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sábado, 13 de junho de 2015

Lembre-se de Viver! Quem sabe assim você seja promovido a...

Contribuição de Andréa Siggia


Lembre-se de Viver
(Campanha publicitária do Citibank espalhada pela cidade de São Paulo através de Outdoors em 2010)


Crie filhos em vez de herdeiros.

Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete.

Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela.

Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama.

Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas.

Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?

Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos.

Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas...

...e quem sabe assim você seja promovido a melhor
(amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã... etc.) do mundo!

Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos.


* * * * * * * *








domingo, 5 de abril de 2015

PIB ou FIB? As Lições do Butão - Conheça o reino de Butão, onde a Felicidade Interna Bruta é o fator mais importante.


PIB ou FIB: As Lições do Butão

Susan Andrews - Revista Época nº 501 de 24/12/2008

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80676-6048-501,00.html


Conheça o reino de Butão, onde a Felicidade Interna Bruta é o fator mais importante.





Susan Andrews




Visualize um reino de deslumbrantes cumes nevados, com leopardos e iaques vagando pelas montanhas. Com vastas florestas intocadas, onde o contentamento é mais valorizado que o comércio, e um sábio rei que declara que a felicidade de seus súditos é mais importante que a produção econômica.



Um conto de fadas? Um sonho da imaginação? Um reino virtual no Second Life? Nada disso. Estou falando de um lugar real, com pessoas verdadeiras – o reino do Butão, no Himalaia.



O Butão tem capturado a atenção mundial por sua inovadora mensuração da FIB (Felicidade Interna Bruta), em vez de PIB (Produto Interno Bruto). Por décadas, o PIB, índice de progresso que soma todas as transações econômicas de uma nação, tem sido criticado, mais recentemente numa conferência da Comissão Européia, em Bruxelas. O PIB não somente falha em contabilizar os custos ambientais, mas também inclui formas de crescimento econômico que são prejudiciais ao bem-estar da sociedade. Por exemplo, despesas com atendimento médico, crime, divórcio e até desastres como o Katrina são computadas como um aumento do PIB!



A FIB vai um passo além. Ela situa a felicidade como o pivô do desenvolvimento. Desde a época de Aristóteles, e indo até a Declaração da Independência dos Estados Unidos, muitas sociedades consideraram a busca da felicidade um direito fundamental de todos os cidadãos. E agora, em pleno século XXI, o rei do Butão, Jigme Singye Wangchuk – uma das cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a lista da revista Time –, disse que a FIB é o alicerce de todas as políticas de desenvolvimento do governo.



Fui convidada para participar da 3ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta, na semana passada, em Bangcoc, Tailândia. Numerosos palestrantes enfatizaram que, enquanto o PIB se baseou na crença de que a acumulação da produção econômica leva a um maior bem-estar, as pesquisas mostram que, após certo nível de renda, o aumento da riqueza não conduz a um correspondente aumento da felicidade.





Imagine um reino onde a felicidade dos súditos é mais importante

que a produção econômica. Um conto de fadas?





"O acelerado crescimento da Ásia nas últimas décadas alcançou o impressionante índice de 10% ao ano", disse Surin Pitsuwan, ex-ministro do Exterior da Tailândia. "Mas será que estamos mais felizes que antes, com nossa renda aumentando cada vez mais rápido? Muitos dizem que não". De fato, quando olhei a minha volta em Bangcoc, os graciosos pináculos dos templos tailandeses, com suas douradas telhas cintilando ao sol, foram obscurecidos pelos colossais shopping centers que parecem gigantescas espaçonaves. "Nós aqui do sudeste da Ásia", afirmou Pitsuwan, "apesar dos nossos milhões de rúpias, de ringgits e de bahts, nos sentimos mais inseguros com relação a nossa vida, a nossa família, a nosso futuro do que jamais sentimos antes".



O Butão proveu uma alternativa. Os delegados butaneses na conferência atraíram a atenção não apenas por suas distintas túnicas bordadas, mas também por sua aura de júbilo interno. As decisões políticas nesse país, de acordo com Dasho Karma Ura, diretor para o Centro de Estudos do Butão, são tomadas a partir dos indicadores da FIB, que são os seguintes: padrão de vida, saúde, educação, resiliência ecológica, bem-estar psicológico, diversidade cultural, uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária. "A renda não é buscada pelo seu bem em si, mas para aumentar a qualidade de vida, para obter a felicidade", diz ele. "Felicidade baseada na ética, em cultivar relacionamentos entre as pessoas e com a natureza. E também uma felicidade interior baseada na espiritualidade".



Num mundo de aceleradas rupturas ecológicas, sociais e psicológicas, talvez os butaneses, com sua sabedoria dos Himalaias, tenham algo a nos ensinar. Que possamos alcançar a prosperidade em harmonia com o planeta sem perder a verdadeira fonte da felicidade: nossas conexões uns com os outros, com a Terra e com o espírito dentro de nós.



domingo, 1 de abril de 2012

18h00 e a Caneta Caiu! (vida corporativa)


18h00 e a Caneta Caiu!

Fonte:  Blog Bullyingscorporativos - Postado por Alberto Roitman

Talvez uma das pressões mais sofridas pelos colaboradores brasileiros e caracterizadas como bullying corporativo, seja aquela motivada pelo fato do funcionário deixar sua estação de trabalho quando batem ás seis horas da tarde (ou o horário em que sua jornada chegou ao fim). Principalmente nos níveis gerencias é quase uma afronta ás normas internas o colaborador levantar-se sua cadeira e deixar a empresa quando o sino bate ás 18h00.

Comentários do tipo: “Está desmotivado”, “Este aí não veste a camisa”, ou “Ele não quer crescer”, são comumente ouvidos no ambiente de trabalho e atribuídos ao funcionário que não extrapola o horário, assim como todos aqueles “pseudo workaholics” deveriam fazer.

Tal comportamento muitas vezes é velado e não se traduz em comentários como os que acabamos de ler. Basta uma rápida troca de olhares entre os colegas, ou até mesmo o sinal de apontar para o relógio de pulso ou na parede, para configurar a interpretação de que “a caneta caiu e o colega já saiu”.

A saída no horário de trabalho é julgada por muitos como uma clara demonstração de desinteresse do funcionário pelo trabalho, pela carreira ou pela empresa. E este julgamento têm se tornado cada vez mais intenso e caracterizado como divisor de águas entre aqueles que merecem ou não merecem crescer profissionalmente.

Os colaboradores que deixam a empresa no horário determinado estão cumprindo o combinado. Imaginem um mundo onde todos cumprissem o combinado. Não haveria inadimplência. Não haveria tantas ações judiciais. Diversos casamentos não teriam acabado. Muitas mortes teriam sido evitadas.

Porém, cumprir o combinado, de tempos para cá, se tornou o grande problema. Qualquer livro de dicas para um futuro presidente de empresa diz que é necessário sempre fazer mais do que o combinado. “O combinado todo mundo faz, mas quer ser presidente? Trabalhe até altas horas, abra mão do tempo em que deveria ficar com sua família e abandone a qualidade de vida”. E assim foi, com muita gente acreditando.

Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, a relação firmada entre o colaborador e a empresa deve ser registrada na carteira de trabalho. E nela, estão informados, além da função e do salário, o horário de trabalho do colaborador. Portanto, há um acordo claro, em que tanto o empregador quanto o empregado sabem o tempo que o mesmo deverá estar á disposição da empresa.

De alguns anos para cá esta relação começou a sofrer descompensações. As promoções começaram a ser atribuídas para aqueles que trabalhavam muito, e não necessariamente para aqueles que trabalhavam com qualidade. Isso somado ao fato de que, para alguns autores, o sucesso corporativo está totalmente atrelado a histórias de esforço descomunal ou dedicação mais do que exclusiva a um empregador. Porém, tais literaturas não sabem ainda lidar com o fato do trabalhador, que cumpriu a risca a receita de bolo, mas que não triunfou. Aquele que se dedicou demais e abriu mão do tempo com a família, e mesmo assim, não chegou lá. Talvez, para esses casos, seja melhor indicar um profissional para cuidar da depressão.

A verdade é uma só. Aqueles que saem quando as 18h00 batem, estão certos. Aqueles que se envergonham de levantar quando o sino toca e procuram serviço para justificar um tempinho a mais para fazer a “média com a chefia” é quem estão errados.

Três explicações podem justificar o fato do colaborador precisa ficar até mais tarde constantemente. Gostaria de chamar estas explicações de anomalias:

Anomalia 1) O colaborador não tem habilidades, conhecimentos ou atitudes necessárias para fazer o trabalho no horário determinado, portanto, é incompetente para tal, e não faz o que deveria ser feito no tempo determinado. Tal incompetência nem sempre está atrelada ao fato do trabalhador não saber fazer o trabalho em si, mas permitir se envolver em outras atividades, tais como reuniões excessivas, que contaminem o tempo necessário para a realização das atividades “core”. Portanto, se o mesmo fica na empresa, por repetidos dias, além do horário de trabalho acordado, significa que a escolha deste profissional para que realizasse tal trabalho não foi adequada. Desta forma, precisa de treinamento, ou em algumas alternativas, ter sua tarefa retirada e repassada para outro profissional mais competente. Neste caso, a culpa é atribuída ao funcionário e compartilhada por seu líder, que não escolheu o profissional adequado para tal tarefa.

Anomalia 2) O líder direciona trabalho em demasia a um colaborador, sendo impossível que o mesmo seja feito dentro do horário estabelecido. Esta seria a justificativa mais comum a ser ouvida pelo colaborador se perguntarmos por que o mesmo fica até tarde: “Por que meu chefe me despeja trabalho”. Claro, dependendo da quantidade de tarefas a serem realizadas, seria impossível entregá-la dentro das 8 horas estabelecidas pela lei. Com isso, nossa análise se centra em 3 grandes culpados. O primeiro, o próprio colaborador, que, amedrontado por uma possível represália em  recusar o serviço, o aceita sorrindo. Além disso, diversas situações ocorrem em que o profissional entende que quanto mais serviço tiver, mas importante será, ou maior exposição terá. Neste caso, recomendo ás equipes de Recrutamento e Seleção instalarem um “mata burro” na porta da empresa, para evitar que se contratem profissionais com esta mentalidade. Precisamos muito mais de qualidade do que quantidade. Em segundo lugar, novamente, a culpa do líder direto que despeja a quantidade irregular de trabalho em seus colaboradores. Quer medir se seu colaborador é um bom líder? Visite a estação de trabalho dele as 18h30. Se houver uma quantidade enorme de pessoas da sua equipe trabalhando, bingo, seu funcionário não sabe delegar. Um forma adequada de medir um líder em uma organização é avaliar a qualidade de vida corporativa de sua equipe. Uma avaliação 360º é mais do que necessária uma vez ao ano. Mas empresas que não a fazem, invariavelmente têm medo de lidar com os possíveis resultados. Em terceiro lugar, a culpa é da empresa, que mesmo sabendo que os colaboradores estão trabalhando mais do que deveriam, omitem-se e acham isso lindo.

Anomalia 3) O colaborador tem problemas pessoais fora da empresa e não quer ir para casa. Neste caso, a empresa tem a obrigação de avaliar se o mesmo precisa amparo psicológico ou de outro profissional para a solução de seus problemas. De qualquer forma, se a casa do funcionário não for o melhor ambiente para ele querer estar, a empresa não poderá substituí-la.

Por sua vez, o profissional que deixa a empresa no horário combinado pode não estar desmotivado, como a maioria dos colegas alega. Segundo o Ministério da Educação, em 2010, 27% dos executivos de média gerencia estavam fazendo algum tipo de pós-graduação ou curso de aperfeiçoamento profissional. Segundo o Ministério da Saúde, 38% das famílias brasileiras têm algum ente com a saúde debilitada, que necessitem cuidados médicos e acompanhamento constante familiar. 68% da população mundial, pasmem, isso não é pouco, tem fortes problemas com insônia. 50% da população brasileira mora a mais de 10 kilometros do local de trabalho, o que se tratando de uma grande capital, significa por volta de 1 ou 2 horas de deslocamento no trânsito todos os dias. Isso sem falar na quantidade de pessoas que possuem um “segundo turno”, como professores em faculdades, pesquisadores, músicos que ganham uma caixinha extra fazendo uma apresentação aqui, ou acolá...

Portanto, aquele que vai embora no horário, invariavelmente vai estudar, tem alguém doente na família, está com déficit de sono, mora longe ou está tratando de ganhar um pouco mais. Errado está você, em ficar com a caixa de email aberta, dando refresh para ver se cai algum pepino para ser resolvido. Motivação não se mede pelo horário de trabalho, mas sim, pela qualidade da entrega.

Os que deixam a empresa no horário combinado são aqueles que podem estar mais motivados com seu trabalho, até porque fazem o mesmo no horário combinado, empregam a qualidade necessária para tal, e com isso, esperam serem recompensados para isso. Errado mesmo são aqueles que ficam. Portanto, se da próxima vez, você ouvir a velha frase: “Está desmotivado?” quando estiver saindo ás 18h00, agora você pode responder: “Não meu amigo(a), quem está com algum problema é você!”

Quer melhorar sua vida corporativa? Comece saindo no horário!


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Envelhecimento Saudável - Para além das perdas do envelhecer



Para além das perdas do envelhecer
Carmo Gallo Netto - Diário da Saúde - 06/06/2011
http://www.diariodasaude.com.br/





A consciência da possibilidade de envelhecimento saudável e o conhecimento de como consegui-lo são ainda desconhecidos, mesmo por idosos de classes sociais mais favorecidas. [Imagem: Unicamp]




Envelhecimento saudável


A consciência da possibilidade de envelhecimento saudável e o conhecimento de como consegui-lo são ainda desconhecidos, mesmo por idosos de classes sociais mais favorecidas.

O que esperar, então, de idosos residentes em regiões expostas ao risco de vulnerabilidade social?

Em seu estudo sobre gerontologia, realizado na Unicamp, a pedagoga Wanda Pereira Patrocinio inteirou-se dessa realidade ao pesquisar as representações sociais das pessoas com mais de 50 anos que, fora do mercado de trabalho, buscavam alternativas para sobreviver em cooperativas populares de Campinas.

A pesquisadora trabalhou com cooperativas da periferia que se dedicavam à costura, à alimentação, à reciclagem de resíduos sólidos e à seleção de entulhos, realizando um perfil desses cooperados. A pedagoga focou, primordialmente, pela diversidade de atividades, as áreas de costura e entulhos.

Estudou a visão que essas pessoas tinham sobre a velhice e o envelhecimento e como socialmente se viam e se sentiam vistas em relação às pessoas do seu entorno.

Nessa oportunidade, pesquisou como esses idosos consideravam o envelhecimento em relação ao tratamento que recebiam do outro e os tipos de relações que mantinham com ele.



Processo natural da vida

Na ocasião, Wanda se deu conta de que existiam várias representações. A velhice é associada à doença, à decrepitude, sendo vista como a última etapa do ciclo vital, a fase da vida em que se espera a morte. Poucos dos idosos distinguiam-lhe aspectos positivos e a viam como um processo natural da vida.

Ela percebeu então que, apesar da significativa produção acadêmica que desmistifica a associação da velhice à doença, com a possibilidade de se envelhecer de forma saudável, e atribuindo sua qualidade às condições de vida, essas informações não chegam ao idoso pobre, àquele que mais precisa delas. Essa barreira não fora ainda rompida.

"Foi aí que me perguntei: o que adiantam as conclusões dos estudiosos para a vida prática dos idosos se elas não chegam a quem mais precisa? Essa foi a motivação da minha pesquisa. Como pedagoga, acredito que a educação pode fazer alguma coisa para minimizar esse problema", afirma.



Ação prática

Ela propôs-se então a realizar uma ação prática, com embasamento teórico-científico, que possibilitasse a essas pessoas mudarem de atitudes e comportamentos de forma a encarar melhor e mais positivamente o envelhecimento.

Por não acreditar que apenas palestras sejam suficientes para mudar atitudes e comportamentos, Wanda queria desenvolver uma forma de ajudar esses idosos a mudarem o seu dia a dia vivenciando problemas concretos.

Esta convicção a levou à implementação e análise de um programa de educação popular em saúde para um envelhecimento saudável que não utiliza apenas palestras, mas também práticas. O trabalho deu origem à elaboração de tese de doutorado orientada pela professora Anita Liberalesso Neri da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp.

A pesquisadora desenvolveu o programa em duas comunidades centradas nos bairros Orosimbo Maia e Parque da Figueira, da região Sul de Campinas. Ambas apresentam alta incidência de idosos e possuem centros de saúde. Desta forma, além de contar com a colaboração dos centros de saúde na aglutinação dos idosos, conseguia atingir os bairros próximos. Nesses locais utilizou dependências cedidas por entidades religiosas que constituíam referência para as comunidades.

No Orosimbo Maia, as atividades foram desenvolvidas no salão social já utilizado para palestras e atividades de ginástica desenvolvidas pelo Centro de Saúde. No Parque da Figueira, utilizou uma sala de aula destinada à educação de jovens e adultos. Nesses locais, as atividades foram conduzidas por ela com apoio de uma auxiliar de pesquisa, durante cerca de duas horas e meia, uma vez por semana, durante cinco meses, para dois grupos com idades entre 60 a 75 anos e média de 66 anos, constituídos em sua maioria por aposentados ou pensionistas viúvas.



Educação popular

O programa implantado baseou-se na perspectiva de Paulo Freire e na política de envelhecimento ativo proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Wanda explica que "a educação popular na perspectiva de Paulo Freire visa a desenvolver o reconhecimento de si mesmo como sujeito, a visão crítica sobre as estruturas sociais e o engajamento ativo".

Para tanto, a prática educativa deve basear-se em relações de confiança entre os participantes, no diálogo e na utilização de conteúdos de interesse dos educandos. Ao implantar em 2005 uma política de envelhecimento ativo, a OMS considera que para consegui-lo as pessoas precisam ter participação social, saúde, segurança e receber educação contínua.

Constituiu escopo do estudo verificar a influência da prática sobre a mudança de atitudes dos idosos em relação à velhice, à saúde, à participação social e a aspectos psicossociais. Para tanto foram aplicados questionários e utilizadas escalas sobre variáveis sociodemográficas, psicossociais, de participação social, de saúde e sobre atitudes em relação à velhice. Esses dados foram colhidos em três momentos distintos: por ocasião da formação do grupo e antes do início das atividades propriamente ditas; decorridos os cinco meses de atividades programadas com base em temas escolhidos pelos idosos; e seis meses depois de sua conclusão.

A pedagoga lembra que a educação popular parte sempre do que o educando sabe. Por isso, foram selecionados para cada um dos grupos os temas sugeridos pelos seus componentes durante a aplicação do primeiro questionário. Embora se verificassem diferenças na composição dos conteúdos temáticos desses grupos, constaram das atividades práticas e das abordagens teóricas temas como envelhecimento saudável; alimentação saudável; atividade física; memória; saúde bucal; uso de medicamentos; problemas de saúde e doenças mais comuns na velhice; violência e maus-tratos; sono e envelhecimento; imagem positiva da velhice; emoções e sentimentos; e histórias de vida.



Atividades terapêuticas

Entre as atividades terapêuticas, também desenvolvidas no programa, realizaram-se sessões de alongamento, automassagem, lian gong, ritos tibetanos, tai chi chuan, argila medicinal e yoga, que tiveram como objetivo o enfrentamento de problemas musculares, articulares e posturais causadores da dor. Além de participarem da discussão dos temas por eles escolhidos ou sugeridos, os idosos fizeram exercícios e atividades práticas.

Para verificar o que tinha sido incorporado pelos grupos em decorrência das experiências vividas, ela comparou, utilizando análise estatística, os resultados obtidos por meio do mesmo questionário aplicado no pré-teste, na conclusão do programa e seis meses depois. As análises estatísticas e de conteúdo mostraram que em relação ao pré-teste houve mudanças principalmente em relação às atitudes. Anteriormente os idosos, considerando o predomínio das limitações, entendiam que a velhice levava a mais perdas que ganhos. No pós-teste o resultado se inverteu, com a grande maioria julgando que a velhice comporta ganhos e vantagens. Seis meses depois, eles constatavam que a velhice traz tanto perdas quanto ganhos.

Segundo Wanda, o programa conseguiu eliminar a visão negativa da velhice, porque, mesmo percebendo a ocorrência de perdas físicas, os idosos passaram a valorizar a maturidade, o conhecimento, a capacidade de enxergar a vida e de melhor compreensão do outro que a velhice proporciona. Os resultados mostraram-se igualmente positivos em relação ao aumento do tempo dedicado à atividade física, porque durante o programa os idosos foram orientados a melhorar o que já efetivamente faziam. Na alimentação verificou-se estatisticamente um aumento significativo no consumo de legumes e verduras, que ela atribui à confecção da cartilha realizada em conjunto durante o programa. A melhora das condições de saúde também foi avaliada de forma positiva.

Entretanto, a recorrência aos sintomas depressivos se mostrou maior seis meses depois, para um dos grupos pesquisados. Ela acredita que durante a participação no programa os participantes se aproximaram e houve trocas, principalmente entre as viúvas, que antes do programa se sentiam mais solitárias. A participação social aumentou o ânimo, a disposição e a alegria. Embora com resultados não satisfatórios neste particular, a pesquisadora considera o resultado indicativo da importância da participação contínua em atividades desse tipo.



Postura frente à velhice

Face ao trabalho desenvolvido a pedagoga se permite algumas conclusões. Em relação aos idosos estudados, entende que as análises estatísticas e de conteúdo mostraram mudanças nas atitudes em relação à velhice, com diminuição de posturas negativas e aumento das positivas; percepção de que a velhice comporta tanto ganhos como perdas; melhora no tempo diário da prática da atividade física; melhora no consumo diário de verduras e legumes; melhora em relação à satisfação com a vida e em relação à saúde.

Acredita que o desenvolvimento de um programa educacional baseado no modelo de Paulo Freira e realizado de forma multidisciplinar, com conteúdos adequados e de interesse dos idosos, mostrou a importância da prática do conceito de educação em saúde, que visa a mudança de comportamentos individuais e que intervenções desse tipo podem favorecer a saúde física e mental dos idosos.

Considera também que o modelo de programa desenvolvido pode contribuir para outros programas educacionais, principalmente em relação à metodologia de ensino e à forma de desenvolvimento dos conteúdos temáticos, descritos no trabalho de modo a possibilitar o aproveitamento por educadores.

Ela defende ainda a utilização da metodologia nos programas de educação de adultos, em salas em que exista predominância de idosos, cada vez mais presentes - em que os conteúdos temáticos podem ser utilizados como temas geradores -, e na área de educação em saúde, em que pode contribuir para os serviços oferecidos pelos centros de saúde.

Para Wanda, infelizmente, em muitos programas envolvendo qualidade de vida ainda prevalecem palestras informativas: "A metodologia que desenvolvemos utilizando a educação popular, e que descrevemos detalhadamente, pode tornar esses programas muito mais efetivos para a mudança de atitude. Trata-se do primeiro passo para a mudança de comportamento", conclui.




segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A enfermaria entre a vida e a morte



Veja Também (matéria complementar):

Ailce - A Mulher Que Alimentava (Eliane Brum):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/08/ailce-mulher-que-alimentava-eliane-brum.html




A Enfermaria Entre a Vida e a Morte
Eliane Brum - Fotos de Marcelo Min - Revista Época nº 535 de 18/08/2008
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI10399-15257,00-A+ENFERMARIA+ENTRE+A+VIDA+E+A+MORTE.html



Lá, eles respeitam o tempo de morrer. Lá, cuidar é mais importante que curar.

Lá, todo dia eles respondem: Prolongar a vida ou aceitar o fim?





Vivendo a Morte
Antônio Walter Correia abriu o sorriso da primeira foto (acima) antes de começar a contar uma das muitas histórias de sua vida.

Na segunda foto (abaixo), três dias depois, o contador de histórias encerrou a sua suavemente.







De repente, João Barbosa de Lima começou a rir às gargalhadas. Seu corpo devastado pelo câncer se sacudia todo na cama de hospital. Depois de meses sem um sorriso, o iceberg que comprimia seu riso se desprendia dele. "Essa doença me deixou de um jeito que filho me beijava, neto me beijava, mulher me beijava e eu não conseguia sorrir. Estava trancado por dentro", diz. "Então, meu filho imitou o Costinha, vejam só, o Costinha, e destrancou meu riso". Banal assim. Grande assim. Daquele dia em diante, João ria sozinho. Puxava um lenço encarnado para enxugar os olhos. E continuou rindo quando foi para casa. E nem queria rir tanto porque lhe doía por dentro. Mas não conseguia mais segurar. João sabia que morreria, mas tinha descoberto também o que o fazia viver. A família ao redor, esse riso à toa, a mulher de uma vida, a vida vivida.




Essa cena aconteceu numa manhã de sexta-feira na Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. No 12º andar, a Enfermaria é temida. Pelos corredores, sussurram que é "a enfermaria da morte". Para lá só vão aqueles com escassas chances de cura. Mas quem entra na Enfermaria logo se surpreende. Num lugar onde pessoas morrem, há sempre alguém rindo, contando uma história, pequenas grandes cenas como a que abre esta reportagem. E a tristeza é amenizada pela convicção profunda de quem sofre de não estar sozinho, nem para enfrentar a dor física da doença nem para lidar com a dor psíquica da proximidade da morte.




A Enfermaria de Cuidados Paliativos é um centro de difusão de uma idéia ainda subversiva nos hospitais brasileiros. (Em parte, isso explica o preconceito). O tratamento ali começa onde a maioria termina. Ao acolher pacientes com a vida abreviada pelo câncer ou por uma doença crônica, defende-se uma prática médica em que cuidar é mais do que curar. "Quando disseram que minha irmã iria para o 12º andar, me aconselharam a não permitir", diz Tomie Taniyama. "Entrei na Enfermaria apreensiva. Então me encantei. A equipe deu dignidade à minha irmã e conforto para nós, da família".




O grande embate travado naquele que, desde o século XX, é o altar da morte - o hospital - e pelos seus sacerdotes modernos - os médicos - trata dos limites da prática médica diante do fim da vida. Na visão hegemônica da medicina ocidental, se não existe chance de cura, não há mais o que fazer pelo doente. E, como é difícil aceitar limites, parte dos médicos apela para procedimentos invasivos e dolorosos na tentativa de prolongar a vida a qualquer preço. Em geral, um preço alto, tanto em recursos financeiros quanto em custo pessoal. Ou, algo mais freqüente em hospitais públicos, abandonam os pacientes com a justificativa de que nada mais podem fazer por ele.




Na ótica dos paliativistas - profissionais que acreditam no respeito à hora do fim como parte do respeito à totalidade da vida - , é nesse momento que a equipe de saúde pode fazer mais: garantir uma morte sem dor física, os sintomas controlados, o paciente consciente e rodeado por quem ama. Nem antecipar a morte nem esticar a vida, mas garantir que se viva até o fim com dignidade. Essa nova visão do exercício da medicina tem balançado os alicerces da bilionária indústria da saúde - e põe em xeque a visão contemporânea da morte.




O tratamento batizado de "cuidados paliativos" surgiu na década de 60 do século XX por iniciativa da médica inglesa Cicely Saunders. Em 1967, ela criou o St. Christopher's Hospice, em Londres, para cuidar de doentes que não podiam ser curados. Cicely acreditava que "o sofrimento só é intolerável se ninguém cuida". Dizia a seus pacientes: "Quero que você sinta que me importo pelo fato de você ser você, que me importo até o último momento de sua vida e que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, não somente para ajudá-lo a morrer em paz, mas também para você viver até o dia de sua morte". Cuidados paliativos priorizam a qualidade da vida possível - e não o prolongamento da vida a qualquer preço.




No início dos anos 70, a psiquiatra Elizabeth Kübler-Ross, conhecida por descrever os estágios do processo de morte, levou Cicely e suas idéias para os Estados Unidos, onde o movimento ganhou força. Em 1990, a Organização Mundial da Saúde recomendou a prática dos cuidados paliativos. No Brasil, o Ministério da Saúde prepara-se para publicar uma portaria com diretrizes para esse modelo de assistência. Hoje, há um movimento internacional reivindicando a inclusão dos cuidados paliativos e do tratamento da dor à Declaração Universal dos Direitos Humanos.




A Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor foi criada em 2002 pela médica de família Maria Goretti Sales Maciel, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos. Sexta-feira é o dia da semana em que a equipe completa - médicos, psicóloga, enfermeira, assistente social e, quando o hospital dispõe, um fisioterapeuta - visita os pacientes. É o que a médica Juliana Monteiro de Barros chama de "dia do visitão". Para fazer esta reportagem, acompanhamos a rotina da Enfermaria nessas sextas-feiras. E os últimos 115 dias de uma paciente. O fotógrafo Marcelo Min, que se dedica a fotografar partos, logo constatou: "Nascer e morrer é a mesma coisa".






Ao acolher doentes no fim da vida, defende-se uma
prática médica em que cuidar é mais do que curar.







A Morte Envergonhada



A história humana pode ser contada pela forma como cada sociedade, em diferentes períodos, lidou com a morte. O historiador francês Philippe Ariès escreveu sobre o tema, primeiro num pequeno livro chamado História da Morte no Ocidente e depois em dois volumes intitulados O Homem Diante da Morte. "A morte no hospital, eriçado de tubos, está prestes a se tornar hoje uma imagem popular mais terrífica que o trespassado ou o esqueleto das retóricas macabras", afirmou.




O psicanalista Rubem Alves deu um tom confessional à impotência do homem contemporâneo diante da medicalização da morte: "Tenho muito medo de morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte (...). Muitos dos chamados 'recursos heróicos' para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da 'reverência pela vida'. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: 'Liberta-me'".




Começamos a morrer no exato instante em que começamos a viver. E hoje estamos mais mortos do que estávamos ontem. Mas, atualmente, mais que em qualquer outro período histórico, vivemos a morte como uma experiência marginal. Ela se passa, de preferência, oculta dentro do hospital. Nossa dor, quando perdemos alguém, deve ser superada rapidamente, de forma asséptica como um procedimento cirúrgico, sem barulho e sem perturbar os amigos.




Pela lei, se perdemos um parente direto, temos direito a nos ausentar por três dias do trabalho. Quem casa, tem cinco. Quando nasce um filho, a mãe tem licença de 120 dias. Como se chegou à conclusão de que três dias de luto é suficiente? Por que dois é pouco e quatro é demais? Seria o primeiro dia para enterrar o morto, o segundo para limpar os armários e o terceiro para chorar? E depois, a vida continua?




João Risonho

Depois que libertou seu sorriso, João Barbosa de Lima passou a rir sozinho no hospital.

Ele sabia que morreria, mas tinha descoberto o que o fazia viver.







"Hoje a morte e o luto são tratados com o mesmo pudor que os impulsos sexuais há um século", escreveu o antropólogo britânico Geoffrey Gorer, em 1955, em Pornografia da Morte. A interdição do sexo na era vitoriana, segundo ele, fora substituída pela interdição da morte no século XX. A morte teria se tornado obscena e, portanto, deveria ser escondida. O luto, circunscrito ao âmbito privado, passara a ser tão secreto e individual como a masturbação.




Tornou-se deselegante sofrer em público. Com a desculpa - fornecida pelos outros - de que precisamos de solidão para lidar com a perda, nosso telefone pára de tocar. Se sofremos além do período socialmente aceitável, tornamo-nos um caso patológico. Os amigos nos dão o telefone de um psiquiatra: o que nos falta não é um ombro humano, mas antidepressivo. Se morrer é inevitável, o melhor a fazer é evitar qualquer um que nos obrigue a pensar no assunto. "De algum secreto lugar me vem a força para erguer a xícara, acender o cigarro, até sorrir quando alguém me diz: 'Você hoje está com a cara ótima', quando penso se não doeria menos jogar-me de um décimo primeiro andar", escreveu Lya Luft sobre o luto pelo seu segundo marido, o psicanalista Helio Pellegrino.




A morte só é tema de mesa de bar quando se transforma em A Lição Final, título do livro do professor americano Randy Pausch, morto de câncer pancreático no final de julho (2008). Para ele, morrer era um fracasso. Lutar contra o tumor e não vencê-lo o colocaria num lugar inaceitável para a sociedade americana e para si mesmo: o transformaria num loser (perdedor). Pausch superou esse impasse ao transformar o fim de sua vida num case de sucesso. Ele não pôde vencer o câncer, mas, naquilo que era essencial para ele e para a sociedade em que vive, vencera. Conseguira fazer de sua morte um best-seller internacional. É um sinal do espírito do nosso tempo que a morte comentada por todos seja justamente uma morte "bem-sucedida", materializada num livro cujos rendimentos são estimados em US$ 6 milhões.




Pausch nos fala de superação, não de impotência. Mas morrer é lidar com dois fatos essenciais da vida humana: impotência e falta de controle. Por isso, talvez, a morte tenha se tornado tão envergonhada. Ela nos lembra daquilo que gostaríamos de esquecer. Em nossa época, vende-se a ilusão de que é possível controlar com pílulas sentimentos tão intangíveis como a melancolia ou a tristeza, prender a juventude à força de bisturis e cosméticos, prescindir da tradição e construir-se a si mesmo sem dever nada a ninguém. A morte nos lembra que há algo de errado nessa equação. Podemos transformar o corpo, mas não evitamos que ele morra. Podemos decidir entre marcas na prateleira, mas não decidimos deixar de morrer. Podemos fazer nossas próprias regras, mas entre elas não está viver para sempre. A morte nos confronta com a questão fundamental do nosso limite.




João Falante

João Barbosa de Lima gostava de ilustrar suas histórias com gestos largos.

Na foto, ele conversa com a médica Maria Goretti Maciel.







Os Deuses de jaleco



Diante da morte, nossa impotência pode ser mascarada pela onipotência da grande estrela destes tempos: não mais o padre, o pastor ou o xamã, como no passado, mas o médico. Não todos, mas muitos. Nas escolas de medicina, eles aprendem a curar. Não a cuidar. Nessa linha de pensamento, perder um paciente é um fracasso pessoal. "Eu achava que era um tipo de Deus", diz Márcio Meireles, de 30 anos, que trabalhou na Enfermaria durante um mês. "Acreditava que, levando o paciente para a UTI, resolveria tudo. Descobri que havia coisas que não poderia resolver. Isso me deu uma enorme tranqüilidade para viver. Hoje sou um médico melhor do que era, porque entendo meus limites".




Ser bom médico, para a maioria, é tentar todos os procedimentos, mesmo os mais invasivos e dolorosos, para prolongar a vida condenada pela doença. Não que médicos professem uma modalidade de sadismo, mas eles acreditam com sinceridade que "tentar tudo" é o que de melhor podem fazer. "Eu disse ao paciente que não se preocupasse, que vamos resolver todos os problemas dele", disse um residente a Goretti Maciel, certo de que estava fazendo - e dizendo - a coisa certa. "Quanta onipotência. E como você pretende resolver todos os problemas dele?", questionou a chefe da Enfermaria.




Em outro momento, um residente afirmou: "Acho que como médico não podemos fazer mais nada nesse caso. É só tratamento humanitário". A médica Juliana Monteiro de Barros reagiu: "E o que é humanitário para você?". O residente disse: "É garantir que ele vá embora com dignidade, sem dor, sem falta de ar, rodeado por quem ele gosta". Ela então provocou: "E isso não é ser médico?".




Juliana desejou ser médica aos 8 anos, quando o pai morreu de infarto. "Eu já era onipotente. Decidi que ninguém mais passaria por isso", diz. Muitos anos depois, durante a residência, ela conta que perdeu uma paciente num atendimento de emergência. Transtornada pelo sentimento de impotência, jogou o carro contra uma coluna da garagem. O choque a curou da vontade de ser Deus. "Naquela hora acordei", afirma hoje, aos 36 anos.




O bordão da prática médica tradicional é "lutar". E lutar é ser potente. "Vamos lutar juntos", alguns médicos dizem aos pacientes, especialmente aos que têm bons planos de saúde ou podem pagar por tratamentos caros. Nesse contrato, porém, apenas um morre. E apenas um perde a qualidade da vida possível em nome do impossível. Como dizer ao médico para parar no momento em que a morte é iminente e inevitável? Como dizer: "Se o caso do meu filho não tem cura, basta desse tratamento que o deixa sem forças para viver o que tem para viver" ou "Não vamos submeter minha mãe a essa cirurgia porque ela só vai sofrer à toa". Como desafiar a autoridade médica, que insiste em "tentar tudo"? Como não "tentar tudo" diante da morte de quem amamos? Como resistir ao conforto de colocar todas as decisões entre as mãos do "doutor" numa hora em que a vida pesa sobre nossos ombros como nunca?




"Tentar tudo" pode se tornar sinônimo de tortura médica legalizada. O paciente morre porque não havia cura naquele estágio da doença. Talvez morra dias ou semanas depois do que morreria sem intervenções pesadas, de difícil recuperação. Mas perdeu semanas ou meses de vida com qualidade, em que poderia fazer uma viagem adiada há muito, comer no restaurante preferido, rever os filmes do coração ou apenas beijar quem se ama. Ou não fazer nada, cercado por aqueles de quem se gosta ou sozinho como gosta. Perdeu essa chance em nome de quê? Para quê? Por quê?




Uma frase é sempre repetida nos velórios: "Nunca deixou de lutar. Enfrentou a morte até o fim. Foi um vencedor". Diante de uma doença incurável, porém, às vezes é preciso parar de lutar. Diante do inevitável, o mais corajoso talvez seja aceitar. Diante da iminência da morte, o que se pode decidir é como viver até o fim
.







As duas faces da onipotência



No início de agosto, o mundo se surpreendeu com a notícia de que o ator Paul Newman decidira morrer em casa. Aos 83 anos, ele estaria com câncer e foi fotografado deixando o hospital. Segundo amigos, passou os últimos dias botando a vida em ordem e distribuindo seus bens. O astro de Hollywood decidiu como vai viver sua morte.




A escritora Susan Sontag fez uma escolha oposta. Autora de livros sobre a doença e a morte, Susan morreu de câncer em 2004, aos 71 anos, sem conseguir aceitar sua condição. Seu médico foi claro: um transplante de medula significaria mais sofrimento e ínfimas chances de sucesso. Susan insistiu. Quando a avisaram que o transplante fracassara, ela estava presa a dezenas de tubos que a mantinham viva. E continuava perguntando o que mais os médicos podiam fazer por ela.




Susan morreu coberta de feridas e hematomas, sem se despedir de ninguém. Seus últimos meses foram descritos pelo filho, David Rieff, em Nadando em um Mar de Morte - Memórias de um Filho. "Eu não podia nem dizer que a amava, porque isso seria interpretado como uma despedida", diz David. Susan escolheu morrer sem se reconciliar com a idéia de morrer. Mas essa foi sua escolha. Susan era a única que poderia fazê-la.




No quarto da Enfermaria de Cuidados Paliativos, uma mulher estava ali porque também defendera seu direito de escolha. Dona de casa, mãe de nove filhos, cometera duas loucuras em uma existência inteira: a primeira, ao fugir do Ceará aos 16 anos para se casar com o amor da sua vida. A segunda, na véspera, ao fugir de um hospital para proteger o amor de sua vida. Com metástase no cérebro, os médicos decidiram submetê-lo a uma cirurgia. Ela disse "não". Ele já sofrera o suficiente. Não falava mais. Mas o doutor insistiu em dar a última palavra: "Sim".




Ela planejou então uma fuga cinematográfica. Primeiro, o filho roubou o prontuário. Na madrugada, ela tirou o marido da cama e o empurrou pelos corredores. Na porta, o filho os esperava com o carro ligado. Saíram cantando pneus. "Eu ficava olhando pra trás, achando que a polícia estava perseguindo a gente", contou. Encerraram a fuga na porta do hospital onde sua decisão seria respeitada.




A obstinação terapêutica pode ser cruel. Seu avesso é igualmente perverso. Os doentes sem chance de cura são reduzidos a uma sigla: "RHD" - "Regime Higiene-Dietético". Ou, como se diz nos hospitais, "banho e comida". Na maioria dos hospitais públicos, falta dinheiro para arcar com o custo - sempre alto - de procedimentos que envolvem tecnologia de ponta e medicamentos importados. Os recursos financeiros e humanos - invariavelmente escassos - são concentrados naqueles com possibilidade concreta de cura. Os outros são despachados de volta para casa, sem assistência, ou deixados num canto, sem que a equipe gaste tempo com eles. A lógica é a mesma: se não há como curar, então a medicina nada pode fazer.




Num quarto da Enfermaria, a garota conta que já esteve no inferno - condenada pelo sistema de saúde, pela ideologia da cura. Aos 51 anos, sua sogra tornou-se uma "RHD". O hospital, ligado a uma renomada faculdade de medicina, concluiu que nada mais poderia ser feito por ela. Coube à nora cuidá-la em casa, sem apoio. Por três anos a garota viveu, hora após hora, diante do corpo da sogra. A mulher tinha uma fístula na axila. Na realidade, um buraco. Através dele, era possível ver as costelas, o pulmão e o reflexo da batida do coração. Todo dia ela assistia à sogra apodrecendo por dentro, viva.




À medida que o buraco aumentava, fazer os curativos ia se tornando mais difícil. "As moscas não a deixavam em paz, eu passava a noite abanando ela", contou. "Quando lavava sua roupas, encontrava ovos e larvas de bicho". Quando a água que a doente bebia começou a entrar pela boca e sair pelo buraco, ela e o marido a colocaram no carro e rodaram por vários hospitais. Só foram acolhidos na Enfermaria. A realidade do corpo da paciente era tão aterradora que Kathia Camargo, uma enfermeira experiente, sofria para fazer os curativos.







Escolha até o fim



Diante da impossibilidade de curar, o que um médico pode fazer é cuidar. E cuidar não é pouco. Nem é fácil. "É claro que os pacientes gostariam que fôssemos seus deuses particulares", diz Goretti Maciel. "Ser paliativista é aprender a lidar com a impotência, com a certeza de que jamais seremos deuses ou capazes de aliviar todo o sofrimento. Podemos apenas ser humanos e compartilhar o sofrimento, o que é mais verdadeiro".




Se há algo que desafina a voz de bossa nova de Goretti é achar que cuidados paliativos é "aquele povo que só pega na mão". Ela começou a montar o serviço no Hospital do Servidor Público em 2000 e tornou-se uma cliente contumaz das companhias aéreas ao atravessar o país em sua cruzada pela causa. "Fazer cuidados paliativos não é só pegar na mão do paciente e conversar. Tem de estudar muito, o tempo todo, porque tratar da dor e dos sintomas é uma arquitetura delicada", diz. "Olhamos para a pessoa inteira, e não para uma parte do seu corpo. Precisamos entender não só sua situação clínica, mas suas emoções, suas dificuldades. É preciso entender sua história para ajudá-la a viver a vida da melhor forma possível até o fim".




Na Enfermaria não há espaço para frases como: "Me entrego em suas mãos, doutor". Como viver a morte é uma decisão do paciente, é ele o responsável por sua vida até o fim - ou sua família, se já não puder decidir. Um engenheiro de 46 anos, pai de três filhos adolescentes, foi protagonista de um momento de grande dor e beleza. O câncer o levou à Enfermaria. E, lá, a equipe chegou a um impasse: ele morreria em alguns dias, com as pernas, ou teria pouco mais de um mês de vida sem elas. Toda a Enfermaria chorou por ele, com ele. Atravessaram a madrugada conversando, ele e a mulher. Na manhã seguinte, ele anunciou sua decisão: amputaria as pernas. "Toda minha vida, matei um leão por dia", ele disse. "O de hoje são as minhas pernas. Depois vejo como resolvo o outro". Dias depois da cirurgia, ele disputava uma corrida de cadeira de rodas com outro paciente no corredor. Morreu dois meses e uma semana mais tarde, feliz por cada dia vivido.




É preciso improvisar diante dos limites impostos pela doença. Por semanas, a psicóloga Luana Viscardi, de 30 anos, teve de "escutar" um paciente que já não podia falar, mas queria contar sua história. Luana leu seus lábios, acolheu sua torrente silenciosa e conseguiu ajudar uma pessoa sem voz, mas cheia de palavras. "Às vezes os pacientes imaginam que eu estou lá para convencê-los de que morrer é bom", diz. "Meu trabalho é ouvir e atender à demanda da vida. É não tratar como morte o que é vida nem como coisa o que é gente".




Depois de integrar a equipe, Luana decidiu propor aos pais e irmãos uma terapia de família. "Achei que havia questões que precisávamos resolver entre nós, e foi transformador", afirma. "Na Enfermaria, a morte não pertence ao futuro. É agora. Em mim esse contato repercutiu como vontade de cuidar mais dos momentos cotidianos, construir relações mais positivas, ter um almoço de família gostoso".






Curada

Na Enfermaria, Yolanda Kovalke de Almeida descobriu que não poderia curar o corpo, mas que havia curado a alma.

"O cuidado da equipe me abriu os olhos, me fez descobrir que a mudança estava dentro de mim. Me libertei. É engraçado, a gente procura Deus em tantas partes, e eu fui encontrar aqui, no carinho destas médicas, desta equipe, na descoberta de que existe no mundo um lugar assim".







Para cuidar na morte, é preciso compreender a singularidade da vida de cada um. Não basta aplicar o manual. O que é alívio para um paciente pode ser uma tortura para outro. A falta de apetite quando a vida chega perto do fim é sempre um drama para o doente e para a família. Em geral, naquele momento comer não fará diferença. Mas não é fácil aceitar. "Meu marido quase não come mais", disse a mulher a Juliana. "Não seria bom botar uma sonda nele? Eu entendo do meu marido, mas não entendo do organismo dele". Sentada num banquinho, a médica responde, suave: "O organismo naquela cama é o seu marido. Nesse momento, uma sonda não vai trazer benefício, só sofrimento. Mas vamos decidir junto com a senhora. E vamos apoiá-la". Ele morreu alguns dias depois. Sem sonda.




Para outra paciente, comer era o que fazia sentido na vida. Mas ela estava num estágio em que vomitava tudo o que ingeria. Mesmo assim, não queria ser alimentada por uma sonda. "Comer, para mim, é o sabor da vida", disse à médica Veruska Hatanaka, de 34 anos. Mesmo vomitando, para ela valia a pena. A equipe respeitou sua vontade. Ela comeu e vomitou até morrer. Viveu.




Veruska engravidou duas vezes na Enfermaria. Tinha encontros quase diários com a morte enquanto a vida crescia dentro dela. Perdeu seu primeiro bebê. E também viveu seu luto ali. "Acho que esse luto me aproximou do sofrimento dos pacientes, me tornou mais sensível", diz. Na segunda gestação, algumas vezes seu bebê moveu-se dentro dela enquanto um paciente exalava o último suspiro. "E isso também me tornou mais sensível. Para mim, o processo da morte é parte do processo da vida. São dois começos", diz.




Na Enfermaria, a morte é um parto do lado avesso. E as médicas são parteiras que, em vez de esperar o tempo de nascer, respeitam o tempo de morrer. Yolanda Kovalke de Almeida compreendeu sua morte como um novo nascimento. Ela tinha metástases pelo corpo inteiro, passara a vida cuidando de todos, para ela era difícil deixar-se cuidar. Numa manhã sua revolta se foi. "Eu me transformei aqui na Enfermaria", disse. "Estou doente, mas não sou a doença. Estou viva. Quero viver enquanto estiver viva. Essa é a minha cura. Me libertei". Tira os óculos, enxuga as lágrimas, abre um sorriso lindo. E arrisca: "Você acha que eu posso tomar uma cervejinha?".







Uma equipe especial



Quem entra num dos nove apartamentos da Enfermaria pode sentir um insólito cheiro de morango. Parece fora de lugar, ninguém pensa que o fim da vida combina com frutas tão exuberantes. O cheiro vem da cabeça do paciente. E é xampu de motel. A regra foi criada pelas enfermeiras e auxiliares: quem namorar tem de trazer o kit xampu, condicionador e pente para os pacientes. Assim, lá às vezes a morte tem um cheiro afrodisíaco.




Cada apartamento é individual e tem duas camas, para que o doente nunca fique sozinho e o acompanhante não precise se aboletar num daqueles sofazinhos que acabam com a coluna. Às 8h30 de uma manhã, pela janelinha da porta, era possível ver o casal dormindo na mesma cama - de conchinha. Uma paciente pergunta se pode fazer sexo usando oxigênio. Outra, sempre tão recatada em vida, agora deu para escandalizar a família arrancando toda a roupa de uma vez. E outra ainda ri de si mesma: apaixonara-se pelo residente. "Converso com ele e esqueço que estou sem dentadura. Lembro de mim como era antes. E, quando me vejo no espelho, até me assusto".




As regras são mínimas. A principal é despachar o paciente para casa assim que for possível. As passagens pelo hospital devem ser rápidas, apenas para tratar crises que exigem maior estrutura. Para as demais intercorrências há uma equipe de visita domiciliar comandada por Rosângela Martins Conceição, de 45 anos, uma professora de História que ao cuidar do câncer da avó descobriu sua vocação de enfermeira. "Quando me tornei enfermeira, eu sabia que era o meu lugar no mundo. Mas somos ensinados a ver as pessoas por partes do corpo, por doenças. E acabamos achando que a sensibilidade é incompatível com a razão", diz. "Recuperei minha sensibilidade aqui. E descobri que sem ela não dá para enxergar o paciente nem compreender o que ele precisa".




Cada visita dura horas. Além dos procedimentos técnicos, Rosângela e a auxiliar ouvem as últimas histórias, suavizam angústias e provam um bolo feito para a ocasião. São tantas as comilanças que a equipe publicou um livro só com receitas dos pacientes. Esta é outra característica da Enfermaria: ela engorda.




Maria de Cleide, Regina, Zilda, Neucilene, Edineia, Mary... Elas são 18 auxiliares de enfermagem. Ficam dia e noite ao lado dos pacientes ajudando a urinar e defecar, dando banho, limpando sangue e vômito, escutando. Isso dá a elas um olhar muito particular sobre a vida e também sobre a morte. "Antes eu me preocupava se estava gorda, se minha mama estava caída", diz Maria de Cleide Batista, de 44 anos. "Depois que vim pra cá, agradeço a Deus por fazer xixi e por respirar bem".




As auxiliares formam uma pequena torcida organizada. Quando alguém vai buscar a razão de tanto barulho, a explicação é sempre ótima: "Seu fulano conseguiu fazer cocô! Foi tão bom pra ele". No início, Tia Celeste parece ser uma paciente muito popular. "Tia Celeste passou por aqui", se escuta de uma e outra. Depois que Tia Celeste foi e voltou tantas vezes sem apresentação formal, a pergunta torna-se inevitável. "Na Enfermaria as pessoas vão se purificando, enxergando coisas que não viam. Então acho que isso é um pouco celestial para elas", diz Regina Célia de Jesus, de 30 anos. "Aí, para os outros setores do hospital é morte mesmo, mas aqui é Tia Celeste".




Diante do diagnóstico, a paciente chorou muito. "O que faço da minha vida?", pergunta a Regina. "Viva", diz Regina. A paciente retruca: "Mas uma vida deste jeito?". A auxiliar responde: "Enquanto há respiro, tem vida. Faça tudo o que tem vontade, vá a lugares que não pôde ir". A paciente não se convence: "Mas aqui na cama?". Regina gesticula: "Tem alguma coisa inesquecível que você deseje comer?". A paciente nem pensa: "Pão com manteiga na chapa". Regina dá um grito: "E eu que pensei que você ia querer jantar no Fasano!". E desce 12 andares para buscar um pão com manteiga na chapa na lanchonete do hospital. A mulher come chorando.



"Estou com muito medo desse seu setor. Disseram que minha mãe veio pra cá para morrer", diz a filha de uma paciente. Regina reage: "Não é assim". A acompanhante é agressiva: "Ah, vai curar a minha mãe?". A auxiliar responde: "Não, não vamos curar. Vamos dar qualidade de vida a ela". A mulher insiste: "E o que é qualidade de vida?". Regina diz: "Qualidade de vida é sua mãe conseguir respirar e falar bom dia sem precisar do cateter. É sua mãe não ter medo de falar porque vai ficar sem ar. É sua mãe poder abraçar você sem sentir dor". A filha finalmente compreende: "Então minha mãe está no lugar certo. Quero muito um abraço".







Cuidar é escutar a demanda da vida. É não tratar
como morte o que é vida e como coisa o que é gente.







Janelas da alma



Cada leito é uma janela para o mundo de alguém. Perto da morte, a vida fica mais nua. E as contradições se explicitam. Morre-se como se vive, só que de modo mais radical. Reduzido ao essencial, um paciente tinha uma força que ninguém sabia explicar. Ergueu-se sobre si mesmo, levantou um braço esquálido e, sem poder falar, disse chega. O câncer tinha lhe roubado as cordas vocais, mas não conseguira lhe arrancar a raiva. Ele morreu sem um som, mas com fúria. Estava nu. Exceto por um detalhe. No dedo, um anel de doutor. Por toda a vida ele havia sido pedreiro. A presença do anel, mais do que a falta das roupas, era o que o deixava mais nu.




Apodrecer por dentro pode ser uma bênção. Uma doente tem um tumor na coxa esquerda. Apodrece por fora. Uma flor de carne que a cada dia engole um pouco mais dela. Seu rosto está em paz. Logo o paradoxo se desmancha. Pouco antes de descobrir o câncer, ela ficou cega. Foi o que a salvou da tragédia maior: a visão de si mesma. Por ter sido jogada no escuro, ela se manteve na claridade até o fim.




"Você viu o exame, doutora?" É o jeito que uma paciente encontra para perguntar se vai morrer. A médica pega sua mão, acaricia seus cabelos. Diz: "O que você tem está espalhado pelo seu corpo. Mas a gente vai estar aqui, com você. Tirando sua dor, ajudando você, cuidando de você". Os olhos dela erram pelo quadrilátero do quarto, por um longo instante não se fixam em nada. Então ela encontra algo sólido. Ancora seu olhar nos olhos da médica. Aceita. Ela diz: "Muito obrigada".







* * * * * * * *






Eliane Brum comenta como foi fazer a reportagem especial desta edição.

Veja no vídeo abaixo:







(Dê dois cliques na seta acima para ver o vídeo - duração 09:42 minutos)








Veja Também (matéria complementar):

Ailce - A Mulher Que Alimentava (Eliane Brum):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/08/ailce-mulher-que-alimentava-eliane-brum.html

A Enfermaria Entre a Vida e a Morte (Eliane Brum):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/08/enfermaria-entre-vida-e-morte-eliane.html







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