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terça-feira, 7 de abril de 2015
A linguagem serve tanto para esconder como para revelar a realidade
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Drauzio Milagres
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domingo, 5 de abril de 2015
PIB ou FIB? As Lições do Butão - Conheça o reino de Butão, onde a Felicidade Interna Bruta é o fator mais importante.
PIB ou FIB: As Lições do Butão
Susan Andrews - Revista Época nº 501 de 24/12/2008
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80676-6048-501,00.html
Conheça o reino de Butão, onde a Felicidade Interna Bruta é o fator mais importante.
Visualize um reino de deslumbrantes cumes nevados, com leopardos e iaques vagando pelas montanhas. Com vastas florestas intocadas, onde o contentamento é mais valorizado que o comércio, e um sábio rei que declara que a felicidade de seus súditos é mais importante que a produção econômica.
Um conto de fadas? Um sonho da imaginação? Um reino virtual no Second Life? Nada disso. Estou falando de um lugar real, com pessoas verdadeiras – o reino do Butão, no Himalaia.
O Butão tem capturado a atenção mundial por sua inovadora mensuração da FIB (Felicidade Interna Bruta), em vez de PIB (Produto Interno Bruto). Por décadas, o PIB, índice de progresso que soma todas as transações econômicas de uma nação, tem sido criticado, mais recentemente numa conferência da Comissão Européia, em Bruxelas. O PIB não somente falha em contabilizar os custos ambientais, mas também inclui formas de crescimento econômico que são prejudiciais ao bem-estar da sociedade. Por exemplo, despesas com atendimento médico, crime, divórcio e até desastres como o Katrina são computadas como um aumento do PIB!
A FIB vai um passo além. Ela situa a felicidade como o pivô do desenvolvimento. Desde a época de Aristóteles, e indo até a Declaração da Independência dos Estados Unidos, muitas sociedades consideraram a busca da felicidade um direito fundamental de todos os cidadãos. E agora, em pleno século XXI, o rei do Butão, Jigme Singye Wangchuk – uma das cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a lista da revista Time –, disse que a FIB é o alicerce de todas as políticas de desenvolvimento do governo.
Fui convidada para participar da 3ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta, na semana passada, em Bangcoc, Tailândia. Numerosos palestrantes enfatizaram que, enquanto o PIB se baseou na crença de que a acumulação da produção econômica leva a um maior bem-estar, as pesquisas mostram que, após certo nível de renda, o aumento da riqueza não conduz a um correspondente aumento da felicidade.
Imagine um reino onde a felicidade dos súditos é mais importante
"O acelerado crescimento da Ásia nas últimas décadas alcançou o impressionante índice de 10% ao ano", disse Surin Pitsuwan, ex-ministro do Exterior da Tailândia. "Mas será que estamos mais felizes que antes, com nossa renda aumentando cada vez mais rápido? Muitos dizem que não". De fato, quando olhei a minha volta em Bangcoc, os graciosos pináculos dos templos tailandeses, com suas douradas telhas cintilando ao sol, foram obscurecidos pelos colossais shopping centers que parecem gigantescas espaçonaves. "Nós aqui do sudeste da Ásia", afirmou Pitsuwan, "apesar dos nossos milhões de rúpias, de ringgits e de bahts, nos sentimos mais inseguros com relação a nossa vida, a nossa família, a nosso futuro do que jamais sentimos antes".
O Butão proveu uma alternativa. Os delegados butaneses na conferência atraíram a atenção não apenas por suas distintas túnicas bordadas, mas também por sua aura de júbilo interno. As decisões políticas nesse país, de acordo com Dasho Karma Ura, diretor para o Centro de Estudos do Butão, são tomadas a partir dos indicadores da FIB, que são os seguintes: padrão de vida, saúde, educação, resiliência ecológica, bem-estar psicológico, diversidade cultural, uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária. "A renda não é buscada pelo seu bem em si, mas para aumentar a qualidade de vida, para obter a felicidade", diz ele. "Felicidade baseada na ética, em cultivar relacionamentos entre as pessoas e com a natureza. E também uma felicidade interior baseada na espiritualidade".
Num mundo de aceleradas rupturas ecológicas, sociais e psicológicas, talvez os butaneses, com sua sabedoria dos Himalaias, tenham algo a nos ensinar. Que possamos alcançar a prosperidade em harmonia com o planeta sem perder a verdadeira fonte da felicidade: nossas conexões uns com os outros, com a Terra e com o espírito dentro de nós.
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Drauzio Milagres
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Marcadores: bem-estar psicológico, butaneses, Butão, felicidade, Felicidade Interna Bruta, FIB, FIB X PIB, Himalaia, Jigme Singye Wangchuk, padrão de vida, PIB, PIB X FIB, qualidade de vida, resiliência ecológica
A Excomunhão da Vítima (Miguezim de Princesa)
A literatura de cordel resume bem a questão para os que não estão acompanhando.
A Excomunhão da Vítima
- Miguezim de Princesa -
I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.
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Drauzio Milagres
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Anjo da Guarda (Donald Ritchie) salvou centenas de pessoas do suicídio
Giovana Vitola - BBC Brasil - Diário da Saúde - 06/04/2010
http://www.diariodasaude.com.br/
Donald Ritchie salvou centenas de vidas em 50 anos.
Seu melhor argumento era convidar a pessoa para tomar um cafezinho em sua casa.
[Imagem: Elliot Braham/BBC].
Anjo da Guarda
Um australiano de 82 anos que vive perto de um penhasco usado com frequência para suicídios afirma ter convencido mais de 400 pessoas a desistir de por fim às suas vidas.
Há cinco décadas, Donald Ritchie, armado apenas de seu binóculo e de um papo tranquilo, monitora o movimento no penhasco perto de sua casa nos arredores de Sydney conhecido como The Gap, que, além de oferecer uma privilegiada vista para o mar, possui a má fama de atrair suicidas.
Pelo seu trabalho voluntário prevenindo suicídios na região onde mora, Ritchie foi batizado pela mídia australiana de "anjo da guarda".
No fim de semana, o australiano elevou sua própria contagem de vidas salvas para 401 - 161 delas foram reconhecidas por autoridades locais de Woollahra, o município em que vive.
Ação contra o suicídio
Ritchie passou quase cinco décadas de sua vida observando a beira do The Gap.
Quando percebia alguém muito pensativo, contemplando demais o oceano, e que havia ultrapassado as cercas que existem no lugar, o ex-vendedor de seguros de vida se dirigia ao local para conversar com a pessoa.
"Com apenas um sorriso, uma saudação, uma conversa amigável, muitas vezes conseguia fazer com a pessoa mudasse de ideia", disse ele, em entrevista à BBC Brasil.
Entre seus argumentos mais eficientes está o convite de tomar um café em sua casa.
Mas devido à idade e a problemas de saúde, Ritchie tem-se limitado a observar o local e alertar a polícia em caso de suspeitas de possíveis suicidas.
"Há dois dias salvei uma moça, ligando para a polícia", disse ele.
Riscos da profissão
Algumas das mortes estão registradas em seu diário, outras estão muito vivas em sua mente.
Em uma ocasião, ele correu sério risco de morte.
"Há uns 20 anos fui salvar essa moça, ela estava quase mudando de ideia quando um carro se aproximou e ela se levantou para pular, eu a segurei, mas ela me puxou junto e foi por pouco que não caímos os dois", lembrou.
Ao longo dos anos, o "anjo da guarda" recebeu várias manifestações de agradecimento e carinho, entre cartas, pinturas e até garrafas de champanha deixadas em sua porta.
Tema delicado
Em 2006, o aposentado foi homenageado com uma medalha do governo australiano. Mas ele evita a atenção da mídia por considerar suicídio um tema bastante delicado.
"Quanto mais divulgamos sobre suicídios, parece que mais eles acontecem", disse, lembrando do caso do suicídio de uma jornalista australiana, que teve grande destaque na imprensa. Logo depois do caso, houve mais seis suicídios no local.
Segundo dados do governo, estima-se que cerca de 50 pessoas cometem suicídio no The Gap por ano.
Em 2007, foram registradas 65 mil tentativas de suicídio e 1.881 mortes por suicídio no país.
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Drauzio Milagres
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