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sábado, 11 de julho de 2009

7 passos para um alimento melhor



7 passos para um alimento melhor

HSM Online - 08/07/2009
http://br.hsmglobal.com/notas/53392-7-passos-um-alimento-melhor



UNEP divulga plano de alimentos verdes para reduzir resíduos e alimentar o planeta.
Saiba mais detalhes em matéria da Agenda Sustentável.




Os líderes mundiais do Conselho de Gestão do Programa Ambiental da Organização das Nações Unidas (UNEP), reunidos no Quênia, disseram que, à luz das extremas quantidades de desperdícios na produção e consumo de alimentos em todo o mundo, ajustes de ineficiências poderiam prover alimentos suficientes para alimentar a população mundial.

Além de pressões ambientais no abastecimento alimentar global, incluindo as alterações climáticas, produção de biocombustíveis e secas, os desperdícios e a ineficiência na produção de alimentos são as maiores razões para a escassez alimentar mundial, de acordo com o novo relatório divulgado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

O "The Environmental Food Crisis: The Environment"s Role in Averting Future Food Crises," (A crise Alimentar Ambiental: o Papel do Meio ambiente para evitar futuras crises alimentares), lançado na reunião da UNEP, no Quênia, destaca alguns dos extremos desperdícios no sistema alimentar mundial:

• Pesquisas de suporte ao relatório estimam que cerca de 30 milhões de toneladas de peixe sejam devolvidas ao mar todos os anos;
• Mais de um terço do consumo mundial de cereais são usados para alimentar animais
• O desperdício de alimentos é abundante nos países desenvolvidos: no Reino Unido, cerca de 30% de todos os alimentos comprados não são consumidos, os EUA desperdiça entre 40 e 50% de sua oferta de alimentos, e na Austrália os resíduos alimentares representam metade de todos os resíduos nos aterros.

Fazer mudanças e reduções na quantidade de alimentos desperdiçados não só pode ajudar a alimentar a população mundial hoje, mas fornecer alimentos suficientes para um crescimento esperado da população, nos próximos 40 anos.

O relatório da UNEP estabelece um plano de sete passos para atingir os objetivos de tornar mais inteligente a utilização da cadeia de alimentos e proteger a fauna e dos ecossistemas, ao mesmo tempo.

"Precisamos de uma revolução verde na economia verde, mas um com um capital G", disse Achim Steiner, Sub-Secretário-Geral da ONU e Diretor Executivo da UNEP. "Temos de lidar não só com a forma como o mundo produz alimentos, mas a forma como esse alimento é distribuído, vendido e consumido, e precisamos de uma revolução que aumente a produtividade através do trabalho com a natureza e não contra".

Entre as ações previstas no plano, há a instituição de incentivos financeiros para proteger os pobres da elevação dos preços dos alimentos, produção de biocombustíveis a partir de materiais que não concorram com a agricultura (utilizando resíduos alimentares para gerar biocombustíveis) e ajuda a agricultores para que adotem práticas agrícolas mais diversificadas e ecológicas.



Ações com efeitos de curto-prazo

1. A fim de diminuir os riscos de preços altamente voláteis, devem ser estabelecidas regras para precificação de commodities e criados mais estoques de cereais para minimizar o restrito mercado de commodities de alimentos e os consequentes riscos da especulação nos mercados. Isso inclui reorganização das infra-estruturas no mercado de alimentos e para regular os preços dos alimentos e das instituições que gerenciem os preços de alimentos e prover redes de segurança alimentar destinadas a minorar os impactos da elevação dos preços dos alimentos e a escassez de alimentos. Isto inclui transferências diretas e indiretas, como fundos mundiais de apoio a micro-financiamento para aumentar a produtividade de pequenos agricultores.

2. Estimular a remoção de subsídios e taxas protecionistas dos biodieseis de primeira geração, o que promoveria a mudança para biodieseis de geração mais elevada com base em resíduos (se este não competir com a alimentação animal), evitando assim a utilização de lavoura pelos biocombustíveis. Isto inclui a remoção de subsídios às commodities agrícolas e insumos que estão agravando da crise alimentar, e investir na mudança para sistemas alimentares sustentáveis e da eficiência energética alimentar.



Ações com efeitos de médio-prazo

3. Reduzir a utilização de cereais na alimentação de animais e peixes, desenvolvendo alternativas para a alimentação desses animais. Isto pode ser feito em uma economia "verde" de alimentos com o aumento da eficiência energética dos alimentos usando peixes de devolução, captura e reciclagem de perdas e desperdícios pós-colheita, resíduos e desenvolvimento de novas tecnologias, aumentando assim a eficiência energética dos alimentos entre 30-50% nos atuais níveis de produção. Envolve também realocação de peixes atualmente utilizados para a alimentação aquicultura diretamente ao consumo humano, sempre que possível.

4. Apoio aos agricultores no desenvolvimento de sistemas de ecoagricultura diversificados e resistentes que fornecem serviços ecossistêmicos críticos (oferta e regulação hídrica, habitat para plantas e animais selvagens, diversidade genética, polinização, controle de pragas, regulação climática), bem como a alimentação adequada para satisfazer as necessidades dos consumidores locais. Isto inclui a gestão de precipitações extremas e utilização de culturas intercalares para minimizar a dependência de insumos externos como fertilizantes artificiais, pesticidas e irrigação com água azul e desenvolvimento, implementação e suporte de tecnologia verde também para agricultores de pequena escala.

5. Aumento das trocas comerciais e melhor acesso ao mercado podem ser alcançados pela melhoria das infraestruturas e redução de barreiras comerciais. Contudo, isto não implica uma abordagem de mercado completamente livre, uma vez que a regulamentação de preços e de subsídios governamentais é crucial rede de segurança e investimentos em produção. O maior acesso do mercado também deve incorporar uma redução de conflitos armados e a corrupção, que tem um grande impacto sobre o comércio e a segurança alimentar.



Ações com efeitos de longo prazo

6. Limitar o aquecimento global, incluindo a promoção de sistemas ambientalmente amigáveis de produção agrícola e políticas de uso da terra em uma escala para ajudar a mitigar as alterações climáticas.

7. Aumentar a conscientização das pressões do crescente aumento da população e padrões de consumo sobre o funcionamento de ecossistemas sustentáveis.

O relatório completo está disponível para download gratuito aqui.


Fonte: Equipe Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)








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José $arney: Um Político Imoral



Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia.

(Nelson Motta)




José Sarney - Um Político Imoral











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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Palestina - A Resistência Cultural



Diário da Palestina - 1de3
A Resistência Cultural
Emir Sader - Carta Maior - 24/06/2009
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=321


Direto de Ramallah, Palestina - Uma ocupação colonial não é apenas uma ocupação militar. Ela precisa tentar impedir a sobrevivência da cultura, da memória do povo ocupado. Mais ainda se se trata da ocupação de um povo com uma das mais antigas histórias e mais ricas culturas.

Como era impossível que a Capital da Cultura Árabe pudesse ser Bagdá, pela ocupação das tropas norte-americanas, foi decidido que Jerusalem (que eles chamam de Al-Quds) fosse a Capital da Cultura Árabe de 2009. As comemorações têm sido vítimas das mais violentas e odiosas repressões das tropas israelenses de ocupação. Organizar lindas atividades em torno da cultura árabe passaram a ser um imenso desafio para o Comitê Palestino de Organização, por dificuldades de recursos, de convidar pessoas - poetas, músicos, cantores, artistas do mundo árabe e de outras regiões do mundo - para vir a uma região cercada e ocupada, que deveriam realizar-se nas ruas e praças de Jerusalém.

O ato de apresentação do logotipo dos eventos, programada para ser dar no Teatro Nacional de Jerusalém, em abril do ano passado, foi proibida por Israel, declarado ilegal e reprimido brutalmente por forças militares para tentar impedir sua realização. Foram presos três dos membros do grupo organizador.

Apesar de todas as dificuldades, deu-se inicio às comemorações no dia 21 de março deste ano, com atividades populares nas ruas de Jerusalém, que terminaram com uma noite de fala em Bethlehem. Israel enviou tropas contra crianças que carregavam balões com as cores da bandeira palestina - vermelhas, brancas, verdes e pretas. As tropas de ocupação atacaram os jovens que iam realizar danças tradicionais palestinas, com suas roupas típicas, produzindo cenas de pânico e desespero.

Como reação, todas as escolas, universidades, centros culturais, prefeituras de dentro ou de fora da Palestina, decidiram assumir a celebração organizando atividades sobre a bandeira e o logotipo de Jerusalém Capital da Cultura Árabe de 2009. Centenas de eventos aconteceram em muitos países como mostra de solidariedade e de protesto contra a repressão israelense. Fica claro, cada vez mais, que não se trata da ocupação e da ação militar contra "forças terroristas", como alegam os ocupantes, mas contra a resistência da cultura palestina.

Os palestinos adotaram o lema: "Jerusalém nos une e não deve dividir-nos", reforçando a necessidade de união de todos os palestinos para derrotar a ocupação e pela conquista do direito de um Estado palestino, reconhecido pelas Nações Unidas, mas impedida pelos EUA e por Israel.

"Uma vez liberada, Jerusalém não será apenas a inquestionável capital da cultura árabe, mas será a cidade da diversidade cultural e religiosa, da tolerância e do respeito pelos outros. Uma cidade aberta para a paz cujos tesouros históricos e religiosos serão desfrutados por todos, do leste e do oeste. O único muro que a cercará será o muro histórico de sua Cidade Velha e suas 12 portas, incluindo a Porta de Ouro, que uma vez aberta, levará todos os povos do bem para o céu".

As palavras são de Ragiq Husseini, presidente do Conselho Administrativo do Comitê Nacional pela Celebração de Jerusalém como Capital da Cultura Arabe em 2009. Estar aqui, chegar a Ramallah revela, com toda força, como este é um território ocupado, cruzado por muros que dividem aos próprios palestinos, povoado de tropas e de carros militares, submetendo a este heróico povo à ocupação, à opressão, à humilhação, na mais grave situação de violação dos direitos humanos - políticos, sociais, econômicos, culturais - no mundo de hoje.


Palestina - Ocupação, Colonialismo e Apartheid



Direto de Ramallah, Palestina - Uma coisa é ouvir falar, ler, falar de ocupação. Outra é ver o que significa. Ramallah, uma cidade pacífica, sem violência, sem problemas de segurança, onde se pode andar por qualquer bairro a qualquer hora do dia ou da noite, uma cidade sem população de rua, sem crianças abandonadas.


A ocupação israelense significa a brutalidade de cortar a cidade com muros, que separam palestinos de palestinos. Há uma grande avenida que o muro corta um lado do outro da rua. Os muros separam, segregam, colocam entre palestinos os controles, comandados por soldados israelenses armados até os dentes, que exercem sistematicamente seu poder armado, com arbitrariedade e discriminação. Não na lógica nos muros, é um exercício conscientemente arbitrário, para demonstrar - como faz o torturador diante da sua vitima - que o ocupante pode fazer o que bem entender, sem qualquer lógica, só como exercício do poder armado de que dispõe.


Muros para lacerar na carne o orgulho, a auto-estima, para tentar desmoralizar aos palestinos, levá-los ao dilema entre a passividade, a resignação, ou o desespero das ações armadas. Esta seria a atitude espontânea de qualquer ser humano, diante das humilhações a que são submetidos os palestinos, diante da demonstração brutal de força. Parece que os ocupantes querem provocar reações violentas, que justificariam novas ofensivas violentas.


Os palestinos gastam várias horas por dia nas filas dos controles. Para ir de Ramallah a Jerusalém pode-se tomar 10 minutos ou três horas, na dependência do arbítrio das tropas de ocupação. Os palestinos tem que elaborar guias de sobrevivência para sobreviver com os 630 pontos de controle na Palestina atualmente.


Trata-se de uma ocupação ilegal, injusta, de discriminação racial, do tipo do apartheid sul-africano. Os israelenses querem impedir aos palestinos de ter um Estado como foi reconhecido a Israel no fim da Segunda Guerra Mundial. Julgar-se um "povo escolhido" - também isto eles tem em comum com os norte-americanos. Como disse Edward Said, os palestinos são as "as vítimas das vítimas". Os israelenses se consideram vitimas, mas passaram a ser verdugos, colonialistas, imperialistas, racistas.


Ver os muros, sua violência, sua brutalidade, a frieza da sua desumanidade, diante das casas humildes, das oliveiras - tantas casas e oliveiras destruídas para a construção dos muros - dos palestinos, permite sentir no mais profundo de cada um os dois mundos que se contrapõe aqui. A neutralidade, a passividade, se tornam impossíveis, cúmplices, diante de tanta injustiça e violência.


Um Estado terrorista, um Exército do terror, tropas de ocupação coloniais, ações imperiais - essa a ocupação israelense do que deveria ser território palestino. Do que deverá ser território de uma Palestina livre, democrática e soberana.


Palestina - Por Que Israel Não Aceita um Estado Palestino



Israel e EUA vão em direções opostas? Enquanto Obama tenta resgatar uma imagem internacional muito desgastada, de que faz parte a retomada de negociações sobre a Palestina, Netanyahu vai na direção oposta. Enquanto seu partido não reconhece, nem formalmente, o direito ao Estado palestino, pressionado por Obama, apresentou uma impossível proposta, mais uma armadilha do que algo que apontasse para a retomada de negociações com os palestinos.


Para quem constata, aqui, na Palestina, a ocupação militar, os muros, os assentamentos, protegidos militarmente, é ridícula a proposta do primeiro ministro de Israel de um Estado Palestino desmilitarizado. Porque trazer a paz à Palestina é, antes de tudo, a retirada imediata e incondicional, das tropas israelenses de ocupação dos territórios palestinos. Isso é desmilitarizar.

Por outro lado, não apenas não desmontar, como seguir instalando assentamentos judeus no coração da Palestina - não apenas no campo, mas no centro de cidades como Ramallah -, é sabotar concretamente qualquer solução política pacífica à questão palestina. Dizer que deseja negociações com a Palestina, mas ao mesmo tempo afirmar e seguir instalando assentamentos, é dizer, pela via dos fatos, que Israel quer perpetuar a ocupação genocida dos territórios palestinos.

Israel nega à Palestina o mesmo direito que ele tem: o de ter um Estado soberano, apesar das decisões reiteradas da ONU, que garantem a existência de dois Estados, um israelense, o outro palestino, com os mesmos direitos. Com territórios contínuos, com soberania, com direito de regresso dos imigrantes. Por que Israel não aceita a existência de um Estado Palestino? Por que Israel passou de vítima a verdugo?

O argumento usual era o de que os palestinos eram uma ameaça para a sobrevivência de Israel. Mas desde que a Autoridade Palestina, através de Arafath, passou a reconhecer o direito à existência do Estado de Israel, esse argumento desapareceu. Alega Israel que os palestinos são "terroristas", mas todas as reações à ocupação militar, às agressões cotidianas e as humilhações cotidianas contra os palestinos, em seus próprios territórios, configuram, claramente, um regime de terror contra o povo palestino.

Nestes dias aqui, na Palestina, pudemos constatar a queima de plantações de trigo dos palestinos, feitas por colonos judeus dos assentamentos. A aprovação de mais 250 milhões de dólares por parte do governo israelense, para seguir os assentamentos. Casas palestinas continuam a ser derrubadas, para a construção de novos assentamentos. A expulsão arbitrária de palestinos de Jerusalém, a derrubada de casas e oliveiras, o assedio constante, para incitar o abandono da cidade santa.

Mas, além disso, ao inviabilizar - pelo cerco militar, pela ocupação, pelas incursões genocidas das suas tropas, por ataques genocidas, como o realizado recentemente contra Gaza - o desenvolvimento econômico, Israel estabelece uma situação de super-exploração dos palestinos. Incita os palestinos ou a emigrar para outros países ou a submeter-se a ser superexplorados pelos israelenses. Os absurdos muros tem menos uma lógica de defesa militar e muito mais de inviabilização econômica da Palestina.

Além de que a ocupação militar serve também para a apropriação dos recursos naturais da Palestina. Como exemplo, Israel utiliza 6 vezes mais água do que os palestinos, embora explore os mananciais situados na Palestina.

Mas o objetivo maior da ocupação é a tentativa de assassinar a identidade do povo palestino, de liquidar sua memória histórica, de liquidar a auto-estima dos palestinos, de desmoralizá-los, de dispersá-los pelo mundo afora, fomentando a diáspora e bloqueando o retorno dos palestinos aos seus territórios.

Se Obama quer, de fato, pressionar Israel para que reabra negociações reais, o primeiro que deveria fazer seria não mais exercer o direito de veto na ONU em todas as resoluções de condenação de Israel. Além de ameaçar e verdadeiramente suspender o imenso apoio militar que seu país dá a Israel, para que seu país ocupe os territórios dos palestinos.

Quando Israel possui um governo que nega o direito dos palestinos disporem de um Estado, aprovado pelas Nações Unidas, possui um ministro de relações exteriores que deseja a expulsão dos palestinos de Israel, até mesmo o ataque nuclear para destruir aos palestinos - fica claro que a solução política da questão palestina tem que apontar para Telaviv e não para os palestinos.





segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pausa para o Café



Pausa Para o Café
Ciência Hoje On-Line - Jerry Carvalho Borges - 03/07/2009
http://cienciahoje.uol.com.br/148478


Colunista discute como o consumo de cafeína pode interferir no funcionamento do organismo.


Passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo. Há indícios de que um período de 8 horas diárias de sono seja importante para a recuperação do desgaste orgânico e possa também ser essencial para consolidar memórias e o aprendizado.

Mas esse comportamento essencial tem sido comumente negligenciado: cerca de 28% dos jovens adultos normalmente dormem menos de 6 horas e meia por noite e muitos consideram que o sono compete com outras atividades. Essa carência de sono gera fadiga e afeta o desempenho diário de muitos indivíduos, pois um decréscimo no período de sono noturno de apenas 1,3 a 1,5 horas pode resultar em uma redução de cerca de um terço na capacidade de se manter alerta.

A diminuição na duração do sono está relacionada a uma série de outros problemas. Estimativas indicam que anualmente morrem de 30 mil a 50 mil pessoas em acidentes de trânsito no Brasil. Calcula-se que de 26% a 32% desses acidentes sejam decorrentes da sonolência e fadiga e que 17% das mortes sejam causadas por adormecimento ao volante. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o sono ao volante gera gastos de cerca de R$ 1,1 bilhão para o país, sem contabilizar as despesas com aposentadorias por invalidez, afastamentos do trabalho, medicação e tratamentos.


Kofetarica, quadro pintado em 1888 pela eslovena Ivana Kobilca (1861-1926).
O consumo de bebidas cafeinadas, como o tradicional cafezinho, é uma prática comum para compensar o desgaste causado por noites mal dormidas.



Por isso, não é surpreendente que as pessoas busquem formas de compensar o desgaste causado por essa diminuição do período de sono. Em nosso país, uma das práticas mais disseminadas é o consumo de bebidas cafeinadas. Dentre elas, o tradicional cafezinho é, sem dúvida, o campeão de preferência.

Uma xícara de café contém cerca de 100 miligramas (mg) de cafeína, o principal composto ativo presente nessa bebida. A cafeína (1,3,7-trimetilxantina) é um alcaloide do grupo das xantinas encontrado em diversas plantas tradicionalmente utilizadas como estimulantes, como o guaraná, o chá mate, o cacau e o café (Coffea arabica). Esse composto atua sobre o sistema nervoso central e sobre o metabolismo basal, estimulando diversos processos fisiológicos, como a produção de suco gástrico, o ritmo cardíaco, a dilatação dos vasos periféricos e a atividade respiratória.




O café e o relógio biológico

A cafeína também pode interferir no nosso "relógio biológico" - o ciclo circadiano. O ritmo fisiológico diário (conjunto de fenômenos biológicos que se repetem a cada 24 horas, como o sono, o estado de alerta e a temperatura do corpo) depende de variações endógenas do mensageiro celular adenosina e de seus metabólitos. A adenosina é considerada um indutor do sono. Ela se acumula no cérebro durante o período em que estamos acordados (vigília) e é liberada quando dormimos. Essa molécula atua sobre o ciclo da melatonina, um hormônio produzido por uma parte do cérebro conhecida como neurohipófise e que controla o nosso ritmo circadiano.

Análises farmacológicas indicam que a cafeína é um antagonista da adenosina, ou seja, compete com essa molécula pela ligação com o seu receptor, localizado na membrana plasmática de suas células-alvo. Dessa forma, a cafeína pode inativar a ação da adenosina.

Mas essa capacidade estimulante da cafeína não é o principal motivo para o consumo de café no mundo. O café normalmente é consumido para relaxamento (34%) e durante interações sociais (17%), sendo raramente usado para estimulação (14%) e combate ao estresse (7%). Outras fontes de cafeína, como o chá, bebidas energéticas, chocolate, bolos, tortas, balas e medicamentos, também fazem parte da dieta de muitas pessoas e podem contribuir com até um terço da cafeína consumida diariamente.




Os males do excesso de cafeína


A cafeína pode interferir no nosso ritmo fisiológico diário e seu consumo em excesso é associado a distúrbios no sono (foto: Chad fitz/ Wikimedia Commons).


O consumo de doses elevadas de cafeína pode causar distúrbios no sono e na capacidade produtiva de seus consumidores. Análises sugerem que concentrações de cafeína superiores a 400 mg consumidas antes de se ir para a cama aumentam o tempo gasto para se conseguir dormir, causam alterações no humor e prejudicam a capacidade de realização de tarefas e de se manter alerta no dia seguinte.

Mas esses problemas são raramente observados em situações reais, pois a maior parte das pessoas não costuma consumir essa bebida antes de dormir. Uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de café de 338 indivíduos entre 20 e 40 anos realizada por Karl Bättig, do Instituto Federal de Tecnologia, em Zurique (Suíça), indicou que 73% das pessoas consomem café durante as manhãs, 52% no almoço e apenas 18% após o jantar.

A quantidade de café consumida pela maioria da população também não parece ser suficiente para causar alterações no padrão de sono. Um consumo diário de cerca de seis a sete xícaras de café (que gera uma concentração de 6 a 7 mg de cafeína por quilo no corpo, considerando o peso médio de um indivíduo) não provoca efeitos fisiológicos verificáveis. Como a maioria da população consome a cada dia em torno de 3 mg de cafeína por quilo – valor equivalente a três xícaras de café –, essa concentração não seria capaz de alterar seu padrão de sono.

Contudo, doses mais altas – acima de 8 mg por quilo – diminuem a qualidade e a quantidade do sono. A ingestão de doses elevadas de cafeína pode causar irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça e insônia. A administração de doses de cafeína acima de 10 gramas por quilo causa convulsões e pode levar à morte.




De vilão a mocinho



Estudos recentes mostram que o consumo moderado de café pode ter efeitos benéficos para o corpo (foto: Goele/ Wikimedia Commons).



Por outro lado, estudos recentes redimem o tradicional cafezinho. Eles mostram que essa bebida, se consumida moderadamente, pode, inclusive, ter um papel positivo na fisiologia de seus consumidores. A maioria dessas pesquisas têm associado a ingestão de bebidas cafeinadas – nas doses comumente consumidas – com a capacidade dos indivíduos de permanecerem despertos e vigilantes e não com a ocorrência de distúrbios do sono.

Um estudo liderado por Carolyn Brice e Andrew Smith, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, é um exemplo dessa nova tendência. Esses pesquisadores avaliaram os efeitos da ingestão diária de 3 mg de cafeína por quilo sobre a habilidade de direção de 24 voluntários jovens, sadios, não fumantes e que consumiam regularmente café.

Os resultados da pesquisa indicam que esses indivíduos, quando comparados a pessoas que não haviam consumido café, apresentavam um grau maior de alerta, vigilância visual, tempo de reação e de memorização. Esses efeitos perduravam por uma hora após o consumo da bebida. Além disso, testes mostraram uma melhoria no humor daqueles que beberam café.

Diversos outros estudos também apontam que o consumo moderado de cafeína representa uma alternativa barata e eficiente para se combater os efeitos do cansaço e para se evitar acidentes ocupacionais e de trânsito. Por isso, esse deve ser um hábito cotidiano para uma série de profissionais, como motoristas, pilotos de avião, seguranças e trabalhadores de horários noturnos, que necessitam se manter despertos e alertas por longos períodos de tempo. Mas também não podemos excluir, é claro, todos aqueles que fazem do café um bom motivo para uma pausa para colocar a conversa em dia!








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Café contra Alzheimer



Café Contra Alzheimer
Fapesp - 06/07/2009
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10733/cafe-contra-alzheimer.htm


Estudos em camundongos indicam que ingestão de cafeína reduz níveis anormais de placas amilóides no cérebro, características da doença.



Café para o tratamento de Alzheimer? É o que descrevem dois artigos publicados neste domingo no Journal of Alzheimer's Disease. Os trabalhos por enquanto foram feitos apenas em camundongos, mas os resultados deixaram os autores otimistas.

Segundo o grupo internacional de pesquisadores responsável pelos dois estudos complementares, a ingestão de cafeína levou à redução de níveis anormais de placas amiloides - depósitos de proteínas que danificam nervos no cérebro e são características da doença - tanto no sangue como no cérebro de camundongos.

Os estudos foram baseados em trabalhos anteriores feitos no Centro de Pesquisa sobre a Doença de Alzheimer da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, os quais mostraram que a administração de cafeína no início da vida adulta preveniu a manifestação de problemas de memória em camundongos modificados geneticamente para desenvolver sintomas de Alzheimer quando idosos.

"Os novos resultados fornecem evidência de que a cafeína pode ser uma alternativa viável para o tratamento da doença já estabelecida, e não apenas como uma estratégia preventiva. Isso é muito importante, pois o consumo de cafeína é seguro para a maioria das pessoas, ela entra facilmente no cérebro e aparentemente afeta diretamente o processo da doença", disse Gary Arendash, da Universidade do Sul da Flórida, um dos coordenadores das pesquisas.

Com base nos resultados animadores, os cientistas esperam começar em breve testes em humanos para avaliar se a cafeína pode beneficiar pacientes com prejuízo cognitivo suave ou Alzheimer em estágio inicial.

Os pesquisadores haviam determinado em trabalho anterior que a administração de cafeína em idosos sem sinais de demência altera rapidamente os níveis de beta-amiloide (proteína responsável pela formação da placa) no sangue, da mesma forma como foi verificada em testes com animais.

O grupo se interessou em investigar o potencial da cafeína há alguns anos, após a publicação de um estudo feito em Portugal que apontou que pessoas com Alzheimer haviam consumido menos café nos 20 anos anteriores do que outros sem a doença.

Desde então, diversos estudos clínicos não controlados apontaram que o consumo moderado de café poderia proteger contra o declínio da memória que ocorre normalmente durante o envelhecimento. Os novos estudos, controlados, permitiram isolar efeitos da cafeína de outros fatores, como dieta ou exercício, segundo os autores.

Os trabalhos foram feitos em 55 camundongos geneticamente alterados para desenvolver problemas de memória, simulando Alzheimer, à medida que envelheciam.

Depois que testes comportamentais confirmaram que os animais apresentavam sinais de déficits de memória por volta dos 18 meses - que correspondem aos 70 anos em humanos -, os pesquisadores dividiram os camundongos em dois grupos, um dos quais passou a receber café junto com a água que bebiam.

Os roedores ingeriram cerca de 500 miligramas de café por dia, o equivalente a um pouco mais de dois expressos. Após os dois meses da pesquisa, o grupo que ingeriu café se saiu bem melhor do que o outro em testes para avaliar a memória.

De acordo com os pesquisadores, a análise dos cérebros dos camundongos que consumiu café mostrou uma redução de quase 50% nos níveis de beta-amiloide.

Outro experimento do mesmo grupo indicou que a cafeína aparentemente restaura a memória ao reduzir as quantidades de enzimas necessárias para a produção da beta-amiloide. Os autores estimam que a cafeína deve suprimir as alterações inflamatórias no cérebro que levam à abundância de beta-amiloide.

Se a cafeína teve importante ação nos animais doentes, o mesmo não ocorreu em outro experimento feito com exemplares saudáveis. Nesses, a administração da substância não levou a uma melhoria da memória.

Os artigos Caffeine reverses cognitive impairment and decreases brain amyloid-β levels in aged Alzheimer's disease mice e Caffeine suppresses amyloid-β levels in plasma and brain of Alzheimer's disease transgenic mice podem ser lidos por assinantes do Journal of Alzheimer's Disease em www.j-alz.com.







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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Óleo substituto da gordura trans também é nocivo



Mesmo com menos gordura trans, alimentos industrializados ainda têm altos teores de gorduras saturadas - também danosas à saúde cardiovascular porque aumentam os níveis de LDL (colesterol ruim) no sangue. É o que aponta estudo feito na Unidade de Lípides do InCor e na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

O responsável é o óleo de palma, que confere características semelhantes às da gordura trans em alimentos, como textura crocante e maior durabilidade. Ele tem sido usado no Brasil como substituto da trans, após a decisão do Ministério da Saúde de obrigar a indústria a reduzir a quantidade desse tipo de gordura nos produtos. E já é largamente utilizado em outras partes do mundo onde a gordura trans foi banida.


No trabalho, publicado na última edição da "Revista da Associação Médica Brasileira", foram avaliados margarinas, biscoitos doces recheados, biscoitos salgados, batatas fritas e hambúrgueres.


"Esperávamos uma quantidade razoável de gordura saturada no hambúrguer porque ele tem carne. Mas nos surpreendemos muito com os outros produtos, que continham pouca trans, mas muita gordura saturada, que vinha do óleo de palma", afirma Ana Carolina Gagliardi, nutricionista e doutoranda em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo estudo.


A batata frita e os biscoitos salgados e doces foram os que apresentaram a maior proporção de gorduras saturadas.


De acordo com Jane Show, engenheira de alimentos do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos) e presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, as empresas têm diminuído os níveis de gordura trans de seus produtos. Em dezembro de 2008, o Ministério da Saúde e a indústria de alimentos definiram que a gordura trans deve ser reduzida até 2010.


"O consumidor não quer mais comprar produtos com trans. As indústrias passaram a usar o óleo de palma, que tem valores altos de gordura saturada. Não se proíbe o uso de gordura saturada, mas tem de estar declarada no rótulo", diz.




"Esquecidas"

Para Gagliardi, as gorduras saturadas ficaram "esquecidas" diante da preocupação com a do tipo trans. "O efeito deletério é similar. Alguns trabalhos dizem que não, mas os que falam bem do óleo de palma foram feitos em animais ou patrocinados por fabricantes. Pesquisas mais sérias apontam riscos parecidos", acrescenta.


Para outros especialistas, a gordura trans, além de aumentar o LDL sanguíneo, também reduz os níveis de HDL (colesterol bom) e, por isso, é mais perigosa do que as saturadas.


"Os produtos ficaram melhores, mas não é por isso que podemos comer à vontade. Deve-se ler o rótulo, saber que ainda são ricos em gorduras. Estão trocando um ingrediente que é duas vezes ruim por um que é uma vez só", diz a nutricionista Camila Gracia, do Setor de Nutrição Preventiva do HCor.


A Folha procurou a Abia (Associação Brasileira da Indústria Alimentícia) para comentar a pesquisa, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. (Fonte: Julliane Silveira / Folha Online)




Sono Criativo



Sono Criativo
Agência Fapesp - 09/06/2009
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10617/sono-criativo.htm

Estudo publicado indica que a fase REM do sono estimula a criatividade e a solução de problemas (foto: NIH).


Problema difícil de solucionar? Faltou criatividade? Melhor deixar para lá e ir dormir. Segundo um novo estudo, o sono estimula a criatividade e a solução de problemas. A pesquisa pode ter importante implicações para entender como o sono, especificamente o sono REM, atua na formação de redes associativas no cérebro.

Sono REM (sigla em inglês para "movimento rápido dos olhos"), também conhecido como sono paradoxal, é a fase caracterizada pela presença de sonhos e maior atividade neuronal do que a fase não-REM.

O estudo feito por Sara Mednick, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, e colegas mostra que a fase REM estimula diretamente o processamento criativo mais do que qualquer outra fase do sono ou mesmo durante o período em que se está acordado.

O trabalho será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

"Verificamos que, para questões ligadas ao que a pessoa está trabalhando no momento, a passagem do tempo é suficiente para encontrar as soluções. Entretanto, para novos problemas, apenas o sono REM é capaz de aumentar a criatividade", disse Sara.

Segundo ela, aparentemente o sono REM ajuda a chegar a soluções por meio do estímulo de redes associativas, permitindo que o cérebro estabeleça ligações novas e úteis entre ideias não relacionadas. Outro ponto importante é que essa característica não seria por conta de melhorias na memória seletiva.

Para identificar se as melhoras eram devidas ao sono ou simplesmente à redução de interferências - uma vez que experiências durante o período acordado interferem na consolidação da memória -, os pesquisadores compararam períodos de sono com períodos de descanso controlado sem qualquer estímulo verbal.

Aos participantes do estudo foram apresentados múltiplos grupos de três palavras e eles tiveram que falar uma quarta palavra que poderia ser associada com as demais. Foram feitos testes nas manhãs e no fim do dia, com os voluntários divididos entre três grupos: o primeiro que dormiu à tarde e atingiu o sono REM, outro que dormiu mas não atingiu essa fase e um terceiro que ficou em descanso sem dormir.

Segundo o estudo, o primeiro grupo apresentou um aproveitamento 40% melhor nos testes feitos após o período de sono, enquanto os demais não mostraram resultados diferenciados.

Os pesquisadores sugerem que a formação de redes associativas a partir de informações previamente não relacionadas no cérebro, que levam à solução criativa de problemas, seria facilitada por mudanças nos sistemas neurotransmissores durante a fase de sono REM.

O artigo REM, not incubation, improves creativity by priming associative networks, de Sara Mednick e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org.








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Uso regular de aspirina pode fazer mais mal do que bem



Uso regular de aspirina
pode fazer mais mal do que bem
Redação do Diário da Saúde - 03/07/2009
http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=uso-regular-aspirina-pode-fazer-mais-mal-do-que-bem


Embora o uso regular da aspirina reduza os ataques cardíacos não-fatais em cerca de 12%,
há um aumento de 33% no risco de hemorragias internas em pessoas sem histórico de doenças relevantes.




Pouco bem, grande mal

Será que uma aspirina por dia pode evitar que tenhamos que ir ao médico? Uma nova pesquisa demonstra que nem sempre. Os pesquisadores descobriram que, embora o uso regular da aspirina possa reduzir a taxa de ataques cardíacos não-fatais em cerca de 12%, há um aumento de 33% no risco de hemorragias internas em pessoas sem histórico de doenças relevantes.

O estudo, que descobriu que as orientações gerais de apoio ao uso regular da aspirina por indivíduos saudáveis - a chamada prevenção primária - são injustificáveis, foi liderado pelo professor Colin Baigent, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e publicado no jornal The Lancet.




Uso diário da aspirina

"A segurança da medicação realmente importa quando se faz recomendações para dezenas de milhões de pessoas saudáveis," disse ele ao jornal The Daily Mail. "E, para as pessoas saudáveis, não há evidências suficientes para sugerir que os benefícios de longo prazo do uso da aspirina excedam os riscos por uma margem segura", acrescentou o médico.

"As orientações atuais ignoram largamente quaisquer diferenças nos riscos de hemorragia, e recomendam que a aspirina seja usada para a prevenção primária em pessoas com risco moderadamente alto de doenças coronarianas", diz o estudo. "Tem sido sugerido também que, como a idade é um dos principais determinantes do risco de doenças coronarianas, que a ingestão diária de aspirina deve começar em indivíduos com determinada idade, seja isoladamente, seja em combinação com outros medicamentos".




Efeitos da ingestão contínua de aspirina

Os pesquisadores avaliaram dados de mais de 95.000 pessoas que participaram de seis avaliações clínicas aleatórias cujo objetivo era examinar a prevenção primária com o uso da aspirina.

Segundo os resultados desses estudos, o risco de eventos vasculares sérios caiu de 0,57% para 0,51% a cada ano em razão do tratamento com aspirina, mas o risco de hemorragias graves aumentou de 0,07% para 0,10% a cada ano. De acordo com os pesquisadores, isso indica que a aspirina não é, de fato, um método à prova de falhas para a prevenção primária.

"Em pacientes que já estão sob alto risco porque já tiveram doenças vasculares oclusivas, a terapia de longo prazo antiplaquetas (com a aspirina) reduz o risco anual de eventos vasculares sérios em cerca de um quarto", diz o estudo. "Esse decréscimo corresponde tipicamente a uma redução absoluta entre 10 a 20 por 1.000 na incidência anual de eventos não-fatais e a uma redução menor, mas ainda assim definitiva, na mortalidade vascular".

Nos estudos de prevenção secundária, que estudaram pacientes tomando aspirina para prevenir a repetição de um ataque cardíaco, os pesquisadores descobriram que a aspirina diminui o risco de eventos vasculares sérios em cerca de 20%. As reduções nos riscos foram similares para homens e mulheres nos dois conjuntos de testes.




Só quando os riscos compensarem

A alternativa para a prevenção primária, dizem os pesquisadores, é adiar o início do tratamento de longo prazo com a aspirina até que haja alguma evidência de doença vascular oclusiva, que afeta as artérias e leva à insuficiência arterial e à isquemia.

"A principal desvantagem do adiamento é que a primeira manifestação da doença pode ser um evento debilitante ou fatal, mas a principal vantagem é que ele poderá evitar décadas de um aumento constante no risco de hemorragia ou de sangramento extracraniano grave", concluem os pesquisadores.








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Relação Entre Esquizofrenia e Transtorno Bipolar




Raízes da Esquizofrenia
Fapesp - 02/07/2009
http://www.agencia.fapesp.br/materia/10718/raizes-da-esquizofrenia.htm



Três estudos publicados na Nature identificam variações genéticas ligadas ao desenvolvimento da doença e descobrem semelhanças com transtorno bipolar (imagem: NIH).


Esquizofrenia e transtorno bipolar têm raízes genéticas semelhantes. A afirmação está em um estudo publicado na edição desta quinta-feira (2/7) da revista Nature, que traz outros dois artigos com resultados de pesquisas diferentes sobre a esquizofrenia.

As três pesquisas apresentam diversas novidades a respeito da variação genética e do risco de desenvolver o conjunto de psicoses que tem sintomas como delírios persecutórios e alucinações, especialmente auditivas, e que atinge cerca de 1% da população.

Reunidos, os estudos, que cobriram análises de mais de 10 mil casos de esquizofrenia, descobriram uma extensa gama de variações genéticas que respondem por pelo menos um terço do risco de desenvolvimento da doença.

Os pesquisadores do Consórcio Internacional de Esquizofrenia - fundado em 2006 e que reúne cientistas de 11 instituições na Europa e nos Estados Unidos - mostraram que variantes genéticas comuns estão por trás do risco de desenvolvimento da doença, na primeira evidência molecular de tal relação.

O estudo também apresenta evidência molecular de um componente poligênico para o risco da doença que envolve milhares de alelos comuns. Esses alelos, cada um com um pequeno efeito, também contribuem para o risco de desenvolvimento de transtorno bipolar.

"Os resultados recomendam um novo olhar em nossas categorias de diagnóstico. Se alguns dos mesmos riscos genéticos envolvem tanto a esquizofrenia como o transtorno bipolar, talvez esses distúrbios tenham origem em alguma vulnerabilidade comum no desenvolvimento cerebral", disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIHM, na sigla em inglês), um dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Os três estudos apontam para uma mesma área, no cromossomo 6, conhecida por abrigar genes envolvidos em imunidade e por controlar como e quando os genes são ligados ou desligados. Essa identificação de um local pode ajudar a explicar como fatores ambientais afetam o risco de desenvolvimento da esquizofrenia. Há, por exemplo, evidências de que grávidas com gripe têm maior risco.

"Nosso estudo empregou uma nova maneira de detectar as assinaturas moleculares das variações genéticas que apresentam pequenos efeitos no risco potencial de desenvolvimento da esquizofrenia. Individualmente, esses efeitos não são estatisticamente significativos, mas, juntos, eles têm um papel importante, somando pelo menos um terço do risco", disse Shaun Purcell, da Universidade Harvard, autor de um dos estudos.

Um dos estudos também encontrou uma associação entre esquizofrenia e uma variante genética no cromossomo 1 que está ligada à esclerose múltipla. Outra pesquisa identificou evidências de associação com variantes nos cromossomos 11 e 18 que podem ajudar a explicar os déficits de memória e de raciocínio em casos de esquizofrenia.

Os artigos Common variants conferring risk of schizophrenia, Common variants on chromosome 6p22.1 are associated with schizophrenia e Common polygenic variation contributes to risk of schizophrenia that overlaps with bipolar disorder podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com.









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quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Vida - Passe Adiante


Passe Adiante!



(dê dois cliques na seta acima para ver o vídeo - duração de 02:07 segundos)








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