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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Efeito Bumerangue


Efeito Bumerangue

Eliane Cantanhêde - Folha On-line - 07/05/2008
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u399430.shtml



Eliane Cantanhêde




A ministra Dilma Rousseff deu um banho na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Também, pudera. A primeira providência da oposição foi destacar sua condição de vítima da ditadura militar e lhe dar palanque para um contundente discurso sobre seu papel na resistência à época.

Dilma lembrou que tinha 19 anos (19 anos!) quando foi presa, torturada e acabou passando dois anos na cadeia. Falou do quanto dura é a tortura e do quanto dói. Mostrou que mentir, nesse caso, era um ato de bravura, uma "honra". "Eu não tinha nenhum compromisso em dizer a verdade para a ditadura".

E aproveitou para uma estocada tão sutil quanto profunda contra o senador José Agripino Maia, do DEM, que tinha tentado colocar a ministra contra a parede, acusando-a de falar mentiras e de defender mentiras. Depois de falar da ditadura, da tortura, dos desaparecimentos e das mortes, foi no fígado: "E nós estávamos em campos opostos". Ou seja, ela na resistência a tudo isso. Ele, oriundo da Arena e do PDS, a favor.

A oposição encolheu, Dilma cresceu e passou a fazer um verdadeiro comício sobre as vitórias do país durante o governo Lula, do "investment grade" aos índices de desenvolvimento que se mantêm positivos há vários trimestres, ao aquecimento da indústria, à criação de empregos e até a programas específicos, como o Prouni e o Pronaf. Até comparou: no Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é campeão no combate à desigualdade social.

Ao contrário da desastrada entrevista que a ministra deu no Planalto para tentar defender o indefensável -o dossiê da Casa Civil contra o governo FHC-, Dilma estava segura, composta. Até quando se atrapalhou com a palavra "monitoramento", ela riu e deu a volta por cima.

Só depois de ganhar a situação, ela passou ao tema da convocação, que é justamente o que ela mais gosta: o PAC. E não teve pressa em falar de megawatts, enumerar vários rios desconhecidos, projetos mirabolantes e fantásticos. Evidentemente, ganhava tempo no seu terreno, para adiar a entrada no pantanoso terreno da oposição: o dossiê.

Dilma está muito segura ao falar de tortura, dos sucessos do governo e do PAC. Ao falar sobre o dossiê, seu calcanhar-de-Aquiles, a voz muda, o olhar desvia, ela fica evidentemente desconfortável. Mas ela não derrapou no conteúdo e isso reforça a impressão de que a estratégia da oposição de convocar a ministra teve um efeito bumerangue. Dilma pode nem ter ganho, mas com certeza não perdeu. E a oposição perdeu. Perdeu o discurso, a condição de ataque. É sempre bom ouvir autoridades e o debate entre oposição e governo. Mas, no caso, foram horas e horas, aparentemente, para nada.




Eliane Cantanhêde é colunista da Folha, desde 1997, e comenta governos, política interna e externa, defesa, área social e comportamento.
Foi colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da própria Folha em Brasília.







Veja as matérias correlatas:

Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-entra-no-senado-como-suspeita-e.html

Vídeo - Dilma Russeff Arrasa no Senado (07/05/2008) - José Agripino Maia faz papel ridículo:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-russeff-arrasa-jos-agripino-maia.html

OAB: José Agripino Maia foi "Infeliz" ao Indagar Sobre Mentira (Daniel Milazzo - Cézar Britto):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/oab-jos-agripino-maia-foi-infeliz-ao.html

José Agripino Maia e a Tortura (Paulo Moreira Leite):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/jos-agripino-maia-e-tortura-paulo.html

Vídeo - Senador José Agripino Maia é Ridicularizado e Esculachado por Jô Soares que parabeniza a Ministra Dilma Russeff (Senador Agripino Culatra):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/senador-jos-agripino-maia.html










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Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína


Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína

Blog do Ricardo Noblat - 07/05/2008
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=dilma_entra_no_senado_como_suspeita_sai_como_heroina&cod_Post=101325&a=111





Dilma Rousseff




A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil da presidência da República, venceu o debate travado com a oposição durante depoimento que se arrastou por mais de oito horas na Comissão de Serviço e Infra-Estrutura do Senado.

Ela entrou na sala da Comissão como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes da ditadura militar de 1964, e mesmo assim não dedurou ninguém.

Dilma tem uma dívida impagável com José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. Foi ele, logo no início do da sessão da comissão, que lembrou uma entrevista concedida por Dilma à Folha de S. Paulo a respeito de sua militância contra a ditadura.

Na entrevista, Dilma disse que mentiu quando presa e interrogada - e assim ajudou a salvar companheiros perseguidos pela ditadura. Agripino elogiou a atitude de Dilma na ocasião, mas sugeriu que ela não procedesse da mesma forma diante dos senadores.

Foi o que bastou. Dilma pegou o pião na unha, subiu no palco, ficou com dois metros de altura e por antecipação engoliu com farofa e tudo seus eventuais desafetos. A resposta que deu a Agripino foi aplaudida intensamente por correligionários e adversários. E baixou o ânimo desses últimos.

"Ela é Dilmais!", escreveu um senador em bilhete que passou de mão em mão. Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Senado, comentou baixinho com um dos seus colegas: "Acabou, acabou. Ela já ganhou essa parada".

A partir daquele momento, os senadores de oposição começaram a se preocupar mais com o Programa de Aceleração do Crescimento do que com o dossiê. E os que acossaram Dilma com perguntas sobre o dossiê o fizeram de forma branda e respeitosa como se temessem levar o banho que Agripino levou.

Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: "Se continuarem tratando a Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances reais de vence
r".

A advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez.







Veja as matérias correlatas:

Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-entra-no-senado-como-suspeita-e.html

Vídeo - Dilma Russeff Arrasa no Senado (07/05/2008) - José Agripino Maia faz papel ridículo:
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/dilma-russeff-arrasa-jos-agripino-maia.html

OAB: José Agripino Maia foi "Infeliz" ao Indagar Sobre Mentira (Daniel Milazzo - Cézar Britto):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/oab-jos-agripino-maia-foi-infeliz-ao.html

José Agripino Maia e a Tortura (Paulo Moreira Leite):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/jos-agripino-maia-e-tortura-paulo.html

Vídeo - Senador José Agripino Maia é Ridicularizado e Esculachado por Jô Soares que parabeniza a Ministra Dilma Russeff (Senador Agripino Culatra):
http://drauziomilagres.blogspot.com/2008/05/senador-jos-agripino-maia.html









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terça-feira, 6 de maio de 2008

A Síndrome da Notícia Ruim



A Síndrome da Notícia Ruim

Ruth de Aquino - Revista Época nº 519 de 28/04/2008
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83308-9554-519,00-A+SINDROME+DA+NOTICIA+RUIM.html


Ruth de Aquino
Há leitores que exigem sangue na arena. Mas muitos já se cansaram do exagero.




Não agüento mais ouvir falar do caso Isabella. Não suporto mais a cara de sonso do pai, o choro falso da madrasta, a frieza do avô/advogado paterno. Não tenho mais paciência para a disputa de egos e holofotes entre as delegacias, a promotoria e a defesa. Não tenho estômago para ver a multidão de linchadores que apedreja carros e tira seus filhos da escola para assistir a esse circo. Não entendo como se transforma um crime hediondo numa novela das 8 em capítulos. Não é plausível que se tente fechar parte do espaço aéreo de São Paulo para reconstituir o crime durante um domingão de lazer familiar.

Não tenho nenhuma esperança de que os assassinos dessa menina de 5 anos sejam exemplarmente punidos. Não com as nossas leis, mais rigorosas com sequestros que com homicídios. Não com nossa proteção legal e leniente aos criminosos com grana e status social. Talvez por isso a sociedade esperneie tanto. Por saber que não há prisão perpétua para monstros no Brasil. Especialmente se tiverem diploma universitário e vierem da classe média ou alta. É só conversar com taxistas. Eles dirão que a saída é rezar a Deus e amaldiçoar o diabo.

Continua presa, há um ano e três meses, a moça acusada de mandar matar o marido, milionário da Mega-Sena, na roça de Rio Bonito, Rio de Janeiro. Sem provas e sem confissão. Adriana, ex-cabeleireira, caipira, sem instrução, apelidada de "égua loura". Ninguém sabe se ela foi mandante do crime, mas nenhum juiz concede habeas corpus para que responda ao processo em liberdade, mesmo sendo ré primária e mãe de duas crianças. Adriana não tem direito à "presunção de inocência", não tem os privilégios dos homicidas com diploma. Réus confessos, com provas, alguns já condenados, ficam soltos por graça e obra de recursos. Tudo dentro da lei, o pior é isso. Pimenta Neves, que assassinou há oito anos a namorada pelas costas, foi diretor de jornalão de prestígio. Thales Shoedl matou um jovem na praia ao disparar 12 tiros, mas é promotor. Jorge Farah, que esquartejou a namorada em nove pedaços, é cirurgião. Esses três mataram mesmo e estão em liberdade.

Não é fácil escapar da síndrome da notícia ruim. Há leitores e espectadores que exigem sangue na arena. O nojo atiça a conversa. Num país viciado em novelas, o crime de Isabella aumentou absurdamente o ibope dos telejornais. Mas muitos brasileiros já se cansaram do exagero. Talvez sejam a maioria silenciosa. Não é hipocrisia. Existe fronteira entre a cobertura responsável e a dramatização excessiva, típica de países subdesenvolvidos e primitivos.

Negar-se a acompanhar o caso Isabella não nos livra da síndrome da notícia ruim. Saímos das páginas policiais, com os serial killers toscos e cruéis dos assaltos urbanos, e caímos nos escândalos de corrupção.

Na quinta-feira, o advogado Ricardo Tosto, do conselho administrativo do BNDES, indicado pela Força Sindical, foi preso e algemado, acusado de desviar recursos do banco. Se for tudo provado, Tosto faria parte da quadrilha de empresários, servidores, sindicalista, coronel reformado da PM. Tutti buona gente. Tosto se define como bon-vivant, apaixonado por vinhos franceses, charutos cubanos, feng shui e numerologia. Um de seus clientes foi o ex-prefeito Paulo Maluf. A Polícia Federal atirou no que viu e acertou no que não viu. Pensou que os desvios de dinheiro público serviam a tráfico de drogas ou prostituição. Mas era fraude rala mesmo, para embolsar comissões milionárias. O dinheiro era lavado num prostíbulo badalado na capital paulista, que funcionava num flat e traficava mulheres para o exterior. Já se lavou dinheiro de forma mais elegante.

Há tragédia demais no Brasil? Ou não conseguimos, como jornalistas, equilibrar o noticiário com histórias boas e humanas, de superação, como a luta do ex-jogador Casagrande contra o vício, capa elogiada de ÉPOCA na edição passada? Essa aí leva jeito de ter final feliz.











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Lição de Superação




Lição de Superação
Agência Fapesp - Fábio de Castro - 06/05/2008
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8791


Estudo de Cláudia Vóvio, da Unicamp analisa atuação de alfabetizadores de jovens e adultos.
Trabalho ganhou prêmio internacional de entidade ligada à Unesco.
Na foto, a autora apresenta palestra aos alfabetizadores do projeto Educar para Mudar.




Os alfabetizadores de jovens e adultos que atuam em programas organizados pela sociedade civil, em sua maioria, não são formados para a docência e são provenientes de famílias de baixa escolaridade e de alta vulnerabilidade social.

Um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisou o universo desses alfabetizadores, enfocando como eles adquirem seu conhecimento, como se relacionam com a leitura e a escrita e como superam dificuldades sociais para assumir papel importante na luta contra o analfabetismo.

A tese de doutorado, defendida por Cláudia Vóvio no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, ganhou o prêmio de teses do Centro de Cooperação Regional para a Educação de Adultos na América Latina e Caribe (Crefal). O organismo internacional, com sede no México, foi criado em 1950 por iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A pesquisa, intitulada Entre discursos: Sentidos, Práticas e Identidades Leitoras de Alfabetizadores de Jovens e Adultos, foi orientada por Angela Kleiman, coordenadora do Grupo de Pesquisa Letramento do Professor do IEL. Para o trabalho, Cláudia contou com apoio da FAPESP por meio de bolsa de doutorado.

De acordo com Cláudia, o estudo foi feito a partir de sua participação em processos de formação continuada de educadores de pessoas jovens e adultas em programas organizados pela sociedade civil.

"As inquietações que motivaram o estudo eram relativas às necessidades formativas e de profissionalização desses alfabetizadores. A pesquisa investiga e descreve os sentidos, as identidades leitoras, os acervos e as práticas de leitura em que eles estão envolvidos", disse à Agência FAPESP.

Segundo ela, os programas de alfabetização de jovens e adultos criados por iniciativa da sociedade civil – incluindo movimentos sociais, centros comunitários e sindicatos – têm grande relevância, uma vez que o ensino público não tem vagas para absorver toda a demanda potencial por alfabetização. Os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2006, mostram que o país tinha então 15,5 milhões de analfabetos com mais de 10 anos de idade.

"Esses alfabetizadores não têm uma formação específica para a docência. A problemática central da tese diz respeito ao estudo dos letramentos dessas pessoas, que têm percursos irregulares de escolarização e estão em condição de vulnerabilidade social", destacou.

A pesquisa foi realizada junto a alfabetizadores que atuam em um programa de alfabetização de jovens e adultos de iniciativa não-governamental: o Programa Educar para Mudar, do Conselho Comunitário de Educação e Cultura e Ação Social, uma organização não-governamental localizada em Itaquaquecetuba (SP).

"A organização não-governamental tem uma parceria com o governo federal e recebe verbas para a organização das turmas e pagamento de professores e coordenadores. Os locais são cedidos pela comunidade", explicou Cláudia. A região de Itaquaquecetuba, segundo ela, não tem um programa público que ofereça alfabetização para jovens e adultos.



Auto-imagem positiva

Os programas de formação continuada oferecidos aos alfabetizadores, de acordo com o estudo, têm papel fundamental. "É a instância na qual eles dão continuidade à sua formação como leitores e que lhes permite dar conta de uma atribuição educativa tão complexa", afirmou.

A pesquisadora utilizou uma metodologia etnográfica, que incluiu dinâmica de rodas de conversas, de práticas de leituras conjuntas, entrevistas, visitas a salas de aula e aplicação de questionários. "Trabalhei dessa maneira junto a nove dos 49 professores da unidade. A metodologia permitiu a geração de dados. Os encontros foram feitos quinzenalmente", explicou.

Cláudia procurou descrever como os alfabetizadores tomam posse de significações culturais atribuídas à leitura, à condição de leitor e aos modos de ler, além de investigar os sentidos atribuídos por eles a suas histórias como leitores. Outra questão era saber como se apropriam de objetos culturais relacionados ao universo da escrita a partir da participação em espaços onde se pratica a leitura.

Segundo ela, ao contrário dos professores que trabalham em programas formais de alfabetização, os alfabetizadores comunitários, apesar de toda adversidade, constroem uma auto-imagem bastante positiva como leitores.

"Os professores constróem uma imagem bastante autodepreciativa, manifestando uma falta de confiança em sua própria capacidade de cumprir o papel de alfabetizadores. Esses alfabetizadores, por outro lado, se afirmam como leitores e discutem seu papel de uma perspectiva muito positiva, de autolegitimação", afirmou.

Outro fato destacado na tese é que os alfabetizadores do programa, que atua desde 1997 no local, criaram uma rede de intercâmbios sociais altamente dinâmica. "Mesmo com condições de trabalho bastante improvisadas, por falta de espaço, material e apoio, eles conseguem gerar alternativas para dar conta de todo o processo de alfabetização", disse.











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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Fumo Estimula Infecções



Fumo Estimula Infecções
Agência Fapesp - 05/05/2008
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8784




Nicotina reduz a capacidade dos neutrófilos (um tipo de leucócito) de destruir bactérias,
aponta estudo feito por cientistas do Canadá, Estados Unidos e Inglaterra.



O estudo, feito por cientistas do Canadá, Estados Unidos e Inglaterra, foi publicado na revista BMC Cell Biology. Um novo estudo destaca que a nicotina afeta os neutrófilos, células sangüíneas leucocitárias que ajudam o organismo a se defender de infecções, ao reduzir a capacidade desse tipo de glóbulo branco para perseguir e destruir bactérias.
Neutrófilos são produzidos na medula óssea e dali saem como células diferenciadas e com vida curta. Embora trabalhos anteriores tenham sugerido que a nicotina afeta esse tipo de leucócito, não se conhecia até agora os mecanismos atuantes quando a substância está presente durante a diferenciação dessas células.
Segundo o norte-americano David Scott, da Universidade de Louisville, e colegas, os processos que eles observaram como prejudiciais à função dos neutrófilos explicam em parte o aumento na suscetibilidade a infecções bacteriais e doenças inflamatórias entre os fumantes crônicos.
Os pesquisadores modelaram o processo de diferenciação dos neutrófilos, com ou sem nicotina, em células promielocíticas HL-60 (células de leucemia), que se diferenciaram em neutrófilos após o tratamento com dimetilsulfóxido.
Eles verificaram que a nicotina aumentou a porcentagem de células em fases posteriores de diferenciação, em comparação com apenas o dimetilsulfóxido, mas que não afetou outros marcadores de diferenciação de neutrófilos analisados.
Entretanto, os neutrófilos com nicotina se mostraram menos capazes de buscar e de destruir bactérias do que os demais. Segundo os autores, a nicotina suprimiu a explosão oxidativa em células HL-60, uma função que ajuda a combater as bactérias invasoras. A nicotina também aumentou a liberação de MMP-9 (expressão da metaloproteinase 9), um fator envolvido na degradação de tecidos.
Segundo os pesquisadores, uma melhor compreensão das relações entre nicotina e o sistema imunológico é fundamental para que se desenvolvam estratégias terapêuticas específicas para lidar com importantes doenças e condições inflamatórias associadas ao tabaco.
O artigo The influence of nicotine on granulocytic differentiation – inhibition of the oxidative burst and bacterial killing and increased matrix metalloproteinase-9 release, de David Scott e outros, pode ser lido em:
www.biomedcentral.com/bmccellbiol.











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Turbulência Mundial - Novo Status do Brasil




Turbulência Mundial Valoriza o Novo Status do Brasil

Portal Exame - José Roberto Caetano, Fabiane Stefano e Márcio Juliboni - 30/04/2008
http://portalexame.abril.uol.com.br/economia/m0158430.html




O fato de receber o grau de investimento agora é uma mostra de como o país reduziu sua vulnerabilidade, dizem economistas.



O novo status que o Brasil acaba de receber, de economia confiável para investimentos, atribuído nesta tarde pela agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's é especialmente significativo pelo momento em que ocorre. "O mais importante é que recebemos essa promoção em plena turbulência internacional, revelando uma mudança qualitativa pronunciada no padrão que caracterizava o Brasil em períodos de crise", registrar Alexandre Schwarstman, economista-chefe do banco Real e ex-diretor da área externa do Banco Central, num comentário, que acaba de escrever sobre a notícia.

Schwartsman observa que, embora o mercado financeiro em boa medida já tivesse antecipado a ascensão da classificação do país, valorizando ativos, ainda assim deve se observar uma nova corrida de preços. Por ora, no primeiro momento da comunicação do novo status, a Bolsa de Valores de São Paulo entrou em euforia, fechando o pregão em 6,33%. "De todo modo, o mercado já revela como a notícia é positiva", diz ele. Do ponto de vista da economia real, a evolução mais importante que pode ser esperada é a redução do custo do capital, tanto próprio quanto de terceiros, com implicações positivas sobre o investimento no país. Schwarstman considera que o grau não deve ter influência direta sobre as decisões do Banco Central no que se refere à taxa de juros básica da economia, e tampouco sobre o comportamento da inflação.



Investimento estrangeiro

A obtenção do grau de investimento deve elevar o fluxo de investimentos diretos estrangeiros para o Brasil nos próximos dois anos. Essa é opinião de Luiz Afonso de Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), com base em estudo realizado pela entidade. O trabalho analisou o comportamento do investimento direto estrangeiro em nove países emergentes: Chile, Israel, Tunísia, Polônia, África do Sul, México, Rússia, Bulgária e Romênia. Nesses países, o advento do selo gerou uma média de incremento de recursos produtivos de 174% nos dois anos seguintes. Nos mesmos países, no biênio anterior ao grau de investimento o fluxo de investimento havia crescido, em média, 45%. "Há uma crença generalizada no mercado de que todo o benefício viria antes do grau de investimento. Mas o estudo mostra que os benefícios são muitos maiores depois", diz Lima.

No ano passado, o Brasil recebeu o volume recorde de 34,6 bilhões de dólares em investimentos diretos estrangeiros, de acordo com dados do Banco Central. Até hoje, a expectativa do mercado sobre os total de investimentos estrangeiros que deve entrar em 2008 girava em torno de 30 bilhões de reais. A própria Sobeet projetava fluxo de cerca de 35 bilhões de dólares para este ano. "Agora teremos de rever para cima esse número", diz Lima.



Câmbio

Uma das grandes preocupações de empresários e economistas é o impacto do grau de investimento sobre o câmbio. Ao ganhar acesso a recursos externos de fundos que só podem aplicar em países com grau não-especulativo, o Brasil tende a ver uma desvalorização ainda maior da moeda americana, de acordo com alguns economistas. O mercado respondeu à promoção da nota brasileira com uma queda de 2,52% do dólar nesta quarta-feira (30/4), fechando em 1,663 real.

Para o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria, não é hora de se preocupar com o dólar. Segundo ele, todos os países promovidos assistiram a uma valorização de suas moedas nacionais no curto prazo, mas perspectiva é de estabilização. "O pior para o país, agora, seria mudar o que nos trouxe até aqui", afirmou.

Maílson afirma que o dólar fraco pode também ajudar a conter as pressões inflacionárias, em um momento no qual o mercado teme que a meta de inflação de 2008 estoure. As últimas projeções apontam para um IPCA de 4,79% para 2008, de acordo com o relatório Focus do Banco Central. "A valorização do real pode arrefecer estas pressões", diz.










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sexta-feira, 2 de maio de 2008

A Revolta dos Pobres



A Revolta dos Pobres
Márcia Pinheiro e Phydia de Athayde - Revista Carta Capital nº 493 de 30/04/2008
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=765




A disparada dos preços dos alimentos detonou um clima de guerra global. Na América Latina e no Caribe, manifestações pipocam desde o início do ano. Uma passeata no México contra a escalada do custo da popular tortilla, feita do milho americano, reuniu mais de 75 mil pessoas na capital, em janeiro. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, responsabiliza os atravessadores pela falta de leite e pão no país e tenta aplacar o descontentamento da população, afetada pelo desabastecimento. Como tantos, atribui a culpa da falta de comida à expansão dos biocombustíveis, que supostamente ocupariam áreas antes destinadas aos alimentos. Para discutir a situação, Chávez convocou, na quarta-feira 23, uma reunião extraordinária da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), da qual fazem parte Cuba, Bolívia, Nicarágua e Venezuela.

Preocupado com uma onda de violência no Haiti, o Brasil enviou neste mês à ilha caribenha 14 toneladas de feijão, açúcar e óleo de cozinha. Ao sul do continente, a presidente Cristina Kirchner deparou-se com uma Argentina em greve de associações ruralistas, quando taxou as exportações de soja e de semente de girassol em março. Além disso, as exportações de trigo do país vizinho para o mercado brasileiro continuam suspensas. O Brasil importa da Argentina 70% do trigo que consome e tem contornado a situação com compras dos Estados Unidos e do Canadá.

Em medida emergencial, para garantir o abastecimento interno e conter a inflação, o Ministério da Agricultura brasileiro anunciou a suspensão da exportação do arroz dos estoques do governo, na quarta 23, e pode estender a medida ao milho. No mesmo dia, a rede de atacado americana Sam's Club informou que vai limitar a venda de arroz ao consumidor. Cada cliente terá um teto de quatro sacos de 9 quilos do produto por mês. A questão deixou de ser estatística, com impacto nos índices inflacionários mundiais, para adentrar à seara política. São recorrentes as revoltas, os saques e as manifestações em Moçambique, Iêmen, Uzbequistão, Peru, Indonésia, Mauritânia, Camarões, Egito e Senegal.

Como por encanto, o tema segurança alimentar substituiu o petróleo como a maior preocupação do planeta. Isso apesar de o barril ter se aproximado da marca dos 120 dólares e contribuir, de forma significativa, para a alta dos preços dos alimentos, pois muitos derivados são fundamentais na lavoura e no transporte
. Ainda que de maneira equivocada e tardia, o assunto chegou à agenda dos organismos internacionais. Os biocombustíveis foram repentinamente retirados da lista de salvadores do meio ambiente e passaram a figurar na coluna dos principais vilões da inflação mundial. De fato, a produção de etanol do milho tem avançado, nos Estados Unidos, sobre lavouras antes dedicadas ao abastecimento de comida. Mas está longe de ser o caso do etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar.

A afobação para se achar um culpado obnubilou a boa análise. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que a produção de combustíveis, em detrimento de alimentos, era uma questão "moral". O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também resumiu a questão em encher ou não os tanques dos automóveis. Coube ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o papel de mediador do debate, com uma dose de equilíbrio. Segundo ele, são muitas as razões para a alta de alimentos, que não se esgotam na competição entre biocombustíveis e agricultura.

Há, no horizonte, um motivo para a crescente crítica dos países industrializados aos biocombustíveis e ele não está baseado em repentinas preocupações humanitárias. Tem a ver com negócios e interesses geopolíticos. Está previsto para 19 de maio um encontro ministerial que visa encerrar a Rodada de Doha, iniciada em 2001, da Organização Mundial do Comércio (OMC). O embate se concentra na questão dos subsídios dos países ricos (Estados Unidos, Japão e nações européias) aos produtores agrícolas. Tanto que o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, alertou para a intransigência do Primeiro Mundo, cujos bilhões de dólares e euros destinados ao campo estariam desestimulando o aumento da oferta de alimentos por parte dos países em desenvolvimento.

Amorim acenou, no entanto, a bandeira branca, na terça-feira 22, e disse que o Itamaraty está disposto a aceitar uma abertura negociada do mercado brasileiro às manufaturas estrangeiras, em troca de uma "redução substancial" dos subsídios. O que se teme é o fracasso da rodada, se não ocorrer neste primeiro semestre, em razão da mudança do governo nos EUA, com a eleição presidencial. Os democratas, com boas chances de vitória, são tidos como mais protecionistas do que os republicanos. A questão de fundo não é o etanol, cuja importância foi fortemente defendida pelo presidente Lula, em revide aos ataques do FMI e do Banco Mundial. Há muito mais em jogo.

De acordo com o professor José Maria da Silveira, do Núcleo de Economia Agrícola da Unicamp, quatro fatores explicam a atual crise. Primeiro, e inegável, é a inclusão dos cidadãos chineses e indianos no mercado mundial. São 450 milhões de consumidores que deixaram a linha de pobreza, desequilibraram as leis de oferta e demanda e surpreenderam a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que foi "desleixada" em relação à pesquisa agrícola e assistiu passivamente à produtividade do setor desabar, segundo o economista.

No mundo desenvolvido, os Estados Unidos e a Europa não abrem mão dos subsídios aos agricultores. O resultado foi a falência das chamadas fazendas familiares americanas, que perderam o trem do avanço tecnológico, fato aguçado pela desvalorização do dólar, que ajudou a bombar os preços das commodities agrícolas. De seu lado, os países europeus sentaram em cima do protecionismo, com o estabelecimento de cotas regionais e produção de alimentos de origem controlada e grife, "que não enche a barriga do mundo", como foie gras, azeites, vinhos e embutidos. "Tudo cercado de um modelo empresarial ultrapassado", diz Silveira.

E qual é a saída? Lucilio Rogério Aparecido Alves, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/Universidade de São Paulo), acredita que os mercados vão se definir por si só. "Há um aumento forte na demanda de alimentos, desde 2006, e o Brasil tem um papel importante diante desse cenário, por ter um bom volume de produção disponível e por ser o único país, no mundo, com áreas disponíveis para aumentar a produção", diz Alves, também pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP.

Ele ressalta que as novas lavouras não precisam avançar sobre a Amazônia. "Temos áreas de pecuária não competitiva que podem ceder espaço para grãos, como soja e milho. Se isso vai acontecer ou não, dependerá da relação de preços." Mas o professor destaca que o Brasil tem uma enorme lista de deveres de casa a cumprir, desde desenvolver pesquisas para aumentar a produtividade até realizar melhoras na infra-estrutura. "Isso depende de muito investimento, e não é necessariamente um Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que vai resolver", alerta.

Não há, é óbvio, solução mágica de curto prazo nem o Brasil será capaz, sozinho, de desempenhar o papel de celeiro do mundo. O tema é candente e merece atenção imediata, daí o desespero que tomou conta das autoridades mundiais. Segundo levantamento da organização americana Council on Foreign Relations, além do Brasil e da Argentina, a escassez de alimentos levou vários países a suspender as exportações, para abastecer o mercado interno. É o caso do Cazaquistão, importante supridor de trigo para a Ásia Central, do Vietnã, o segundo maior exportador mundial de arroz e da Índia.

Na reunião de primavera do FMI, em meados de abril, Zoellick, do Banco Mundial, propôs um tipo de New Deal para a Política Global de Alimentos, que incluiria a doação de 500 milhões de dólares dos países ricos para transferências em dinheiro vivo às populações com fome, além da elaboração de programas que resultem em maior produção mundial. Tal iniciativa seria emergencial e não toca no problema central. Falta comida e sobra especulação dos mercados financeiros. Para o semanário britânico The Economist, a crise dos alimentos deveria ser levada tão a sério como a do subprime. Seria urgente a criação de um fundo de ao menos 700 milhões de dólares para ajuda humanitária aos países mais pobres.

Na esteira da carência mundial, entraram em cena os especuladores. A publicação dedicada a finanças Barron's, do grupo The Wall Street Journal, informou em 31 de março deste ano que ao menos 40% das apostas em mercados futuros de commodities estão em mãos de fundos altamente especulativos. Em razão da crise americana do subprime, os investidores em busca de alto retorno migraram para os contratos futuros de alimentos e metais. Para ter uma idéia da força das finanças, entre 31 de dezembro de 2004 e 31 de março de 2008, os preços futuros dos grãos e sementes deram um salto de 163%, de acordo com o conceituado índice CRB da Reuters.

A especulação não surgiu do nada. Tem como base a percepção de que está em curso uma mudança estrutural da economia mundial. Segundo Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) e antigo observador das rodadas mundiais de comércio, há uma somatória de fatores que fez o mundo acordar para a questão alimentar. O programa de etanol do milho nos Estados Unidos "enxugou" muito da oferta global. Antes mesmo disso, afirma, houve o crescimento acelerado da China, que passou a demandar toneladas de soja e fertilizantes. Assim como a Rússia, grande importadora de carne do Brasil.

Ele cita também a Austrália, que passa por seguidas secas há anos, e desabasteceu o mundo, principalmente, de leite e derivados. Por fim, a desconfiança dos ativos financeiros americanos e europeus com a crise hipotecária do subprime gerou a busca por ativos reais, como grãos e metais preciosos. "Para atender ao aumento da demanda, é preciso o mundo todo produzir mais", diz. Camargo Neto é cético em relação aos resultados da Rodada de Doha, pelas iniciativas protecionistas que se multiplicam mundo afora.

Para o empresário, os arcabouços de organização global, representados pelo FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, por exemplo, enfrentam uma crise por ter sido criados para atender às iniciativas das nações ricas. Como o eixo do poder está se movendo em direção aos emergentes, cujas demandas ganharam fôlego, as negociações emperram.

A hora e a vez, segundo especialistas, é do Brasil e dos países africanos. Apostar em inovação tecnológica é a chave para o abastecimento global, com o horizonte de preços em ascensão, diz Silveira, da Unicamp. Trancar os mercados é ato impensado, fruto da inoperância dos acordos multilaterais. O desafio é expandir uma produção agrícola menos intensiva em energia, com respeito ao meio ambiente, e arranjos produtivos que combinem tecnologia e inovação, além de incentivar esquemas de cooperativas para que o crédito chegue ao produtor rural. Não há alternativa.

O mundo precisa mudar, antes que a próxima crise se una à atual. Seria um disparate se, ao mesmo tempo que enfrenta a escassez de comida, o planeta começasse a ter problemas no fornecimento de água potável, a desencadear uma nova disputa global.














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Mais Imperialista que o Rei



Mais Imperialista que o Rei

Redação da Revista Carta Capital nº 493 de 30/04/2008
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=9&i=763


A vitória de Hillary Clinton sobre Barack Obama na prévia da Pensilvânia, em 22 de abril, prolongou o embate pela candidatura democrata na eleição presidencial. Poderia ser só um problema para o partido, na medida em que as críticas recíprocas criam ressentimentos entre seus partidários e favorecem os republicanos. Mas também começa a ser um problema para o mundo, dados os métodos a que a ex-primeira-dama se dispôs a recorrer.

Mesmo com essa vitória, Hillary continua atrás de Obama em número de delegados e é praticamente impossível reverter o quadro até o fim da campanha. Suas chances resumem-se agora no que no Brasil é chamado tapetão: convencer os chamados "superdelegados", líderes partidários não comprometidos com as pré-candidaturas, a contrariar a vontade das urnas e escolhê-la para enfrentar McCain, com o argumento da suposta experiência e da capacidade de atrair o voto centrista, de uma forma ou de outra.

Principalmente de outra. Sua propaganda traz à baila Pearl Harbor, os mísseis de Cuba, Bin Laden, e desafia Obama com "quem não agüenta o calor que saia da cozinha". Em entrevista, tentou ser tão troglodita quanto o governo Bush júnior nos piores momentos e acabou por superá-lo: "Quero que os iranianos saibam que, se eu for presidente, atacaremos o Irã (...) nos próximos dez anos, durante os quais eles poderão tolamente pensar em atacar Israel, seremos capazes de aniquilá-los totalmente".

"O povo americano não desiste e merece uma presidente que não desista", respondeu aos que lhe pediram para retirar a candidatura e permitir a união do partido. Mas o que está oferecendo é uma líder capaz de recorrer a qualquer meio e desprezar qualquer escrúpulo para conseguir a vitória, receita que seu povo já experimentou nos últimos oito anos e pode contabilizar como miseravelmente fracassada. Não há por que repetir a dose.









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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Doença da Pobreza



Doença da Pobreza

Fábio de Castro - Agência Fapesp - 28/04/2008
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8761


Na foto, a comunidade onde foi feito e estudo, em Salvador (BA):
Cada dólar por dia acrescentado à renda familiar de uma população carente diminui em 11% o risco de infecção por leptospirose.




Melhorar a infra-estrutura sanitária não basta para controlar a leptospirose numa favela. É preciso também melhorar a condição socioeconômica dos moradores, cuja variação acompanha o risco de infecção.

Essa é a principal conclusão de um estudo realizado numa comunidade carente de Salvador por pesquisadores do Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz (CPqGM), um dos institutos da Fundação Oswaldo Cruz, na capital baiana. Os resultados foram publicados na revista de acesso aberto Plos Neglected Tropical Diseases.

Os pesquisadores entrevistaram mais de 3 mil moradores da comunidade de Pau da Lima, em Salvador, e utilizaram modelos matemáticos para avaliar a associação entre fatores ambientais, indicadores socioeconômicos e a presença de anticorpos contra Leptospira nessa população.

De acordo com o autor principal do trabalho, Albert Icksang Ko, professor de Medicina da Universidade de Cornell (Estados Unidos) e pesquisador visitante do Laboratório de Patologia e Biologia Molecular do CPqGM, o estudo mostrou que mais de 15% dos moradores já haviam sido infectados alguma vez pela doença.

"Além de identificar fatores de risco ambientais, como a falta de saneamento básico, o estudo mostrou que o nível de pobreza está fortemente ligado à prevalência da doença. Concluímos que o risco de infecção diminui em 11% a cada dólar a mais por dia acrescentado à renda familiar per capita", disse Ko à Agência FAPESP.

O pesquisador explicou que, embora as deficiências na infra-estrutura sanitária tenham se mostrado uma fonte de transmissão de leptospirose, quando esses fatores ambientais foram controlados as diferenças socioeconômicas contribuíram para o risco de infecção.

"Identificamos fatores ambientais de risco, como morar perto do esgoto a céu aberto, em locais onde há lixo exposto e em fundos de vale com risco de alagamento. Mas, entre os moradores nessas condições, as diferenças socioeconômicas se apresentaram como um fator de risco independente", afirmou.

De acordo com Ko, existem mais de 10 mil casos de leptospirose registrados no Brasil – a maioria deles em populações carentes dos grandes centros urbanos. O pesquisador afirma que mais de 25% da população brasileira mora em favelas. A proporção chega a 60% em Salvador.

"O problema é grave se pensarmos numa projeção epidemiológica. No mundo todo, temos 1 bilhão de moradores de favelas. Esse número deverá dobrar nos próximos 20 anos. Por isso é importante identificar com precisão os fatores de risco de infecção", afirmou.



Participação da comunidade

Segundo Ko, o estudo foi realizado com recursos do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Nacional da Saúde dos Estados Unidos, por meio da Universidade de Cornell.

O estudo se baseou num um inquérito realizado com 3.171 residentes da comunidade, utilizando anticorpos aglutinantes contra Leptospira como um marcador de infecção prévia. Os dados sobre condições ambientais foram obtidos pelo Sistema de Informação Geográfica (GIS).

"Utilizamos o modelo de regressão de Poisson para avaliar a associação entre a presença dos anticorpos e atributos ambientais, indicadores socioeconômicos e exposições de risco individuais".

De acordo com o pesquisador, a participação de líderes comunitários e das associações de moradores foi imprescindível para a realização do trabalho. "A comunidade foi o sujeito da pesquisa e colaborou muito para a obtenção dos dados e realização das entrevistas. A partir daí, utilizando o GIS, uma equipe de geógrafos criou os mapas que identificaram o impacto de cada um dos fatores ambientais e socioeconômicos", explicou.

O estudo, de acordo com o pesquisador, contribui para incentivar o poder público a tomar medidas que possam diminuir os casos de infecção por Leptospira. "A leptospirose é uma doença de alto impacto econômico para o sistema público de saúde. Ela é associada a uma falência renal aguda, matando mais de 15% dos infectados que são hospitalizados", disse.

O artigo Impact of environment and social gradient on Leptospira infection in urban slums, de Albert I. Ko e outros, pode ser lido em www.plosntds.org.












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Vitamina E para Alzheimer



Vitamina E para Alzheimer
Agência Fapesp - 28/04/2008
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=8763


Estudo feito com 847 voluntários indica que portadores da doença que ingeriram suplementos da vitamina
viveram 26% mais do que os demais. Trabalho foi apresentado na reunião da Academia Norte-Americana de Neurologia.




Portadores de Alzheimer que ingerem vitamina E aparentemente vivem mais do que aqueles que têm a doença e não fazem uso do suplemento. A conclusão é de um estudo apresentado na 60ª reunião anual da Academia Norte-Americana de Neurologia, realizado de 12 a 19 de abril, em Chicago.

No estudo, um grupo de cientistas avaliou 847 portadores de Alzheimer durante uma média de cinco anos. Cerca de dois terços tomaram duas vezes por dia cápsulas com mil unidades internacionais de vitamina E junto com um inibidor de colinesterase, usado no tratamento da doença. Menos de 10% tomaram apenas vitamina E e 15% não ingeriram a vitamina.

Os pesquisadores verificaram que aqueles que ingeriram a vitamina, com ou sem o inibidor de colinesterase, apresentaram risco de morte 26% menor do que os demais.

"Trabalhos anteriores apontaram o papel da vitamina E no adiamento da progressão da doença de Alzheimer moderadamente severa. Agora, conseguimos mostrar que a vitamina aparentemente também aumenta o tempo de sobrevivência dos portadores", disse um dos autores do estudo, Valory Pavlik, da Faculdade de Medicina Baylor, no Texas.

O estudo também indicou que a mistura da vitamina E com o inibidor de colinesterase pode ser mais eficaz do que receber apenas o medicamento. "Os resultados mostraram que as pessoas que tomaram o inibidor sem vitamina E não tiveram um benefício em seu tempo de vida. No entanto, mais estudos são necessários para determinar os motivos", disse Pavlik.

Além dos suplementos vitamínicos, diversos alimentos são fontes importantes de vitamina E, como vegetais verdes, sementes e óleos vegetais.










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