao Hamas parecem ter dado ao país o apoio da opinião pública internacional, nem o bloqueio do acesso da imprensa ao território atacado a impediu de relatar a destruição e o sofrimento infligidos ao seu 1,5 milhão de habitantes.

Para o leitor brasileiro, isso há de ter ficado claro a partir de duas substanciosas matérias da Folha sobre a guerra e a comunicação ("Israel veta jornalistas e propaga sua versão sobre ação em Gaza", no sábado, 3, e "Veto israelense motivo apelos de jornalistas à criatividade", na segunda-feira, 5).

A primeira, produzida na redação com despachos de agências e textos de jornais estrangeiros, dá uma idéia do aparato montado por Israel para ocupar os espaços na internet, entre outros materiais, com vídeos sobre os ataques dos mísseis do Hamas a cidades do sul do país, violando o cessar-fogo em vigor desde junho - o motivo declarado para a ofensiva desencadeada em 27 de dezembro.

Israel criou um Diretório Nacional de Informações que se transformou numa "plataforma de cooperação de todas as entidades que lidam com relações públicas", nas palavras do seu chefe ao diário britânico Guardian.

Essas agências alimentam o YouTube com cenas não só de alvos israelenses do Hamas, mas também de ações, presumivelmente escolhidas sob medida, em Gaza.

A propaganda parece ter esquecido, no entanto, de que a imprensa em Israel é livre. O jornal Haaretz, considerado o melhor do país, tirou o gás das imagens difundidas pelo governo de um caminhão atingido pela aviação israelense, que estaria transportando foguetes do Hamas. Eram tanques de oxigênio usados numa fundição.

No domingo, Israel levou jornalistas estrangeiros a "um tour pelas áreas atingidas" na cidade de Sderot, conta o enviado especial do Estado Gustavo Chacra. "Mas quem circula de forma independente tem dificuldades para ver sinais de destruição causada pelo Hamas", escreveu. "Sderot parece estar intacta".

O importante, de qualquer modo, é que a propaganda já não afeta as cristalizadas percepções sobre o conflito israelense-palestino. Salvo entre os americanos, inabalavelmente alinhados com Israel, a devastação e as mortes em Gaza só deram mais argumentos aos críticos do país que de há muito já não consegue que o vejam como vítima do fanatismo e do terror islâmico.

O Haaretz noticiou outro dia que o Exército israelense destacou oficiais fluentes em árabe para dar entrevistas à Al-Jazeera e outras emissoras da região. Não será por isso que a chamada "rua árabe" se mostrará receptiva à versão do inimigo. Já os governos árabes não precisam disso para desejar o pior para o Hamas - cujo único aliado no mundo muçulmano é o Irã - enquanto, com a costumeira hipocrisia, condenam em termos duros o novo ultraje israelense.

A segunda das mencionadas matérias da Folha, esta do enviado especial Marcelo Ninio, descreve a exasperação dos jornalistas "espremidos em uma pequena colina", do outro lado da Faixa de Gaza, à espera da autorização de Israel para entrar no território invadido. "É absurdo", protesta o veterano Ben Wederman, da CNN. "Não dá para acreditar no argumento israelense de que a proibição é por motivos de segurança. Me parece óbvio que o objetivo é limitar a cobertura".

Parece óbvio também que a restrição é inócua. Não só porque ela não atinge a Al-Jazeera, que tinha já uma equipe em Gaza, mas principalmente porque a censura não pega no celular - e todo repórter que se preza tem alguém no território que lhe conte a quantas anda a tragédia.

Sem falar que os movimentos pacifistas israelenses e as organizações estrangeiras de direitos humanos têm eles próprios os seus contatos entre a população palestina sitiada e repassam os fatos que lhes são narrados. (Se divulgam exageros, quem sabe no número de civis mortos, especialmente crianças, Israel só tem a culpar a si mesmo pela propaganda adversa).

Se é que a expressão tem lugar em mais esse quadro de horrores, a boa notícia vinda de Gaza é a de que, graças à tecnologia da informação, a mordaça está perdendo outra batalha.







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domingo, 21 de dezembro de 2008

Jornalista enfurecido atira sapatos em Bush



Jornalista enfurecido atira sapatos em Bush
Leticia Nunes (tradução e edição) - Observatório da Imprensa - 16/12/2008
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=516MON001


Um jornalista iraquiano atirou seus sapatos em George W. Bush quando o presidente americano encerrava uma coletiva de imprensa junto com o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, em Bagdá. O incidente ocorreu no domingo (14/12). O jornalista Muntazer al-Zaidi, do canal de TV al-Baghdadia, sentado na terceira fileira da platéia de repórteres, levantou-se e, gritando, jogou os sapatos sobre Bush. O bom reflexo do presidente, entretanto, frustrou o golpe: nenhum chegou a atingir o alvo.

Durante o ataque, Maliki fez um gesto para proteger Bush, que se abaixou atrás do pódio onde discursava. O jornalista, que ainda chamou o presidente americano de "cachorro" e disse que aquele era "o beijo da despedida", foi agarrado e retirado da sala por seguranças.

Posteriormente, alguns jornalistas iraquianos levantaram-se para pedir desculpas pelo incidente. "Obrigado por se desculparem em nome do povo iraquiano", respondeu Bush, completando que não se incomodou com o ataque. "É como ir a um comício e ouvir as pessoas gritando para você. Eu não sei qual era o motivo dele, mas não me senti nem um pouco ameaçado", disse o presidente.



Insulto grave

Atirar os sapatos em alguém é considerado um grande insulto no Oriente Médio. Significa que aquela pessoa é tão baixa e suja como a sola de um sapato. Em todo o país, foram vistas as mais diferentes reações. Enquanto alguns iraquianos acreditam que o jornalista deveria ter sido cortês com Bush, já que se tratava de um convidado do primeiro-ministro, outros vêem o ato como algo legítimo.

"O que aconteceu na coletiva de imprensa foi a expressão pessoal de um jornalista e cidadão iraquiano. Sua ação é um tipo de liberdade. É preciso que se entenda isso", afirmou o soldado Haitham Karem, da cidade de Diwaniya. Já o correspondente Ahmad Hasan acredita que a atitude de al-Zaidi não foi civilizada para um jornalista, mas "ele mandou uma mensagem de um cidadão iraquiano, mostrando que muitos iraquianos discordam da presença americana" no país. Em Samarra, o médico Qutaiba Rajaa afirmou que, ainda que não tenha sido expressado de uma maneira civilizada, o ato do jornalista "mostrou os sentimentos dos iraquianos que se opõem à ocupação americana". A dona-de-casa Um Mohammad, por sua vez, desejou "vida longa" à mão de al-Zaidi, por ter arremessado os sapatos em cima do presidente.



Acordo de segurança

O jornalista continua sob custódia. Seu irmão, Maythem al-Zaidi, afirmou na segunda-feira (15/12) que estava orgulhoso dele. Maythem disse que a atitude do irmão foi espontânea, e que ele jogou os sapatos porque se irritou com o discurso de Bush na coletiva de imprensa.

Já um colega de trabalho de al-Zaidi afirmou que ele planejava arremessar os sapatos no presidente americano há tempos, e que isso era seu sonho.

Esta foi a quarta e, acredita-se, última viagem de Bush ao Iraque como presidente. O objetivo da visita era encontrar-se com soldados americanos e líderes iraquianos para discutir um acordo de segurança sobre a retirada das tropas do país até 2011. A guerra começou em 2003 e muitas áreas do Iraque continuam instáveis, particularmente na região norte. Na semana passada, pelo menos 57 iraquianos foram mortos em um ataque suicida em um restaurante próximo à cidade de Kirkuk. Durante a viagem, Bush defendeu a guerra, dizendo que, apesar de "não ter sido fácil", o conflito era necessário para a segurança dos EUA, a estabilidade do Iraque e a paz mundial. Informações da AFP [14/12/08], Sudarsan Raghavan e Dan Eggen [Financial Times, 14/12/08], Eric Owles e Riyadh Muhammad [The New York Times, 15/12/08].



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Muntazer Al-Zaidi




George Bush








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quarta-feira, 9 de abril de 2008

As Dinastias Midiáticas

As Dinastias Midiáticas
Carta Maior - Emir Sader - 28/03/2008
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=172



Na imprensa brasileira mandam as dinastias estamentais. Os pais proprietários entregam a direção dos jornais, das revistas, das rádios e das televisões - das suas empresas - aos seus filhos, que repassam para os netos, perseverando todos no direito que se auto-atribuíram de decidir quem é e quem não é democrático, quem fala e quem não fala em nome da nação!

Assim tem sido ao longo de toda a história da imprensa no Brasil. No momento mais decisivo da história do século XX, em 1964, essas dinastias pregaram e apoiaram o golpe militar, assim como a instalação de uma longa ditadura, que mudou decisivamente os rumos do nosso país. Enquanto os militares intervinham nos poderes Judiciário e Legislativo, enquanto suspendiam todas as garantias constitucionais, enquanto fechavam todos órgãos de imprensa que discordaram do golpe e da ditadura, enquanto a maior repressão da nossa história recente se abatia sobre milhares de brasileiros presos, torturados, exilados e mortos, enquanto isso, as dinastias da imprensa mercantil se calaram sobre a repressão e apoiaram o regime militar!

Eram estes mesmos Mesquitas, Frias, Marinhos, Civitas, estes mesmos que transmitem por herança - como se fosse um bem privado - seu poder dinástico, transferindo-o para os seus filhos e netos. Os júlios, os otávios, os robertos, os victor, vão se sucedendo uns aos outros, a dinastia vai se perpetuando. Que se danem a democracia e o país, mas que se salvem as dinastias!

Mas, hoje, elas estão vendo seu poder se esvaindo pelos dedos. Conta-se que um desses herdeiros, rodando em torno da mesa da reunião do conselho editorial, herdada do pai, esbravejava irado: "onde foi que nós erramos? onde erramos?". Estava desesperado porque a operação "mensalão" não conseguiu derrubar Lula elegendo o tucano, da sua preferência.

Se ele tivesse olhado os gráficos escondidos na sua sala, teria visto que, nos últimos dez anos, as tiragens dos jornais despencaram. A Folha de São Paulo, por exemplo, que é um dos de maior tiragem, perdeu em 10 anos, de 1997 a 2007, quase cinqüenta por cento dos seus leitores! Depois de quase ter atingido 600 mil leitores, vai fechar o ano de 2008 com menos de 300 mil! Uma queda ainda mais grave se considerarmos que, nesse período, houve crescimento demográfico, aumento do poder aquisitivo, maior interesse pela informação e elevação do índice de escolaridade dos brasileiros.

Os leitores deste jornal de direita estão entre os mais ricos da população. Noventa por cento dos seus menos de 300 mil exemplares são destinados aos leitores das classes A e B, as mesmas que não atingem dezoito por cento da população brasileira. Em outros termos, nove entre cada dez leitores do jornal pertencem aos setores de maior poder aquisitivo e suas condições de vida estão a léguas de distância das do nosso povo - esse povo que gosta do programa bolsa família, dos territórios de cidadania, da eletrificação rural, dos mini-créditos, do aumento real do salário mínimo, da elevação do emprego formal, etc.

A última e mais recente pesquisa sobre o apoio ao governo Lula, que a imprensa dinástica procurou esconder, realizada pela Sensus, revela que Lula é rejeitado por apenas treze por cento dos brasileiros! É essa ínfima minoria, cinco vezes menor do que aquela dos que apóiam o governo Lula, que povoa os editoriais dessa imprensa, suas colunas, seus painéis de cartas dos leitores! Esse é o índice da influência real que a mídia mercantil - juntando televisão, rádio, jornais, revistas, internets, blogs - tem! Apesar de todos os instrumentos monopólicos de que dispõem, apesar das campanhas diárias para dominar a opinião pública, não conseguem nada além desse pífio resultado dos treze por cento que representam!

As dinastias podem continuar a ter filhos, netos e bisnetos, mas é possível que já não dirijam jornais. Esta pode ser a última geração de jornalistas dinásticos que, talvez exatamente por isso, revelam diariamente o desespero da sua impotência, assumindo o mesmo papel que ocuparam nos anos prévios a 1964. É o mesmo desespero da direita diante da popularidade de um Getúlio e do governo Jango. Nos dois casos, só lhes restou apelar à intervenção das Forças Armadas e dos EUA, estes mesmos EUA que nunca fizeram autocrítica, nem desta nem de qualquer outra das suas intervenções contrárias à democracia da qual pretendem ser os arautos! Depois de terem pedido e apoiado o golpe militar, porque ainda acreditam que podem dizer quem é democrático e quem não é?










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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Povo Contra a "Opinião Pública"



O Povo Contra a "Opinião Pública"
Emir Sader - Agência Carta Maior - 22/11/2007
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=152



Um jornalista brasileiro, de luto fechado pela derrota do seu candidato à presidência da República, depois de dar por favas contadas a vitória, afirmou: "O povo votou contra a opinião pública". Afirmação que permite que nos perguntemos: que povo é esse que não respeita a "opinião pública"? Mas, sobretudo: que "opinião pública" é essa, que se choca com a opinião do povo? E que jornalista é esse, que imprensa é essa, que fabrica - conforme a expressão de Chomsky - uma "opinião pública" ilusória?

Duas matéria publicadas no mesmo dia - 11/11/2007 - por dois dos três jornais de maior tiragem no Brasil Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo - nos permitem entender melhor esses mecanismos. O desencontro entre a "OP" forjada pela mídia oligopólica tem, por exemplo, como um de seus carros-chefe, em que pretenderam nestes anos todos expressar uma suposta opinião majoritária da sociedade, um ponto de vista favorável às privatizações - aqui personificadas pelo governo FHC. No entanto, em pesquisa encomendada por um desses jornais - O Estado de São Paulo -, publicada em um espaço meio escondido - no caderno Economia de 11/11/2007: "Maioria é contra privatizações" - 62% contra e 25% a favor.

O que diz, além disso, o povo, contra a "OP" forjada? Que a privatização não melhorou os serviços prestados: na telefonia (grande "orgulho" dos privatizadores): 51% dizem que não, 37, que sim. Rejeitam a privatização das estradas 47% contra 36% a favor: contra a privatização da energia elétrica 55%, a favor 31%; contra a privatização de água e esgoto, 54%, a favor, 29%.

Perguntados expressamente se o governo FHC fez bem ou mal em privatizar, 55% condenaram a privatização da telefonia contra 33 a favor; 53% condenam a privatização das estradas, 33% são a favor; 59% contra a privatização da energia elétrica, 29% a favor; 59% contra a privatização da água e esgoto, 27% a favor. Consultados se o governo Lula fez bem ou mal em privatizar rodovias e estradas, de forma coerente 49% diz que fez mal, 35% que fez bem.

Uma maioria esmagadora rejeitou qualquer tentativa de privatização de empresas como o Banco do Brasil (77% contra), a Caixa Econômica Federal (78%) e a Petrobrás (78%). Os mais ricos revelam menores taxas de rejeição às privatizações (35%), mas entre os mais pobres apenas 15% as aprovam. Na região mais pobre do país, o nordeste, a rejeição às privatizações é a maior (73%), confirmando que os mais pobres são as principais vítimas desse processo socialmente cruel. Mas mesmo regiões de nível de renda mais alto, como o Sul e o Sudeste, apresentaram rejeição das privatizações - 67% contra 21% e 56% contra 39%.

Portanto um ponto de vista, evidenciado pela primeira pela mídia mercantil, de que os pontos de vista dos editoriais, das pautas de cobertura das editorais, dos colunistas desses órgãos, que tentaram, ao longo das ultimas décadas, vender a privatização como um anseio nacional, na realidade refletia os seus interesses como empresas privadas, assim como os do grande capital que financia a esses órgãos por meio da publicidade.

Quem compõe, então, essa "opinião pública", por meio da qual se tenta impingir ao país uma visão claramente minoritária, como se fosse majoritária e refletisse os interesses do país? Outra matéria, do mesmo dia, na Folha de São Paulo, nos dá pistas desse universo restrito e elitista, que essa imprensa tenta passar - em um caso clássico de operação ideológica - como da maioria da população.

Depois de ter que confessar que a queda dos leitores dos jornais é um processo em queda livre e irreversível, porque o jornal, que já havia tido uma tiragem de 530 mil exemplares em 1997, dez anos depois, com todo o crescimento demográfico da população brasileira, viu essa tiragem cair para 307 mil, isto é, uma queda de 44% . Considerando que é uma tendência forte e irreversível, praticamente um de cada dois leitores deixou de ler o jornal, que ainda assim continua a ser de maior tiragem, porque a queda de leitores é generalizada na imprensa escrita. Hoje os três jornais de maior tiragem têm uma média diária de 836 mil exemplares, quando já tiveram o dobro há uma década.

Mas o mais significativo - além de que o universo da "OP" forjada pela mídia mercantil é cada vez ainda mais restrito - é que o universo de leitores se concentra nos setores mais ricos do país: 90% estão nos grupos A e B, lugar onde estão apenas 18% da população. 68% dos leitores do jornal tem nível superior, situação de apenas 11% da população. São estes excluídos da riqueza e dos diplomas universitários os que compõem a grande maioria do povo e se opõem à "OP" da mídia mercantil.

Esta está composta - além dos mais ricos e instruídos formalmente - por brancos, católicos, casados, com filhos, com bichos de estimação, estão entre os 23 e 49 anos, fazem exercício, comem em restaurantes, freqüentam shopings, cinemas, livrarias, usam internet, DVD, têm celulares, computadores e câmeras digitais. Isto interessa muito ao jornal, porque lhe interessa que seu círculo de leitores, embora pequeno proporcionalmente, seja grande consumidor.

Como correspondência da evolução direitista do jornal, a maioria dos seus leitores deixou de ser do PT - com queda de 34% para 13% - , passando a dispor de maioria de leitores do partido da nova direita - o PSDB, de FHC -, com 13% dos leitores.

Está decifrado o dilema: por um lado, a "OP", constituída pelos leitores da grande mídia mercantil: ricos, com os melhores lugares no mercado de trabalho e acesso monopolista a bens materiais e espirituais, universo constituído em função dos consumidores que interessam às agências de publicidade, para que estas veiculem publicidade das grandes empresas privadas. De outro, a grande massa da população, que não lê esses jornais, que é vitima do processo de concentração de renda promovida pela globalização liberal. Esta maioria tem derrotado a "opinião pública" no Brasil, na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Uruguai, no Equador, forjada pela direita e que pretende seqüestrar a opinião do país, que nas eleições - a maior e mais ampla pesquisa de opinião pública - tem promovido sistematicamente a eleição e a reeleição dos candidatos mais progressistas na América Latina.











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